Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 21.05.2011 21.05.2011

Cannes 2011: Radu Mihaileanu e Nuri Bilge Ceylan

Radu Mihaileanu
 
O diretor judeu-romeno, radicado na França, Radu Mihaileanu, apresentou o seu filme La Source des Femmes, que está concorrendo à Palma de Ouro. O longa passa-se nos dias de hoje, numa aldeiazinha, algures entre a África do Norte e o Médio Oriente. As mulheres vão buscar água à fonte, no cimo da montanha, sob um sol de rachar, e isso desde a noite dos tempos. Leila, recém-casada, propõe às mulheres de fazer a greve do amor: não há carinhos nem sexo enquanto os homens não trouxerem água à aldeia.

Esta é sua primeira vez em Cannes. Radu Mihaileanu ganhou destaque com o bastante cultuado Trem da Vida (1998). Com trajetória em diversos festivais de cinema pelo mundo até mesmo no Brasil; recebeu até prêmio do público e crítica na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. O mesmo aconteceu no prestigiado Sundance Festival, mas precisou dividir os holofotes com o concorrente europeu em alta naquele final década de 1990, Corra, Lola, Corra. Ambos ficaram com a preferência do público.

Mais recentemente, Mihaileanu circulou com outro longa que construiu carreira dentro do circuito de arte. O Concerto, de 2009, mas que apenas chegou ao Brasil no finalzinho do ano passado. Apesar da carreira bem mais discreta que Trem da Vida, marcou presença no prêmio francês César. Concorreu em categorias grandes, como direção, filme e roteiro, mas saiu apenas com prêmios técnicos de som e música. A novidade é que conseguiu entrar em uma premiação maior em terras americanas, no popular Globo de Ouro. No início deste ano, foi nomeado a melhor filmes estrangeiro.

Agora é torcer para que La Source des Femmes não demore tanto para chegar às salas de cinema por aqui.

Nuri Bilge Ceylan

O turco Nuri Bilge Ceylan pode não ser tão conhecido no Brasil, mas, em Cannes, o público já está acostumado com sua presença.

A última sessão da competição neste ano foi dele, com Bir Zamanlar Anadolu’da (Once Upon A Time In Anatolia). O longa dá continuidade ao estilo deste diretor, que gosta de construir histórias com imagens densas e uso de não atores. O que se repete também é a parceria com a esposa, Ebru Ceylan, atriz, escritora e diretora; presente em outros filmes de Nuri Bilge Ceylan. Nesse último, ela assina o roteiro. O ponto alto da parceria foi quando os dois dividiram a cena, como protagonistas de Climas, filme de 2006.

Voltando à Cannes… Ceylan esteve na cidade francesa algumas vezes. A primeira foi em 1995, com Koza, que esteve na mostra competitiva de curtas metragens. Voltou já na disputa principal com Uzak, em 2003, com Climas, em 2006, e dois anos depois, com Três Macacos. E quem pensa que somente os filmes de Radu Mihaileanu estão sujeitos àqueles atrasos de lançamentos recorrentes de filmes estrangeiros por aqui, engana-se. Climas estreou no Brasil, mas somente em 2008.

Cannes tem sido bem generoso com Ceylan. Ele levou prêmio de direção por Três Macacos e o especial concedido pela crítica internacional por Climas. Aliás, o resultado deste ano já saiu, quem levou foi o finlandês Aki Kaurismäki por Le Havre. Amanhã saem as escolhas do júri, neste ano presidido por Robert De Niro. E ai, quem se arrisca num palpite?

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