Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 17.05.2011 17.05.2011

Cannes 2011: Aki Kaurismäki e Alain Cavalier

Por Natasha Ramos / Redação

 

 

Aki Kaurismäki

O finlandês Aki Kaurismäki é mais um dos cineastas que concorrem à Palma de Ouro na edição 2011 de Cannes, com o filme Le Havre. Ele já participou outras vezes do festival francês: em 1996, com Kauas Pilvet Karkaavat (Drifting Clouds), em 2006, com Laitakaupungin Valot (Lights in the Dusk), e em 2002 ganhou o Grande Prêmio do Juri por O Homem Sem Passado.

Conhecido por dizer em entrevista que dirige metade dos seus filmes sóbrio e a outra metade bêbado, Kaurismäki  disse que se aposentaria depois de dirigir 20 filmes. Bem, ele deve ter se arrependido ou voltado atrás nesta decisão, afinal ele já dirigiu 28 filmes e não parece querer parar tão cedo.

Aki e seu irmão, o também cineasta Mika Kaurismäki, com quem fundou a produtora Villealfa (nome dado em homenagem ao filme Alphaville, do Godard), juntos foram responsáveis por um quinto do total de filmes produzidos na indústria cinematográfica finlandesa desde o começo dos anos 1980, apesar do trabalho de Aki ter sido mais reconhecido fora de sua terra natal.

Em geral, seus filmes são muito curtos —ele costuma dizer que um filme nunca deve ultrapassar os 90 minutos; muitos deles têm por volta de 70— são paródias excêntricas de gêneros variados, populares por lúgubres finlandeses beberrões, embalados por uma trilha sonora tipicamente baseada no rock’n’roll da década de 1950.

No filme Le Havre, com o qual está concorrendo este ano, Aki conta a história de Marcel Marx, antigo escritor e boêmio famoso, que se exilou voluntariamente na cidade portuária do Havre onde a sua profissão, honrada mas não remuneradora, de engraxador de sapatos lhe dá o sentimento de estar mais próximo das gentes servindo-as. Ele resignou-se da sua ambição literária e leva uma vida satisfatória dentro do triângulo constituído pelo bar do canto, o seu trabalho e a sua mulher Arletty, quando o destino põe, bruscamente no seu caminho, uma criança imigrada oriunda da África negra.

Alain Cavalier

Outro filme exibido hoje (17/5) em Cannes foi Pater, do cineasta francês Alain Cavalier, indicado à Palma de Ouro. Esta é a quinta vez que seus filmes participam no festival. Em 1986, ele ganhou o Prêmio do Júri e o Prêmio do Júri Ecumênico com menção especial para o filme Thérèse; e, em 1993, ganhou o Prêmio do Júri Ecumênico por Libera me. Além disso, dois de seus filmes participaram da mostra paralela Un Certain Regard, Irene (2009) e Le Filmeur (2005).

Alain Cavalier e o ator Vincent Lindon, ligados de amizade, como um filho e um pai, beberem vinho do Porto nos bares e se perguntarem que filme poderiam realizar juntos. Usaram terno e gravata e  se filmarem disfarçados de homens poderosos, só para ver em quantos problemas eles poderiam se meter e quantas risadas isso poderia render. Essa experiência deu origem ao filme Pater, parte pessoal, parte ficcional. Permeia o filme a questão sempre sem resposta do cinema: é verdade ou não?

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