Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 07.02.2013 07.02.2013

Clássicos que nunca ganharam o Oscar

Por Edu Fernandes
 
A lista de indicados à 85ª edição do Oscar foi anunciada no começo de janeiro e, até a cerimônia de entrega das estatuetas no dia 24 de fevereiro, o que não faltam são especulações e apostas. Tudo aponta para uma disputa polarizada entre os dois filmes com mais indicações: Lincoln (Steven Spielberg), que concorre a 12 troféus, e as Aventuras de Pi (Ang Lee), com 11 chances.
No Globo de Ouro, que serve como termômetro para os gostos de Hollywood, cada um foi laureado uma vez este ano. Daniel Day-Lewis levou o prêmio de melhor ator pelo papel-título de Lincoln, enquanto As Aventuras de Pi  foi premiado pela trilha musical.
Quando se acompanha o histórico do Oscar, fica claro que ter numerosas indicações não significa necessariamente que o filme será premiado. Muitas vezes, uma produção concorre em várias categorias, mas não consegue levar para casa uma estatueta sequer.
No ano passado, essa sina foi partilhada por O Homem que Mudou o Jogo e Cavalo de Guerra, cada um com seis indicações. Os recordistas nesse quesito são A Cor Púrpura (1985) e Momento de Decisão (1977), que concorriam a 11 estatuetas e foram para casa de mãos abanando.
 
Dessa maneira, filmes como O Lado Bom da Vida (David O. Russell) e Amor (Michael
Haneke), que também concorrem em 2013, com 8 e 5 indicações, respectivamente, podem passar em brancas nuvens, apesar de cada um já ter levado um Globo de Ouro. Em um primeiro olhar, Amor é o favorito na categoria de filme estrangeiro, já que também está indicado a outros quatro prêmios. No entanto, quando isso acontece no Oscar, o vencedor entre as produções estrangeiras é outro. Foi o que ocorreu nos últimos anos com O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (2001), com quatro indicações e nenhum Oscar, e O Labirinto do Fauno (2006), vencedor de três troféus e perdedor entre os estrangeiros.
 
Lincoln: o campeão de indicações em 2013
 
A VISÃO DOS ESPECIALISTAS
 
Em 2012, o crítico de cinema Christian Petermann participou de um evento em São Paulo no qual comentava o Oscar nos intervalos da transmissão da cerimônia. Ele conversou com o SaraivaConteúdo sobre as injustiças cometidas. 
 
“O Oscar registra mais o ‘calor do momento’ em seu cerimonial, com agradecimentos, rápidos discursos e manifestações do host, do que a premiação em si”, disse.
O apresentador de televisão e crítico de cinema Celso Sabadin tem uma opinião mais incisiva sobre o assunto. “O Oscar é a praia do marketing, da promoção e da indústria. Foi uma festa criada para promover a indústria cinematográfica dos EUA nos anos 20.”
Para Petermann, a idade dos votantes é um dos empecilhos para que o Oscar faça justiça a filmes mais ousados. “Com isso, pode-se explicar a conjuntura que levou, a cada ano, mestres absolutos como Alfred Hitchcock e Stanley Kubrick a nunca conquistarem um Oscar de direção.”
 
Há também casos de figuras que não são muito queridas pela Academia. Por essa razão, por mais que faça papéis dramáticos elogiados pelos especialistas, Jim Carrey ainda não foi indicado ao Oscar. Foi esse o motivo pelo qual Charlie Chaplin só recebeu um Oscar na maturidade, pelo conjunto da obra. A escolha do Oscar é feita em muitas etapas. 
 
Primeiramente, produtores e distribuidores fazem a inscrição de seus filmes na Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (Hollywood). A partir daí, a Academia organiza uma lista com todos os longas inscritos e a envia aos seus membros para uma pré-seleção. Nesta fase, só podem votar os membros que trabalham na categoria na qual o filme foi indicado. Em seguida, anuncia os indicados para as categorias mais populares. Assim, as cédulas voltam para as mãos de seus integrantes, que decidem os vencedores. Todos os membros da academia votam. São quase 6.000 membros da Academia, entre atores, produtores, fotógrafos, montadores, executivos, diretores de arte, editores de imagem e som, relações públicas e músicos.
 
GÊNIOS À MARGEM DO OSCAR
 
Há ainda os filmes que não são citados na lista de indicados. Em 2012, a ausência mais sentida na premiação foi de J. Edgar. Esperava- se ao menos uma chance na categoria de maquiagem, mas o longa foi totalmente esquecido pela Academia. Na edição 2013, alguns especialistas sentiram a falta de A Viagem, principalmente em categorias técnicas. 
 
O Lado Bom da Vida: 8 chances em 2013
 
Entre as injustiças cometidas contra Charlie Chaplin, está a total ausência de indicações a Luzes da Cidade e Tempos Modernos. O cineasta é definido como “um artista precursor, importante empresário do ramo, extremamente popular com o público (quando Carlitos), com vasta filmografia”, afirma Christian Petermann. Mesmo assim, não foram motivos suficientes para ser reconhecido pela direção de algum filme em particular. 
 
Em 1972, a Academia resolveu compensar essa dívida e dedicou um prêmio honorário ao cineasta. Quando foi receber a láurea, depois de uma longa ovação com toda a plateia de pé, Chaplin afirmou: “Muito obrigado. Esse é um momento emotivo para mim, e as palavras parecem tão fúteis, tão inúteis. Só posso agradecer pela honra de me convidarem para cá”. Outro grande nome que teve de se contentar com o prêmio de conjunto da obra foi Alfred Hitchcock, indicado e derrotado em cinco ocasiões como diretor. “A não-láurea de direção pode sugerir preconceito implícito com um cineasta que trabalha prioritariamente com o cinema de gênero, em especial o suspense policial”, analisa Petermann. 
 
Um terceiro injustiçado é Stanley Kubrick, que só teve um Oscar em toda sua vida, pelos efeitos visuais de 2001 – Uma Odisseia no Espaço. Assim, para afinar as apostas sobre os ganhadores do Oscar 2013, o cinéfilo não pode levar em conta apenas o que ele viu nas salas de projeção. Com tantos fatores fora do campo cinematográfico, acertar os nomes dos vencedores é um trabalho de dedução mais complexo. As apostas estão abertas!
 
GRANDES NOMES “ESQUECIDOS” PELO OSCAR
por Christian Pettermann  e Celso Sabadin 
 
DIRETORES:
Brian De Palma, Christopher Nolan, David Lynch, Federico Fellini, François Truffaut, Ingmar Bergman, Orson Welles, Ridley Scott, Robert Altman, Spike Jonze, Spike Lee, Tim Burton
 
ATORES:
Brad Pitt, Clint Eastwood, Donald Sutherland, Gary Oldman, Johnny Depp, Leonardo DiCaprio, Liam Neeson, Nick Nolte, Peter O’Toole, Ralph Fiennes, Richard Burton, Robert Downey Jr., Robert Redford, Vincent Price
 
ATRIZES:
Annette Bening, Charlotte Gainsbourg, Deborah Kerr, Glenn Close, Greta Garbo, Julianne Moore, Judy Garland, Kathleen Turner, Kirsten Dunst, Lauren Bacall, Mia Farrow, Salma Hayek
 
*Matéria originalmente publicada no Almanaque Saraiva, edição 81 – Fevereiro de 2013.
 
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