Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Música 19.03.2013 19.03.2013

Conheça alguns dos bateristas de destaque no rock internacional hoje

Por Andréia Silva
 
Líder do Foo Fighters e ex-baterista do Nirvana, Dave Grohl sabe bem do que está falando quando o assunto é bateria. Longe de ser um criador de polêmicas, ele fez uma declaração recente em entrevista à revista norte-americana Rolling Stone que deu o que falar. Para o roqueiro, hoje em dia está difícil encontrar bateristas com personalidade, pois ela é "roubada desses músicos em nome da perfeição, e isso é uma barreira".
Embora um pouco descrente, Grohl rasgou elogios a três bateristas de bandas mais novas que, para ele, revelam sua personalidade no jeito simples de tocar: Meg White, ex-White Stripes, Chris Tomson, do Vampire Weekend, e Patrick Carney, do Black Keys.
"É ótimo ouvir bateristas como Meg White – uma das minhas bateristas favoritas de todos os tempos. Tipo, ninguém toca bateria assim. Ou o cara do The Black Keys. Assista ao cara tocando bateria – é uma loucura. Ou o cara do Vampire Weekend…", disse Grohl, que surpreendeu muitos ao elogiar a ex-companheira de banda de Jack White.
 
O fato é que quando são listados os melhores bateristas de todos os gêneros do rock, o privilégio é sempre dos mais antigos. Você sempre verá nomes como John Bonham (Led Zeppelin), Keith Moon (The Who), Lars Ulrich (Metallica), Ringo Starr (Beatles) e o próprio Grohl que, quando aparece nas listas, costuma ser o mais novo da turma. Mas será que não se fazem mais bateristas como antigamente?
"Concordo plenamente com Grohl", diz o baterista do Vanguart, Douglas Godoy. "O que eu vejo na maioria dos bateristas é certa falta de personalidade e busca pelo seu próprio estilo, e [eles] acabam emulando o que já foi feito por outros bateras", completa o músico.
Ao citar um nome que chama atenção entre as bandas de rock contemporâneas, Douglas recorre a John Moen. “Gosto muito do baterista do Decemberists, John Moen, pela simplicidade das suas levadas e timbres de bom gosto. Tudo sem exageros e bateras bem colocadas", diz o músico.
 
Já Bell Ruschel, baterista do Fresno, discorda do roqueiro norte-americano e sai em defesa dos bateras brasileiros. "Sou muito fã dos bateristas do rock brasileiro. Não concordo com o Dave Grohl, na medida em que sou fã do Dani do NXZero, por exemplo, do Cadu do Strike, Ale do Rancore, e muitos outros. Penso que sobra personalidade para os bateras do nosso país”, diz ele.
Sobre um nome de destaque, ele cita Piné (do Sugar Kane, banda de punk rock natural de Curitiba), como “o batera do momento no rock”.
E para mostrar que as baquetas estão em boas mãos hoje, listamos alguns bateristas gringos que podem contrariar o comentário de Grohl:
 
Travis Baker, o tipo agressivo: o baterista do Blink-182 é um dos mais populares do punk rock com seu estilo ligeiro e agressivo de tocar bateria.
 
O baterista Travis Barker, rei das baquetas do Blink182
Chris Tomson, o tipo inquieto: personalidade não falta ao baterista do Vampire Weekend, que não só toca como tem uma performance com estilo próprio. Do fundo do palco, é cantor de apoio do vocalista Ezra Koening, e costuma se projetar sob o instrumento, chegando a tocar como se ficasse de pé em alguns momentos.
 
Chris Tomson, baterista do Vampire Weekend
 
Patrick Carney, o tipo “assumidamente nada técnico que funciona”: a outra metade do Black Keys já disse que concorda com os comentários dos fãs, irônicos ou não, que dizem que ele é um péssimo baterista. Após o Grammy deste ano, ele declarou sem autopiedade: "Eu sou horrível na bateria". Vale lembrar que Carney começou tocando guitarra, mas como seus amigos não tinham como transportar os instrumentos, ele comprou uma bateria simples e instalou em sua garagem, para facilitar. Como todos os seus amigos só tocavam guitarra, ele cedeu e tornou-se baterista. 
 
Patrick Carney, baterista do Black Keys, em ação
 
John Moen, o tipo discreto: duas palavras definem o estilo do baterista do Decemberist: discreto e econômico. Moen vai de acordo com a maré da banda, sem perder o vigor e a criatividade.
 
John Moen, o dono das baquetas do The Decemberists
Taylor Hawkins, o tipo alucinado: o baterista do Foo Fighters, que ganhou fama ao integrar a banda de Alanis Morissette no disco Jagged Little Pill, de 1995, também representa bem o time dos bateristas.
 
Taylor Hawkins, do Foo Fighters
 
Dominic Howard, o tipo multiuso: o baterista integra o power trio Muse. Ora dançante, ora rock, ora eletrônica, ora para os números de ópera rock, Howard desfila por estilos sem apegos. E haja pulso para tantas viradas e ritmo. 
 
Dominic Howard, o batera do Muse
Meg White, o tipo bonequinha: quando acompanhava Jack White, a mente criativa do White Stripes, Meg não estava acostumada a receber elogios – pelo contrário. Para alguns, ao vivo ou nos discos, ela não tinha estilo algum na hora de tocar. Mas parece que foi justamente essa simplicidade que conquistou Dave Grohl. Após o fim do White Stripes, Meg nunca mais tocou com suas baquetas mágicas.
 
Meg White com seu ex-companheiro de White Stripes, Jack
 
 
 
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