Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 24.11.2014 24.11.2014

Comic Con Experience: a inspiração e o que vai rolar na feira no Brasil

Por André Cordeiro
 
O ator Sean Astin, que viveu um dos hobbits em Senhor dos Anéis; o Sr. Barriga do Chaves; um dos responsáveis pelo visual do Batman e do Super-homem nos últimos 40 anos; um personagem do Game of Thrones… essas são algumas das personalidades que habitam o universo da cultura pop e que farão parte da Comic Con Experience. A feira para apaixonados por quadrinhos, cinema, séries de TV, literatura e games acontece entre os dias 4 e 7 de dezembro, no Centro de Exposições Imigrantes, em São Paulo.
 
Organizado pelo site Omelete e pela Chiaroscuro Studios (responsável pelo bem-sucedido Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte, o FIQ-BH), a Comic Con Experience quer estabelecer no Brasil o modelo de comic-con, um tipo de evento que já é realizado há muitos anos nos Estados Unidos.
 
“Comic-cons são eventos de entretenimento que surgiram como convenções de fãs de histórias em quadrinhos. Ao longo do tempo foram agregando outros públicos, artistas e empresas de games, cinema, séries de TV, literatura, colecionáveis, cosplay e de outras áreas e interesses do universo pop”, explica Ivan Costa, um dos sócios da Comic Con Experience.
 
Já o jornalista Pablo Miyazawa, dono de um blog no UOL sobre o tema, avalia que uma comic-con é “um grande encontro de fãs de entretenimento nerd, onde a ideia é encontrar pessoas que pensam de maneira parecida e gostam das mesmas coisas”.
 
PADRÃO OURO
 
A mais conhecida de todas as comic-cons é a San Diego Comic Con (SDCC), evento criado em 1970. Na primeira edição eram apenas 300 visitantes, enquanto em 2014 a feira recebeu 130 mil pessoas em quatro dias, no San Diego Convention Center.
 
Lá, os visitantes podem conferir painéis, seminários e workshops com os maiores estúdios de cinema, canais de TV e empresas de quadrinhos como a Marvel e a DC, em um contato próximo entre fãs e artistas.
 
“Nos painéis, são os visitantes que fazem perguntas para as celebridades. Isso gera um contato muito bacana”, diz o jornalista Rodrigo Salem, que já cobriu a feira diversas vezes como repórter da Folha de S. Paulo. Além dos painéis superdisputados (“Teve gente que dormiu de madrugada na porta de feira só para assistir aos eventos de Crepúsculo”, lembra Salem), a feira conta ainda com concursos de cosplay, testes exclusivos de games ainda não lançados, pré-estreias de filmes, um setor exclusivo para quadrinistas independentes e vendas de itens colecionáveis exclusivos. "É difícil segurar a carteira", comenta Salem.
 
                                                                                                                              Kevin Dooley
Fotos da última edição da San Diego Comic Con (SDCC)
 
Outro ponto que ajudou no crescimento das feiras foi a adoção da cultura nerd pela indústria do entretenimento. “Antes, era apenas um nicho, mas o sucesso de filmes de super-heróis, a popularização das novas gerações de videogames e séries transformaram tudo isso em negócios de bilhões de dólares”, avalia o jornalista Pablo Miyazawa.
 
O organizador da Comic Con Experience, Ivan Costa, vai na mesma linha. “Hoje, todo mundo é um pouco nerd”, diz ele, que no entanto acredita que a feira é um grande “parque de diversões, capaz de atender a diversos gostos e públicos diferentes, do fã ao visitante casual”.
 
Além da badalada SDCC, que já foi palco para o primeiro anúncio da franquia dos filmes do Homem de Ferro e ajudou a produção 300 a ser um sucesso, outras comic-cons importantes são a de Chicago (Wizard World Chicago) e a de Nova York (NYCC). Criada em 2006, esta última deve ser o modelo para a versão brasileira na opinião de Costa. “Ela equilibra melhor todas essas áreas”, diz.
 
“Acho que é natural a criação de um evento desse estilo em um mercado tão promissor e sedento como o brasileiro”, avalia o jornalista Pablo Miyazawa. Já Rodrigo Salem acredita que a Comic Con Experience, apesar de não deixar de ser um evento interessante, é bastante semelhante a feiras já bastante populares no Brasil, como a Anime Friends, realizada pela Yamato e voltada para o mercado de mangá e animações japonesas, e a Fest Comix, ambas em São Paulo.
 
                                                                                                                               Pat Loika
A feira conta ainda com concursos de cosplay
 
MADE IN BRASIL
 
Para criar uma tradição no Brasil, a Comic Con Experience aposta em uma mescla de artistas internacionais e personalidades “feitas em casa”: ao mesmo tempo em que anuncia os atores Sean Astin (Senhor dos Anéis, Goonies), Jason Momoa (Game of Thrones, Aquaman) e Edgar Vivaz (o Sr. Barriga de Chaves), a feira também traz atrações brasileiras como Maurício de Sousa, Ivan Reis (quadrinista da Marvel), os irmãos Fábio Moon e Gabriel Bá (de Daytripper) e o novato João Montanaro, que, apesar de ter apenas 18 anos, tem espaço fixo na Folha de S.Paulo desde 2010.
 
Outros destaques da CCXP são um concurso de cosplay e a presença de estandes da Warner, 20th Century Fox, Disney, Sony, Cartoon Network e Panini, além de pré-estreias de concorridos filmes, como o terceiro capítulo da saga O Hobbit, dirigida por Peter Jackson, e Operação Big Hero, animação da Disney que estreará no Brasil apenas em 25 de dezembro.
 
Além disso tudo, a feira também dá espaço para novos quadrinistas: em um setor chamado Artists Alley, mais de 200 artistas brasileiros e estrangeiros terão a oportunidade de mostrar seu trabalho e conversar diretamente com o público.
Para Pablo Miyazawa, apostar nos independentes é um acerto. “Isso enriquece bastante o conjunto, especialmente se colocado lado a lado com atrações de peso internacionais e novidades do cinema”, diz o jornalista. Para Ivan Costa, o tamanho do setor é proporcional ao crescimento que os quadrinhos tiveram no Brasil nos últimos anos. “Surgiram muitos artistas com trabalhos que merecem ser conhecidos”, diz.
 
Correspondente da Folha de S.Paulo em Los Angeles, Rodrigo Salem destaca no mercado nacional a criação da Graphic MSP, uma linha de graphic novels (isto é, uma história longa, reunida em um livro só, com ênfase em roteiro e arte) baseadas nos quadrinhos da Turma da Mônica.
 
Alguns títulos da Graphic MSP
 
“É um movimento que acontece bastante nos EUA e só ajuda o mercado: além de renovar um personagem conhecido, ainda chama a atenção para o trabalho de artistas criativos”.
 
Já Gustavo Duarte, autor de Pavor Espaciar, uma história de alienígenas vivida pelo Chico Bento, acredita que o mercado de quadrinhos no Brasil ainda está sendo criado. “É um setor novo e pequeno, mas que pode crescer e ser forte no futuro”.
 

Duarte deve participar de bate-papos e palestras na CCXP, além de expor seu trabalho na Artists Alley. Seu companheiro de Graphic MSP, Vitor Cafaggi (de Laços, uma aventura da Turma da Mônica em busca de um cachorrinho perdido), também estará na feira e pretende se divertir muito. “Espero encontrar muita gente animada, conhecer artistas que admiro e gastar dinheiro comprando coisas que não dá para achar sempre no Brasil”, diz o quadrinista.

 

 
 
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