Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 21.12.2011 21.12.2011

Comédias ganham destaque na TV com séries de famílias desajustadas

Por Andréia Silva
Modern Family, uma das comédias mais premiadas do ano
 
A família sempre foi a principal protagonista das séries de TV americanas. Se, nos anos 50, elas eram vistas como um programa para reunir todos na sala e, por isso, deveriam retratar os pais, mães, filhos, tios, primos, entre outros, com harmonia e pouca ousadia, na década seguinte, nos libertários anos 60, as famílias desajustadas começaram a entrar na programação da TV para nunca mais saírem.
 
Hoje, essas séries são vistas como as grandes responsáveis pelo retorno da grande comédia à TV, em tempos onde séries policiais e sobrenaturais chovem na programação.

Entre novatas e veteranas, séries como The Middle, Raising Hope, Weeds, Shameless,

Os Simpsons, Uma Família da Pesada, Two And a Half Men e Desperate Housewives são algumas das que falam de famílias desajustadas de forma bem humorada. Os motes vão de filhos problemáticos a crises no casamento, uso de drogas a segredos mal guardados.
 
Mas é Modern Family, de Christopher Lloyd e Steven Levitan, a série apontada como o ponto de virada no retorno das comédias e o grande sucesso das séries de famílias fora do eixo.
A série estreou em 2009 na ABC e foi consagrada este ano com cinco prêmios Emmy, entre eles o de melhor série de comédia.
 
A trama gira em torno do cotidiano da família de Jay Pritchett (Ed O'Neill, o Al Bundy em Married With Children) e as de seus filhos, Claire (Julie Bowen) e Mitchell (Jesse Tyler Ferguson). Jay é casado com uma mulher colombiana mais nova do que ele (Sofia Vergara), enquanto Mitchell e seu parceiro, Cameron (Eric Stonestreet), criam uma bebê vietnamita. Para críticos, o sucesso do programa está nessa união do tradicional com a diversidade encontrada nos personagens.

Modern Family foi apontada como o marco desse retorno das comédias à TV. “Modern Family está no centro de tudo isso simplesmente porque é excelente”, disse Jennifer Salke, presidente da NBC Entertainment em uma entrevista recente ao jornal The New York Times sobre o retorno das grandes comédias.

 
Paul Lee, chefe de entretenimento da ABC, emissora que exibe a série nos EUA, também acredita que Modern Family não só trouxe as grandes comédias de volta, como “elevou o gênero”. 

Já o veterano Warren Littlefield, ex-chefe de programação da NBC, disse ao jornal que a série de Lloyd e Levitan está desempenhando o mesmo papel que The Cosby Show, de 1984, a primeira série com um elenco negro na TV americana, com o mestre da comédia Bill Cosby, ao “examinar a família, mas nesse caso é uma família que nunca vimos antes”.

Um lugar ao sol para os perdedores

Nessas famílias que nunca vimos antes, o perdedor não é um tipo em extinção. Ele parece se proliferar cada vez mais. Nesse quesito, The Middle é quase insuperável.

 
A trama gira em torno de família de Mike e Frankie, que têm três filhos, os perdedores da situação: Axl, o filho adolescente seminudista concebido ao som de Guns N' Roses; Sue, a adolescente esquisita que falha em tudo que tenta fazer; e Brick, o garoto de sete anos cuja melhor amiga é sua mochila de escola.
 
Elenco de The Middle
 
Homer Simpson, o chefe da família Simpsons, é um dos perdedores mais adorados da TV. Com recorde de 23 temporadas na televisão, eles se tornaram a família americana mais popular do mundo.

Jimmy Chance, o jovem de 23 anos protagonista de Raising Hope também não foge à risca. Leva uma vida sem grandes emoções até conhecer uma mulher pela qual se apaixona, mas ela acaba presa e mais tarde da à luz um filho seu. Resultado? Toda a rotina da família sofre mudanças para cuidar do bebê. 

Desajustados e o surreal

Shameless, Weeds e Desperate Housewives são séries que deixam seus desajustados à beira do surreal. Uma das séries mais comentadas deste ano na TV americana, Shameless (exibida no Brasil pelo canal I-sat) deu o que falar reunindo cenas de nudez gratuita, consumo de drogas e relações sexuais entre menores, sendo uma das principais séries de comédia de humor negro da atualidade.

 
A história é simples: Frank (Oscar William H. Macy), um alcoólatra inveterado, tenta criar seis filhos com ajuda da filha mais velha, que se divide em três empregos.

Weeds dispensa apresentações. É a série onde uma mãe, Nancy (Mary-Louise Parker), resolve vender maconha para criar os filhos (três ao todo, e de pais diferentes). Já Desperate Housewives mostra os relacionamentos conturbados nas famílias de quatro moradoras da rua Wisteria Lane, um lugar que esconde segredos, traições e mortes. Agora, as duas séries protagonizadas por mulheres caminham para o fim, provavelmente com um final mais próximo do tradicional. Afinal, até os desajustados querem finais felizes.

 
Os desajustados do passado
Chaparral (1967 e 1971) : série criada por David Dortort, o mesmo de Bonanza.
É tida como uma das primeiras produções a apresentar uma família disfuncional nas séries de TV. Outras na linha família fora do eixo também deixaram saudade recentemente:
 
Married With Children (1987-1997): a trupe dos Bundy era formada por Al Bundy, um fracassado vendedor de sapatos, sua mulher Peggy, uma dona de casa nada proativa, Kelly, uma filha patricinha vivida por Christina Applegate, e o filho Bud, um garoto sem presente nem futuro.
 
Malcolm in the Middle (2000-2006) : Malcolm (Frankie Muniz) é um pequeno gênio nascido em uma família problemática.
 
No Ordinary Family (2010-2011) : algo como Os Incríveis na TV, a série gira em torno de uma família disfuncional que, após um acidente de avião, ganha superpoderes. Apesar da irreverência, foi cancelada após o primeiro ano.
 
 
 
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