Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 30.11.-0001 30.11.-0001

Cineastas brasileiros da nova geração seguem a profissão dos pais

Por Edu Fernandes

No dia 6 de julho, estreia comercialmente o filme Histórias que só Existem Quando Lembradas, depois de o título trilhar uma carreira vitoriosa em festivais de cinema. O longa é o primeiro dirigido por Júlia Murat.

A trama explora a relação entre duas mulheres. Rita (Lisa Fávero, de Nosso Lar) é uma fotógrafa jovem que chega a um vilarejo habitado apenas por idosos. Lá, ela se instala na casa de Madalena (Sonia Guedes, de Poder Paralelo), que acorda toda madrugada para fazer pães que serão vendidos na mercearia local. Diariamente, Madalena caminha até a porta do cemitério fechado que fica perto de sua casa.
“O filme discute a questão ética do indivíduo na sociedade”, disse Júlia Murat em entrevista ao SaraivaConteudo. “A Madalena não pode exercer sua vontade individual”.
Júlia é filha da diretora Lúcia Murat (Uma Longa Viagem) e a ideia original para Histórias que só Existem… surgiu enquanto ela trabalhava com sua mãe. “A história do filme começou em 1999, quando eu estava filmando Brava Gente Brasileira – eu era assistente de direção”, afirma. “Tinha um cemitério fechado perto da locação, e a ideia de que você não pode morrer em sua terra natal me deixou inquieta”.
Quanto à influência do trabalho de sua mãe sobre sua escolha profissional, Júlia relembra do passado. “É claro que estar em um set aos 8 anos influencia quando você vai fazer um filme aos 30”, confessa.
 
Em Uma Longa Viagem, último filme de Lúcia Murat, Júlia ficou responsável pelas projeções dos filmes de arquivo. “A minha mãe permitiu que eu experimentasse tudo em cinema”, relata. “Fiz parte de várias áreas técnicas em um set”.
A jovem cineasta garante que os laços de família não trazem apenas facilidades. “Minha mãe odeia a ideia de estar me privilegiando, mas eu me cobro mais o tempo todo”, disse. “É óbvio que tem um grande incômodo no set, e eu preciso me esforçar para ganhar a confiança de todos”.
”Os nossos filmes são muito diferentes entre si, e as pessoas precisam rebolar para comparar nossos trabalhos”, relata. “Essa pressão vai sempre existir. Ninguém mandou eu seguir essa carreira – especialmente a minha mãe”.
Assunto de família
Se Júlia não hesitou em seguir os passos da mãe, Caru Alves de Souza, a princípio, evitou ser cineasta. Ela é filha de Tata Amaral (Antônia) e Francisco César Filho (Panorama Histórico Brasileiro). “Nunca pensei em seguir a profissão de meus pais, pois achava importante seguir meu próprio caminho. Então, fiz faculdade de História”, disse. Caru conversou com o SaraivaConteúdo durante o Olhar de Cinema, festival dedicado à sétima arte que aconteceu em Curitiba (PR). Assunto de Família, dirigido por Caru, foi premiado como melhor curta nacional durante o evento.
 
Caru Alves de Souza agradece ao prêmio recebido
no Olhar de Cinema por Assunto de Família
Caru logo percebeu que não conseguiria ficar longe das câmeras cinematográficas.“Fundei uma produtora com minha mãe logo depois de me formar”, relatou.
Para o futuro, Caru prepara o longa Sonhos de Rossi, “um desdobramento de um dos personagens de Assunto de Família”. Contudo, a estreia dela em longas acontece em De Menor, cujas filmagens terminaram no começo do ano.
Potencial reconhecido
A Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) elegeu como melhor filme nacional de 2011 o longa Traseunte. O título é dirigido por Erik Rocha, filho de Glauber Rocha (Terra em Transe).
Erik conversou com o SaraivaConteúdo durante o Nossas Américas Nossos Cinemas, encontro de realizadores latino-americanos sediado em Sobral (CE). “Meu pai é uma inspiração na minha vida, mas também é uma provocação”, disse.
A grandeza do nome de Glauber é usada por Erik para afastar a pressão. “Meu pai é pai de muita gente, então a influência dele transcende a figura paterna”.
Assista ao trailer de Histórias que só Existem Quando Lembradas:
 

 
 
Recomendamos para você