Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 02.12.2014 02.12.2014

Cinco autores para ler se você gosta de Neil Gaiman

Por Andréia Martins

Lugares escuros, seres fantásticos, famílias misteriosas que vivem na floresta, fábulas infantis dark, deuses desconhecidos, punk rock, ficção científica e a Londres vitoriana. O britânico Neil Gaiman já usou todos esses temas em suas histórias.

Este ano mesmo, o público brasileiro pode ver diferentes facetas de Gaiman com o relançamento de Violent Cases (Aleph); a publicação de uma edição definitiva de Sandman e de um livro ilustrado, Faça Boa Arte, inspirado num discurso feito pelo escritor em uma universidade; e um conto baseado no protagonista da série de TV Doctor Who na coletânea Doctor Who: 12 Doutores, 12 Histórias (Rocco).

Agora ele também participa do recém-lançado As Boas Fadas de Nova York, de Martin Millar, assinando o prefácio. Aproveitando o lançamento, listamos alguns autores que se aproximam do universo e da temática dos livros de Gaiman e que seus leitores não vão se arrepender de conhecer.

MARTIN MILLAR

As Boas Fadas de Nova York (Edições Ideal) é o primeiro livro de Martin Millar a ganhar uma edição brasileira. Publicada em 1992 no Reino Unido, a obra conta a história de Dinnie, o pior violinista de Nova York, que tem o apartamento invadido por duas fadas da Escócia, Heather e Morage. Banidas do seu país, elas se envolvem em muitas confusões na nova cidade enquanto tentam voltar para casa.

O autor é conhecido pelas referências ao mundo pop e ao submundo, bebe do realismo mágico e adora criar personagens com aspectos sobrenaturais. O que podemos chamar de uma “literatura de fantasia underground”. Com a série Thraxas, composta por nove livros e escrita com o pseudônimo de Martin Scott, venceu em 2000 o World Fantasy Award, um dos mais importantes prêmios literários de ficção.
 
“Não entendo a razão pela qual Martin Millar não é tão exaltado quanto Kurt Vonnegut, tão rico quanto Terry Pratchett, tão famoso quanto Douglas Adams. Mas o mundo é cheio de mistérios”, escreve Gaiman no prefácio.
 
CHINA MIÉVILLE
 
Da mesma geração de Gaiman, esse britânico de 42 anos já se tornou um queridinho de críticos e, claro, leitores. Segundo Gaiman, faz o que se chama de “ficção do novo século”. Miéville é escritor, acadêmico e quadrinista. Gosta de dizer que faz ficção "new weird". Seu primeiro livro foi King Rat (1998), que ganhou uma versão brasileira intitulada Rei Rato (Tarja Editorial).
 
Na sequência, ele emplacou sua série dentro do universo Bas-Lag com os títulos Perdido Street Station (2000), considerado um clássico cult, The Scar (2002) e Iron Council (2004), todos lançados no Brasil em sua língua original. Outro destaque é Un Lun Dun, livro de fantasia para o público jovem escrito em 2007 e que muitos relacionam com Lugar Nenhum, de Gaiman, por também ter como cenário uma cidade abaixo de Londres.

Em 2014, a obra A Cidade & a Cidade, de Miéville, foi publicada no Brasil pela Boitempo. Trata-se de um thriller policial e de ficção científica que tem como palco uma cidade dividida em duas e que discute também como vivemos e vemos o nosso cenário urbano.
 
Martin Millar e China Miéville

 
MIKE CAREY
 
O cinquentão Mike Carey é conhecido por quem acompanha seu trabalho no mundo dos quadrinhos no selo Vertigo, da DC Comics. Mas a faceta de escritor de romances de ficção – ou biografias, como a de Ozzy Osbourne e da banda Pantera – é pouco comentada. Agora, os leitores brasileiros terão a oportunidade de conhecer esse lado do autor inglês com a chegada de A Menina que Tinha Dons (Rocco).
 
O livro publicado este ano no Reino Unido é um thriller de horror que acontece em um futuro distópico. A maioria da humanidade foi exterminada e um grupo de crianças vive confinado numa base militar. No entanto, embora as crianças tenham se tornado zumbis, elas mantêm uma aparência normal e podem pensar, falar e aprender.
 

EMMA BULL

 
Emma Bull não é tão falada quanto deveria. O destaque é seu romance War of the Oaks, de 1987, considerado o livro pioneiro na chamada “fantasia urbana", ou seja, embora haja um mundo criado, a definição da história acontece no mundo real.
 
No livro, a cantora de rock Eddi McCandry vê sua vida mudar quando é convocada para uma guerra de fadas e deve usar seus talentos musicais para derrotar seus inimigos.
 
Uma curiosidade: mais jovem, Emma montou um duo de folk com Lorraine Garland, que mais tarde se tornou a assistente pessoal de Gaiman – que escrevia músicas para a dupla. Sobre War of the Oaks, Gaiman teceu um único comentário, estampado na capa das edições mais recentes do livro: "Emma Bull é muito boa". Suficiente para um fã, certo?
 
Mike Carey e Emma Bull

 
BRANDON SANDERSON

O escritor norte-americano de fantasia e ficção científica fez sucesso com a trilogia Mistborn, que no Brasil teve seu primeiro volume publicado, Mistborn – Nascidos da Bruma: O Império Final (Leya), sobre um mundo que precisa se reerguer após ser destruído em uma catástrofe em decorrência da falha de um herói.

Depois da trilogia, Sanderson escreveu romances mais jovens, como a série Alcatraz, que no Brasil teve dois volumes publicados: Alcatraz Contra os Bibliotecários do Mal e Alcatraz Contra os Ossos do Escrivão, ambos pela Benvirá. Para o público mais adulto, criou as coleções de fantasia War of Kings e The Stormlight Archives, ainda inéditas no Brasil.
 
O escritor norte-americano Brandon Sanderson

Por aqui, você também pode encontrar o livro de estreia do autor, Elantris (Leya), sobre uma cidade dos deuses que vê a benção que transformava as pessoas em semideuses se reverter, transfigurando os seus moradores em seres sem vida e sentidos próprios.
 
 
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