Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Música 25.06.2014 25.06.2014

Celebrando a dança, Jorge Drexler grava seu álbum mais latino

Por Andréia Martins
A primavera está sendo generosa com Madrid (Espanha), comenta ao telefone o cantor e compositor uruguaio Jorge Drexler. Em mais um dia de entrevistas para falar de seu novo disco, Bailar en la Cueva, ele não parece cansado e se diz ansioso para retornar ao Brasil. “Talvez em novembro, mas ainda não está certo”, diz ele.
 
Bailar en la Cueva está sendo chamado por muitos de “um disco dançante”. Comentário que o uruguaio gosta de corrigir: “É o meu disco mais dançante, não um disco dançante”, diz ele, que no videoclipe da primeira música de trabalho, “Universo Paralelo”, mostrou seus dotes de dançarino ao lado de sua banda.
 
Fato é que Drexler, prestes a completar 50 anos, descobriu na dança um poder curativo, de união e libertação. Por isso, afirma que desta vez o disco nasceu “pelos pés”, e não pelo lado intelectual. Foi sobre essa celebração à dança, a mistura de ritmos latinos e parcerias que ele conversou com o SaraivaConteúdo na entrevista abaixo.
 
O que te deu esse start pra fazer um disco celebrando a dança? E além de ser o mais dançante de seus álbuns, pode-se dizer que Bailar en la Cueva é o mais latino?
 
Jorge Drexler. Você pode dizer as duas coisas. Eu percebo esse disco como a ampliação de dois territórios meus. Primeiro, o físico. É o primeiro disco que eu faço a partir dos pés. Tenho costume de fazer os discos a partir da cabeça, das emoções. Desta vez, se o disco não levasse ao movimento, a gente mudava de ideia. O segundo é a ampliação geográfica, antes de regional a nacional, e agora internacional. Hoje me sinto em casa não só em Madrid, mas em diferentes lugares.
 
O disco foi gravado entre Bogotá e Madrid. O que o levou à Colômbia?
 
Jorge Drexler. Gosto muito do momento que a Colômbia vive atualmente. O país conseguiu melhorar em diferentes aspectos – tinha uma das cidades mais perigosas do mundo. E encontrei também proximidade na forma de ver a música. Eles exploram a sonoridade contemporânea sem abandonar a raiz. Tocam o tambor, mas também usam samplers, entre outros. Poderia ter gravado esse disco no Brasil. Mas fui à Colômbia em busca desses elementos rítmicos. E também era um lugar mais desconhecido para mim.   
 
Conceber músicas para dançar mudou a sua forma de compor?
 
Jorge Drexler. Muda a forma de fazer os arranjos. Compor sempre será uma atividade mais solitária. Você não pensa no disco, pensa em colocar uma ideia no papel, depois no gravador e só depois monta o disco.
 
As canções não deixam de lado temas atuais. Em “Data Data” e em “La Plegaria del Paparazzo”, você versa sobre a era dos selfies e dos flashes invasivos. Você acha que estamos muito viciados nessa autopublicidade?
 
Jorge Drexler. Não procurei fazer uma crítica a esse novo paradigma da informação, onde se sabe pouco sobre muitas coisas. Digo simplesmente que nessa cachoeira [do excesso de informação], não tem como você beber um pouco de água e não ficar ensopado (risos). Mas não sou um crítico. Gosto dessa confusão. Sei que temos que ter disciplina para mergulhar em algumas coisas. Aliás, é isso: nem todos sabem mergulhar em uma coisa. Tem coisas que precisam dessa imersão. 
 
Você pode falar um pouco sobre a música “Bolívia” e de como se deu essa parceria com Caetano Veloso?
 
Jorge Drexler. Sempre quis que o Caetano cantasse uma canção minha, mas achei que era um sonho distante. Ele esteve em Bogotá para um show e, numa noite maravilhosa, um colombiano que eu não conhecia, mas a quem sempre vou agradecer, perguntou quando nós gravaríamos juntos. Ele mostrou interesse e eu também. Conversamos, enviei a música e gravamos “Bolívia”. O interessante é que a voz dele era a mais indicada para a música. Ela precisava de uma dramaticidade interpretativa que só Caetano tem.
 
Capa do novo disco de Drexler, Bailar en la Cueva
 
Você tem uma extensa lista de parceiros brasileiros – Moska, Ney Matogrosso, Arnaldo Antunes, Caetano… Agora, quem você gostaria que fosse o próximo?
 
Jorge Drexler. As parcerias acontecem afortunadamente. Você não planeja muito. É somente o acaso. A minha lista é grande. Vou deixar para o acaso decidir (risos).
 
O disco traz ainda participações de nomes como Bomba Estéreo, Ana Tijoux e Eduardo Cabra… Como você vê a integração musical entre os países latinos hoje?
 
Jorge Drexler. Acho que estão legais. Hoje, por exemplo, é muito mais fácil para um cantor equatoriano se apresentar em Lima (Peru) ou em Bogotá (Colômbia). Sinto-me feliz com minha conexão pessoal com o Brasil, mas entendo que sou uma exceção. Entre os latinos, é mais difícil para os que cantam em espanhol entrar no Brasil, mas no meu caso tive ajuda de nomes como Arnaldo Antunes, Moska, Simone e outros artistas.
 
E quando você trará o baile para o Brasil?
 

Jorge Drexler. Talvez em novembro, mas as datas não estão fechadas ainda. Quero retornar o quanto antes.

 
 
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