Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 16.11.2012 16.11.2012

Com final duplo, saga Crepúsculo chega ao fim dando sequência ao sucesso do formato “filmes em série”

Por Andréia Silva
 
Encerrar uma saga nos cinemas não é tarefa fácil. Depois de arrebatar fãs em todo o mundo, espera-se que essas sequências, sempre envoltas em orçamentos milionários, cheguem ao fim agradando a estúdios, fãs e, claro, aos autores das histórias.
A próxima produção a passar por esse teste é Amanhecer – Parte 2, a parte final da saga Crepúsculo, após quatro longas. Há quem questione se dividir a última parte da história foi uma boa escolha. Mas para quem leu toda a narrativa, escrita por Stephenie Meyer, o excesso de acontecimentos merecia um final dividido.
"Li todos os livros e achei melhor a parte final ser dividida em duas porque, além de Amanhecer ser o maior livro dos quatro, os livros têm muitos detalhes que acabaram passando, principalmente no primeiro filme, que, para mim, parece um videoclipe", diz a designer Elisa Almeida, 30.
Para o diretor e roteirista Thiago Assunção, 33, que trabalha com curtas-metragens e publicidade, a questão na maior parte dessas produções é pensar se há história para ser contada em mais de uma parte.
"Essas produções lidam com questões maiores, lançam produtos, ídolos e conquistam público em todo o mundo. Isso por si só já é um motivo para prolongar as histórias. Mas é preciso ter o que contar. Há casos em que você consegue contar em um longa-metragem uma história baseada em dois livros. Fazer um filme por fazer pode ser um tiro pela culatra. O custo de decepcionar centenas de fãs, já conquistados pelos livros, pode ser alto", afirma Assunção.
Esse formato de filmes em série sempre viveu um boom. Entre eles, estão clássicos como Poderoso Chefão e Guerra nas Estrelas, filmes de super-heróis como Superman e Batman. Até chegar à atualidade, tempo de sagas inspiradas em obras literárias, como os sucessos recentes de Senhor dos Anéis e Harry Potter. A lista é das grandes.
Há produções cujas sequências passam de uma trilogia, como 007, Pânico, Piratas do Caribe, a própria saga Crepúsculo, entre outros. Nesses casos, Assunção diz que "um roteiro consistente" é o que dá "sobrevida à história".
 
O ator Christian Bale como Batman
"São casos e casos. 007, por exemplo, é um personagem que vem sendo bem adaptado e apresentado às novas gerações. Nesse sentido, melhor do que ver um filme feito uma década antes, é ver o personagem com uma roupagem atual. Isso faz com que ele ganhe cada vez mais público. Batman é outro sinônimo de sequências bem sucedidas", completa o diretor.
De modo geral, o diretor diz não enxergar regras para que uma sequência tenha ou não sucesso. “O segredo é uma boa história, bons personagens e um bom roteiro. Mas essas são partes cruciais para qualquer filme, tenha ele continuação ou não”.
“No caso do Crepúsculo, achei que os filmes foram melhorando. A maioria das pessoas que assiste sem ler o livro vê o primeiro filme como muito artificial, pois tudo acontece voando. Nos outros filmes, já existe um cuidado maior, mais detalhes", diz Elisa ao justificar um final em duas partes. Entre suas trilogias preferidas, ela cita Toy Story, Star Wars, Madagascar, O Poderoso Chefão e A Trilogia das Cores.
"Toy Story é um desses cases de sucesso. Primeiro longa de animação da Pixar, tem três filmes ótimos, cuja história não perde ritmo”, diz Assunção. “É um desses filmes que todos estão esperando pelo quarto longa”.
 
Cena da animação Toy Story 3
A mudança de protagonistas é outro item que faz o resultado de produções em série oscilar. "Homem-Aranha, por exemplo, na minha opinião, ainda não encontrou seu interprete perfeito. Ao contrário de Batman e Superman, que tiveram mais de um ator dando vida ao papel com muita personalidade, como Michael Keaton e Christian Bale [como Batman], e Christopher Reeve [Superman]. As animações têm esse detalhe a favor, já que a cara dos personagens não muda", comenta Assunção.
As próximas produções a beberem da fonte das sequências e adaptações são a trilogia Jogos Vorazes, cujo primeiro longa estreou neste ano, e a adaptação do livro O Hobbit – que, inicialmente programada para ser adaptada em dois filmes, já teve sua terceira parte confirmada para 2014.
De olho nesse filão, a série Cinquenta Tons de Cinza, best-seller erótico, é cotada para ter seus três volumes levados ao cinema. Claro, em três partes.
Além desses, Homem de Ferro 3, com estreia marcada para abril de 2013 no Brasil, vai tentar recuperar a franquia, com a popularidade de Robert Downey Jr. em alta e Shane Black à frente da direção.
AS FRANQUIAS DA SAGA EM NÚMEROS
Crepúsculo – O primeiro filme foi lançado em 20 de novembro de 2008. Com um orçamento de US$ 37 milhões, teve arrecadação mundial de US$ 392,6 milhões.
Lua Nova – Lançada em 20 de novembro de 2009, a segunda parte da saga teve um orçamento de US$ 50 milhões e arrecadação mundial de US$ 709,8 milhões.
Eclipse – Lançado em 30 de junho de 2010, teve orçamento de US$ 68 milhões e sua arrecadação mundial foi de US$ 698,4 milhões.
Amanhecer – Parte 1 – Lançado em 18 de novembro de 2011, teve orçamento de US$ 110 milhões e arrecadou US$ 705 milhões.
 
 
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