Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 20.06.2013 20.06.2013

Cinco coisas para você entender melhor a dinâmica das séries dos EUA

Por Willians Glauber
 
Para a temporada 2013/2014, os canais abertos e a cabo da TV estadunidense já começaram as produções dos pilotos de novas séries. Haverá muitas delas para você começar a acompanhar desde o primeiro momento.
 
Só na TV aberta, serão 49 novas séries saindo do forno, 21 comédias e 28 dramas, sem contar os pilotos dos canais a cabo. Mas da produção de um piloto à sua transmissão e encomenda de uma temporada completa, as séries precisam mostrar a que vieram e apresentar no mínimo boa audiência.  
 
Produções que estrearam recentemente nos EUA, como The Americans, The Following, Da Vinci’s Demons, Bates Motel e Vikings, ganharam uma segunda temporada antes mesmo de chegarem à metade da primeira. Sinal de que têm grande potencial e conquistaram o público rapidamente.
 
A dinâmica das produções seriadas na televisão dos EUA inspira a forma como as séries nacionais para canais a cabo estão sendo estruturadas – um jeito de fazer TV que nada tem de novo.
 
“Desde o século XIX o público consome esse tipo de produção. O formato seriado de contar histórias vem do folhetim, estrutura essa mais do que consagrada e firmada na literatura mundial”, explica a jornalista Daiana Sigiliano, que se dedica à pesquisa em fenômenos da Cultura da Convergência, Social TV e Second Screen.

 
OS PILOTOS
 
As emissoras de TV encomendam determinadas produções para diretores, roteiristas e produtores. Os canais sugerem ou pedem ideias de novas séries, boas o suficiente para conquistar a audiência necessária e ganhar um lugar fixo na grade de programação.
 
Essas ideias saem do papel e se transformam em episódio-piloto, que pode ser o primeiro de uma futura temporada caso o canal decida levar a produção adiante. Muitas vezes, depois de assistidos, os pilotos passam por ajustes ou até são filmados de novo, para assim terem uma chance de ir ao ar. Essas encomendas começam a ser feitas entre dezembro e janeiro.
 
SHOWRUNNER: O TODO PODEROSO
 
Quando a ideia surge da mente mirabolante de algum roteirista ou diretor, pode ter certeza de que ele será o produtor executivo da série e o “showrunner” – o que quer dizer que ele decidirá os rumos da história e que nada poderá acontecer na série sem antes passar por seu crivo. 
 
Atualmente, um dos principais Showrunners da televisão estadunidense é Ryan Murphy. Ele possui três produções distintas em três canais diferentes e já recebeu a encomenda de um novo piloto para a HBO. Da cabeça dele nasceu a série musical Glee, que trouxe à tona um novo jeito de fazer TV.
 
Além de Glee, o Showrunner Ryan Murphy também criou e lidera mais duas séries em outros canais: The New Normal e American Horror Story

 

NADA DE MONOPÓLIO

 
Nos EUA, a produção das séries não necessariamente fica a cargo dos canais que as transmitem; na verdade, é raro isso acontecer. Elas geralmente são produzidas por um determinado estúdio e transmitidas por uma emissora que nada tem a ver com a produção. A comédia Modern Family, por exemplo, passa no canal ABC e é produzida pela 20th Century Fox Television. 
 
A comédia de sucesso Modern Family é produzida e distribuída pela Fox e transmitida pelo canal ABC, nos EUA
 
EPISÓDIOS E TEMPORADAS
 
Depois que a série conseguiu sair do papel, ganhar um piloto e ser produzida para transmissão na TV, começa um segundo roer de unhas: ela manterá audiência suficiente para ganhar uma temporada completa?
 
As temporadas na TV aberta geralmente são compostas de 22 episódios, podendo até atingir os 24. Os dramas têm duração de 1 hora com intervalos, e as comédias duram 30 minutos, também contando os comerciais.
 
Nos canais a cabo, as coisas funcionam de modo diferente: por terem um orçamento menor, essas emissoras preferem investir em menos episódios. Dramas e comédias tendem a ser mais longos que na TV aberta e, em média, duram apenas dez semanas.
 
“Por apresentarem apenas um episódio por semana, as séries têm mais chances de trazer coesão no texto e também mais capricho nos efeitos. Algumas séries têm episódios dignos de cinema”, comenta Caio Fochetto, um dos criadores do site Box de Séries e colunista do site Papel Pop.
 
The Walking Dead é uma série de TV a cabo nos Estados Unidos que faz mais sucesso do que muitas produções de canais abertos
 
Muitas vezes, as produções para a TV a cabo têm muito mais complexidade técnica e artística que as da rede aberta (e fazem até mais sucesso). Basta tomar como exemplo superproduções como Game of Thrones e Defiance – ambas de canais a cabo – e outras séries que se tornaram hits, como The Walking Dead
 
MESES DE OURO
 
O período mais importante, em que os canais mais investem nas produções com grandes chances de virar sucesso, é o chamado Fall Season, que compreende o intervalo de setembro a maio. Boa parte dos pilotos encomendados no início do ano tem a estreia marcada justamente para esses meses.
 
Caso os episódios encomendados não mostrem boas audiências, o próximo passo a ser dado pelo canal é o cancelamento, o que significa que a série não terá chance de ter uma temporada completa – e só serão exibidos os episódios já produzidos até aquele momento.  
 
Os canais a cabo preferem fazer suas grandes estreias longe desses meses, para não competir com as séries da TV aberta. Novas temporadas e pilotos com boas chances de emplacar aparecem nas grades dos canais por assinatura entre junho a agosto, quando as produções das emissoras abertas estão “de férias”.
 
 
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