Bel Sanmax por Bel Sanmax Livros 07.11.2019 07.11.2019

Cecília Meireles e seu legado único na literatura brasileira

Cecília Meireles é um dos maiores nomes da literatura brasileira. Poeta, jornalista, escritora, professora e musicista, Cecília nasceu no dia 7 de novembro de 1901, na cidade do Rio de Janeiro. A infância de Cecília não foi fácil: quando ela nasceu, seus três irmãos haviam falecido ainda pequenos, seu pai morreu três meses antes de seu nascimento, e a mãe,quando ela tinha três anos.
Cecília foi criada pela avó portuguesa, que muito conservadora, não permitia que a menina brincasse com outras crianças além do horário escolar. Cecília, que mais tarde creditou seu amor pelo silêncio e solitude como características dessa vivência, era mais do que uma aluna exemplar: além de ser uma das melhores estudantes no quesito notas, ela se dedicava à arte, música e esportes, além das redações e poemas que já compunha.
Seu primeiro livro, Espectros, uma coletânea de poemas, foi lançado em 1919, quando ela tinha 18 anos. Cecilia começou a trabalhar como professora aos 16 anos, para alunos do curso primário.
Aos 21 anos, casou-se com o artista e designer gráfico Fernando Correia Dias, um português radicado no Rio de Janeiro. O casal trabalhava em sua arte em conjunto: ela escrevia, ele ilustrava, como nos livros Criança, Meu Amor (obra criada para enriquecer o ensino literário infantil) e Baladas para El-Rei. O casal teve três filhas: Maria Fernanda (que era atriz, e fez parte do elenco de muitas novelas da Rede Globo, como Roque Santeiro), Maria Elvira e Maria Matilde.
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Vida Espiritual e Política

Cecília admirava a filosofia chamada, na época, de “espiritualista”,  que deu origem a uma corrente literária, de mesmo nome, parte do estilo Modernista.

Ela passou a contribuir com textos para a revista temática Festa, em 1927.

Os “espiritualistas” se consideravam os verdadeiros modernistas, pois para eles, no núcleo dos valores do movimento estavam temas como o autoconhecimento do homem, o existencialismo espiritual da humanidade como uma só célula, e a valorização de virtudes necessárias à evolução coletiva. Os textos principais de Cecília sobre o assunto fazem parte da coletânea Provas da Existência dos Espíritos, na qual também contém textos assinados por Chico Xavier e Nietzsche.

Cânticos, uma obra de Cecília inspirada por essa filosofia, passou décadas perdida, e foi publicada em 1981.

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Militante pela Educação

Entre 1930 e 1933, ela assinava uma coluna sobre educação, tema dos mais importantes para a autora. Ela acreditava que não havia obras didáticas suficientes e que o currículo escolar deveria ser aprimorado. Cecília era favor de abolir o ensino religioso, por exemplo, como também defendia a implementação de turmas com ambos os gêneros, como pregavam os educadores Maria Montessori e Rudolf Steiner.

Em suas colunas, Cecília não hesitava em criticar os líderes políticos da época. Ela chamava de “medalhão”o o então ministro de educação, Francisco Campos, e Getúlio Vargas, o presidente da república, de “Sr. Ditador”.

Após o fim da coluna, em 1934, Cecília conquistou uma grande vitória: como diretora do Centro Infantil do Pavilhão Mourisco, no Rio de Janeiro, ela criou a primeira biblioteca infantil do País.

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Viuvez e Segundo Casamento

Seu primeiro marido, Correia Dias, sofria de depressão, e se suicidou aos 42 anos (Cecília e ele estavam casados por quase 13 anos). Ele era considerado um dos maiores exponentes do estilo chamado de Modernismo Português, ao qual o autor Fernando Pessoa também fazia parte.
Após a morte de Correia Dias, em 1935, Cecília passou por dificuldades financeiras. A esta altura, ela atuava como professora de literatura na Universidade do Distrito Federal, então recém fundada.
No ano seguinte, Cecília passou a publicar crônicas semanais no jornal Correio Paulistano, e também traduzia e “re-aculturava” títulos internacionalmente relevantes para o português, como Os Mitos Hitleristas e As Mil e Uma Noites.
Em 1940 ela se casou novamente, com o professor e engenheiro agrônomo Heitor Vinícius da Silveira Grilo.
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COM UM ÉLE

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Apesar das dificuldades na vida pessoal, Cecília era bem humorada e gostava de compartilhar suas próprias experiências em suas crônicas. Ela explorava temas universais e ria de si mesma ao narrar detalhes de sua vida.  Em A História de Uma Letra, publicada no jornal A Manhã, em 1945, Cecília contava que antes de se consagrar como poeta, usava seu nome de batismo para assinar suas obras: Cecília Meireles.
Através de seus contatos do círculo espiritualista, ela recebeu uma mensagem mediúnica, que recomendava a troca de seu nome para Cecília com “um éle” só. Segundo ele, a nova grafia a ajudaria a levar a vida com mais leveza. Pelo sim ou pelo não, Cecíllia decidiu virar Cecília.
Na crônica “Uns Óculos”, ela revelou que não enxergava “quase nada” sem eles, assim como Cecília constantemente escrevia sobre sua paixão pela cultura e filosofias orientais, sobretudo a indiana.
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Celebridade Literária

Uma das grandes injustiças do mundo literário é o fato de Cecília não ter sido aceita como membro da Academia Brasileira de Letras, mesmo tendo sido premiada pela instituição (com a obra Viagem, de 1938).

O Romanceiro da Inconfidência (1953) – considerada a sua mais importante obra, Poemas Escritos na Índia (1962) e (Ou Isto ou Aquilo (1964) – uma coletânea de poemas para crianças, apontada como a obra inaugural do sub gênero poesia infantil, são alguns dos títulos que a consagraram.
Sua versatilidade a posicionou como uma escritora sem igual no cenário nacional da época.
Ao longo de sua carreira, Cecília publicou mais de 50 obras, e um grande parte delas foi traduzida para línguas como o inglês, italiano, espanhol e francês.

Reconhecimento Internacional e Morte

Em Portugal, Cecília detinha o título de Sócia honorária do Real Gabinete Português de Leitura. Em Lisboa e na região dos Açores, há ruas com seu nome.
Na Índia, país ao qual visitou em 1953, o que a inspirou a criar o livro Poemas Escritos na Índia, ela era Sócia honorária do Instituto Vasco da Gama, em Goa, e Doutora “honoris causa” na Universidade de Delhi.
No Chile recebeu o título de Oficial da Ordem do Mérito, e na cidade de Valparaíso, há uma biblioteca chamada Cecília Meireles.
Cecília faleceu em 9 de novembro de 1964, em decorrência de um câncer no estômago. No ano seguinte, a Academia Brasileira de Letras a laureou com a entrega póstuma do Prêmio Machado de Assis, referente ao corpo de obras publicadas pela autora.
Uma curiosidade: Cecília é a única escritora a ser homenageada em uma cédula nacional. Entre 1989 e 1992, sua figura estampava as notas de 100 cruzados novos.
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