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Chico César revisita o passado e lança CD e DVD com canções do álbum ‘Aos Vivos’

Por Daniela Guedes
 
Recordar é viver, diz um ditado pra lá de popular e neste caso, recordar é viver bem e muito bem, diga-se de passagem. É o que o cantor e compositor Chico César faz no CD e DVD Aos Vivos Agora (Biscoito Fino e Chita Discos) que ele acaba de lançar revisitando o primeiro trabalho da sua carreira, o CD Aos Vivos (1994).
"Aos Vivos é meu primeiro CD gravado ao vivo com voz e violão, lançado há 16 anos pela gravadora Velas (de Ivan Lins e Vitor Martins). Agora lanço o DVD desse álbum que me mostrou primeiro à cena alternativa de São Paulo e, alado, voou Brasil adentro e mundo a fora”. Explica Chico César.
“Quando gravei este disco o suporte DVD estava apenas começando e era algo mais para filmes. O suporte audiovisual para música ainda eram os vídeos e só trabalhos estabelecidos tinham esta primazia. Então eu, artista iniciante, não podia nem pensar em fazer este tipo de registro. Lançar um primeiro disco por uma gravadora já foi uma dádiva”. Continua.
Seguindo a receita do primeiro Aos Vivos, o qual foi gravado em três noites no outono de 1994 na Funarte, em São Paulo e lançado nacionalmente um ano depois em 1995. Aos Vivos Agora também levou três noites para ficar pronto. Tomou a forma final no centro de Sampa, mais precisamente no Teatro FECAP, na Liberdade, nos dias 2, 3 e 4 de setembro de 2011. Para ser lançado finalmente, agora em 2012.
Alguns fãs podem se perguntar se a idéia de regravar o primeiro trabalho da carreira, por acaso teria a ver com um show apresentado há três anos em um projeto especial da Virada Cultural de São Paulo, na ocasião, dedicado a discos clássicos. Naquele evento Chico estava acompanhado por Michael Ruzitschka, violonista e guitarrista austríaco fazendo exatamente a mesma função que no disco Aos Vivos foi feita por Lenine e Lanny Gordin.
“Essa foi uma noite mágica, inesquecível para mim. Ali tivemos, por exemplo, Arrigo Barnabé com seu "Clara Crocodilo". E depois vieram me contar que as pessoas na fila do Teatro Municipal ficavam tocando violão e cantando as músicas do Aos Vivos na seqüência do disco. Foi muito bonito mesmo. Aquela apresentação mostrou para mim que havia um carinho especial do público e que essa obra, além de ter vida longa, proporciona um lugar especial para mim e para meu trabalho. Mas, na verdade, a proposta de fazer um DVD do meu primeiro disco veio da própria gravadora Biscoito Fino, através de Joana Hime”. Esclarece o músico.
 
Capa do novo trabalho de Chico César
O repertório continua o mesmo, mas vale ressaltar a inclusão de uma versão blues para "Dor Elegante", de Itamar Assumpção e Paulo Leminski. "Paula e Bebeto" de Caetano Veloso e Milton Nascimento e "Fé Cega, Faca Amolada" de Milton Nascimento e Ronaldo bastos também entram como bônus. Com relação às parcerias, aí tivemos alteração sim. No lugar do guitarrista Lanny Gordin entra Dani Black, cantor e compositor paulista e, para quem não sabe filho dos cantores Tetê Spíndola e Arnaldo Black.
 
“Dani cresceu ouvindo o Aos Vivos e eu fui seu baby sitter e de sua irmã Patrícia inúmeras vezes quando seus pais, meus parceiros Arnaldo e a Tetê saíam para ir ao cinema ou visitar amigos”, confessa Chico.
 
Dani acabou sendo premiado. Como na época do primeiro Aos Vivos era muito pequeno para entrar nos shows, dezesseis anos depois o próprio assume as vozes em “Dança” e em “À Primeira Vista” e os violões e as guitarras que foram de Lanny Gordin e Lenine na gravação do primeiro disco. A escolha foi bem sucedida, pois é clara a influência do som de Lenine na música de Dani.
 
“É muito emocionante que 16 anos depois eu tenha a oportunidade de, enfim, assistir a esse show. E agora de cima do palco, tocando com ele essas mesmas músicas que eu tanto ouvia e podendo por um pouco da minha digital nesse trabalho que pra mim é tão intimo e marcante”. Diz um agradecido Dani Black.
E sobre as parcerias que tornaram o sonho da gravação de um disco em realidade? Segundo o próprio Chico César, Egídio Conde, do Audiomóbile, um dos principais responsáveis pela existência do CD Aos Vivos por ceder naquela época o estúdio para gravar vozes e violões e, por ter de certa forma encorajado o artista a fazer um disco ao vivo, tornou-se desde então um parceiro para a vida toda, chegando a conceber inclusive o estúdio pessoal de gravação e ensaio do músico. “Além de gravar o Aos Vivos, foi ele que fez a ponte com a gravadora Velas na época e com outras que não se interessaram pelo disco”. 
“O seu Estúdio Audiomóbile era uma Kombi na época. Hoje são caminhões super equipados que viajam pelo país inteiro para registrar discos e DVDs dos mais variados artistas. Sem nenhuma presunção, creio que o Aos Vivos trouxe de volta a atenção de muitas pessoas para o Lanny Gordin. Para fazer justiça mesmo, esse movimento começou um pouco antes com a participação dele em alguns shows meus em Sampa e a gravação do primeiro CD da cantora paulistana Vange Milliet, do qual participamos ele e eu”. Relembra Chico César.
Bem, para um cara que só queria tocar para um lado do Sesc Pompéia, pela metade. Nada mal, chegar onde está após 16 anos é realmente espetacular. Antes da regravação do CD e DVD Aos Vivos Agora Chico César gravou respectivamente o DVD e o CD, De uns Tempos Pra Cá (2007) com o Quinteto da Paraíba e Francisco, Forró y Frevo (2008). Ambos não chegaram a repercutir tão bem no mercado fonográfico.
Paralelo aos trabalhos como cantor e compositor, ele também passou a assumir, no inicio de 2011, a Secretária de Cultura do Estado da Paraíba a convite do antigo prefeito, Ricardo Coutinho, hoje governador do estado. E, mesmo em meio às controvérsias quanto à sua gestão, diante de tamanho compromisso, os shows do músico agora acontecem de preferência, aos finais de semana.
A direção artística e musical do novo trabalho fica a cargo do próprio músico, mas a direção do DVD é do Wiland Pinsdorf. E para os amantes do vinil, Aos Vivos Agora também ganhará edição limitada neste formato, prevista para agosto. “Eu não imaginava que o mundo fosse tão grande nem que a música que faço me levasse tão longe. Mas minha música se revelou mais popular do que eu imaginava. Hoje quero ser cada vez mais sincero, íntegro e livre com a música que faço e que ela continue sendo o meu elemento principal de conexão com o mundo, do que está dentro com o que está fora". Diz um esfuziante Chico César.
Ouvi-lo é voltar às origens celebrando a boa música, que em um primeiro momento totalmente despretensioso, acabou transformando algumas destas canções em clássicos da música popular brasileira.
 
 
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