Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 21.02.2011 21.02.2011

Complexo de Cinderela marca ‘Comer, rezar e amar’

Baseado no livro de memórias best-seller da escritora Elizabeth (Liz) Gilbert, Comer, rezar e amar satisfaz bem a seu público alvo: com complexo de Cinderela em cada fotograma, o filme, como o livro, compila dilemas e conflitos das relações amorosas, devidamente amaciados com trilha sonora, paisagem e gastronomia exóticas. E um elenco de galãs para a protagonista (Julia Roberts) – e também o público – não botar defeito.

Tirando essa crítica, digamos, à “moral” do filme, até queComer, rezar e amar é bem-sucedido, distraído e bem-humorado. Nele, Roberts vive Liz, balzaquiana que, após um divórcio doloroso, tenta se redescobrir. O processo começa numa relação com um homem mais jovem (vivido por James Franco), e continua com uma série de viagens de auto-descoberta.

Liz vai primeiro à Itália, onde espera se livrar da culpa do controle do peso (?) comendo fartas porções de espaguete. A solidão, no entanto, persiste. Ela segue então para a Índia, onde entra a reza da história, e depois para Bali, onde entra o amor, na forma de um brasileiro encarnado por Javier Bardem.

Em boa parte, a crítica nos Estados Unidos gostou. Levantou que filmes do gênero – como Sex and the city – não têm a mesma profundidade. É curioso que não tenha percebido, em Comer, rezar e amar, traços comuns a tantos outros filmes do “gênero”, como a glamurização do sofrimento nas viagens de nossa heroína – sem falar do amontoado de clichês sobre italianos, indianos, brasileiros e que tais.

Também é curioso saber que a direção do filme ficou a cargo de Ryan Murphy. Curioso, mas não tão surpreendente. Já há algum tempo que as séries – como Nip/Tuck e Glee, de Murphy – têm sido um espaço bem mais interessante para a dramaturgia audiovisual do que o cada vez mais infantilizado cinema.
 

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