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Capitão América e a medida do patriotismo

Por Edu Fernandes
 
Durante a Guerra Fria, Hollywood dedicou boa parte da sua produção para retratar os estadunidenses como heróis absolutos e os russos como vilões mal-encarados. Atualmente, tal dinâmica não é mais possível. Não porque a Guerra Fria é coisa do passado, mas principalmente porque os próprios russos perfazem um mercado estratégico para as bilheterias mundiais de blockbusters.
No gênero super-herói, o personagem mais problemático para a nova ordem mundial é o Capitão América (Chris Evans, de Qual Seu Número?), cujo próprio nome faz alusão à terra do Tio Sam. Capitão América 2: O Soldado Invernal (Disney) chega aos cinemas em 10 de abril com a mesma solução dramática responsável pelo sucesso de Capitão América: O Primeiro Vingador (Disney). O supersoldado Steve Rogers não defende os valores dos Estados Unidos, mas o que ele sente ser moralmente correto, acima do conceito de nação.
Na nova aventura, Capitão América percebe que está sendo usado como peão pela S.H.I.E.L.D., agência que cuida dos super-heróis. Ele participa de missões, mas desconhece os reais propósitos de suas ações.
Nick Fury (Samuel L. Jackson, de Django Livre) lhe revela que a S.H.I.E.L.D. lançará três aeroporta-aviões que deverão monitorar e agir sobre ameaças antes mesmo que elas sejam concretizadas. Steve pensa que tal plano fere a privacidade individual dos cidadãos e, portanto, tolhe a liberdade.
 
Steve Rogers luta contra o Soldado Invernal

Em meio a essa trama com teor político, surge o Soldado Invernal (Sebastian Stan, de 12 Horas), um mercenário de elite com a tarefa de eliminar o Capitão. É no embate entre os dois que acontecem as melhores cenas de ação do longa.

O filme anterior se passava durante a Segunda Guerra Mundial e narrava a origem do herói. Steve Rogers se alista no projeto Supersoldado para poder se envolver nos embates na Europa. A ambição do protagonista não é assassinar nazistas, mas defender a liberdade.
Em sua missão, é auxiliado por personagens em outros países. Seu par romântico é a britânica agente Carter (Hayley Atwell), um claro exemplo dessa preocupação com a universalização do roteiro.
 
Cena do filme Capitão América: O Primeiro Vingador

Mesmo com todos os cuidados, os resultados de O Primeiro Vingador foram proporcionalmente menos triunfantes do que os de seus colegas Vingadores. As bilheterias internacionais da produção perfazem 52% do total arrecadado. Homem de Ferro 3 (Disney) e Thor: O Mundo Sombrio (Disney), os dois últimos lançamentos do Universo Marvel, tiveram desempenhos diferentes, com mais de 65% de suas rendas vindo de fora dos Estados Unidos.

De modo geral, a tática dos filmes do Capitão América é passar ao largo do patriotismo e apostar nos valores do herói. Já na franquia A Lenda do Tesouro Perdido (2004-2007), a estratégia foi mostrar uma faceta mais nobre do patriotismo.
Nas aventuras de Ben Gates (Nicolas Cage), elementos da História estadunidense são partes fundamentais do roteiro e há uma evidente admiração por suas figuras históricas. O cuidado é não passar a mensagem de que se está acima da História de outros países.
 
Cena do filme A Lenda do Tesouro Perdido: Livro dos Segredos

Mesmo assim, o resultado é semelhante ao obtido por Capitão América até agora. A Lenda do Tesouro Perdido: Livro dos Segredos (Disney) arrecadou 52% de sua bilheteria fora dos Estados Unidos. Há um plano de realizar um terceiro filme, mas ainda não há data de estreia.

Para o herói da Marvel, o futuro é mais concreto. A expectativa é que a popularidade acumulada por Steve Rogers seja suficiente para bilheterias mais expressivas. De qualquer maneira, o herói estará de volta em Os Vingadores 2 – A Era de Ultron, com estreia marcada para 30 de abril de 2015. Em seguida, há o lançamento de Capitão América 3 em 2016.
Veja a cena inicial de Capitão América 2: O Soldado Invernal:
 

 
 
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