Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Música 14.02.2012 14.02.2012

Blocos de rua levam irreverência ao carnaval do Rio; história de um dos blocos será contada na Sapucaí

Por Natália Martins
Na foto, Monobloco garante boa mistura no carnaval carioca.
O Rio de Janeiro é a cidade que, podemos dizer, tem mais tradição quando o assunto é blocos de rua. Desde meados do século 19 as pessoas saiam às ruas na cidade maravilhosa para se divertir e pular o carnaval em qualquer tipo de organização (ou desorganização). Foi só no começo do século 20 que o que hoje chamamos de bloco começou a ganhar força.
Foram esses blocos carnavalescos de rua que, lá pelos anos 30, abriram caminho para as escolas de samba. Ainda que vários deles tenham se tornado agremiações carnavalescas, dezenas continuam como blocos de rua, animados o suficiente para começar a folia duas semanas antes do início oficial da festa.
 
Este ano, já saíram às ruas cariocas os blocos Desliga da Justiça, Spanta Neném, Bola Preta e Concentra Mas Não Sai, bloco fundado pela cantora Beth Carvalho e que fica parado na Rua Ipiranga só cantando sambas clássicos como os de Cartola, Candeia, Nelson Cavaquinho, entre outros. A maioria volta às ruas do Rio no final de semana oficial do carnaval.
Das ruas para a Sapucaí
Reconhecendo a importância dos blocos, a Mangueira escolheu homenagear o bloco Cacique de Ramos, que ano passado completou 50 anos, no carnaval deste ano. O bloco, que costuma sair aos domingos, segundas e terças de carnaval, este ano vai para a rua apenas em dois dias, já que o terceiro será o desfile na Sapucaí. 
O Cacique de Ramos surgiu em um subúrbio do Rio, na Zona Norte, e por lá passaram grandes nomes do samba como Zeca Pagodinho, os integrantes do grupo Fundo de Quintal, João Nogueira, Beth Carvalho, Jovelina Pérola Negra, Arlindo Cruz, Monarco, Dudu Nobre e Jorge Aragão. Às ruas, o bloco já conseguiu levar cerca de 10.000 pessoas vestidas de índio.
 
Bandeira do bloco Cacique de Ramos. Crédito: Carlos Vergara Site Oficial
Irreverência marca os blocos
A irreverência dos blocos – e, na maior parte, do nome deles – garante a alegria desses foliões no carnaval. Um dos nomes mais engraçados é o Suvaco do Cristo, que se inspirou em um comentário de Tom Jobim, falando que o mofo da sua casa se devia à sua localização, debaixo do “suvaco” do Cristo Redentor. E como o lugar dos ensaios do grupo ficava debaixo do suvaco esquerdo, nada melhor para dar nome ao bloco.
 
Foto de 1986 do bloco Suvaco de Cristo
Embora esse nome tenha causado certo frisson entre alguns católicos (que até sugeriram a mudança do nome para “Divinas Axilas”), o nome continuou, e o bloco tem mais de 25 anos de história. Nesse tempo, o Suvaco de Cristo já contou com sambas feitos por Lenine e o poeta Chacal, entre outros. Os desfiles do bloco saem pelo Jardim Botânico, e desde 20066 contam com uma ala infantil, o Suvaquinho.
E como todas as cidades folionas, sempre há um bloco considerado histórico, visto como patrimônio cultural. No Rio não é diferente. Fundado em 1918, o Cordão do Bola Preta (também conhecido como Quartel General do Carnaval carioca) é o mais antigo e tradicional bloco de rua, além de ser um dos mais conhecidos do carnaval carioca mundo afora.
O bloco lota as ruas do centro no final de semana anterior ao carnaval e também nos dias oficiais da folia (o próximo desfile acontece no sábado, dia 18, a partir das 9h30). Durante o resto do ano, há outras festas; uma delas é a comemoração do aniversário do bloco, que ,acontece sempre no último dia útil do ano. na Cinelândia. É uma prévia do carnaval do ano que começa.
A tradição de rainhas e madrinhas de bateria também é seguida pelos blocos. No caso do Bola Preta, entre as suas madrinhas mais famosas estão a atriz Leandra Leal e a cantora Maria Rita. 
Outro bloco tradicional é o Bafo da Onça, surgido em 1956. O nome, como já dá para imaginar,
nasceu quando o fundador do bloco, um carpinteiro, bebeu todas em um bar. Junto com o Cacique de Ramos (bloco rival nos anos 60 e cujo encontro com o Bafo de Onça rendeu muitas brigas) e Boêmios do Irajá, na década de 70, esses eram os três blocos que mais empolgavam o público no carnaval. No Bafo já saíram grandes sambistas, como Zeca Pagodinho e Beth Carvalho, mas ainda que sejam nomes renomados, o que para eles era mais legal era justamente o fato de os foliões serem ‘o povão’.
O Monobloco, projeto do cantor e compositor Pedro Luís junto com a banda A Parede, desde 2000 toca marchinhas e clássicos do samba, desfilando pelas ruas cariocas. O Monobloco é uma coisa complexa: ministra oficinas durante o ano inteiro, faz desfiles no pré e pós-carnaval e ainda tem o Monobloco show, uma versão reduzida daquelas 120 pessoas que desfilam no carnaval carioca e que fazem apresentações ao longo do ano.
Com padrinhos como Dona Zica da Mangueira e Albino Pinheiro, o Simpatia é Quase Amor é um dos mais conhecidos e esperados blocos do carnaval carioca. Este ano eles participaram do pré-carnaval. Surgido nos idos de 1985, o nome foi inspirado em um personagem do jornal O Pasquim, Laurindo Simpatia é Quase Amor, enquanto as cores do bloco foram inspiradas em um remédio, roxo e amarelo, embora haja contradições e alguns afirmem que a inspiração veio das cores do biquíni de uma certa garota de Ipanema.
Para o fim da folia, um dos blocos que sai na quarta de cinzas traz o sugestivo nome de Me Enterra na Quarta.
Como são muitos os blocos do Rio de Janeiro, o melhor jeito de se programar é dar uma olhada no site oficial do carnaval carioca, http://www.rioguiaoficial.com.br/carnaval/blocosderua, para poder pular bastante antes, durante e depois da folia.
 
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