Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 10.06.2013 10.06.2013

Biografias retratam os jogadores de futebol em detalhes

Por Fernanda Oliveira
 
É incontestável a paixão do brasileiro pelo futebol e, consequentemente, por tudo aquilo que de alguma forma envolva esse esporte. Um bom exemplo disso é o sucesso das biografias de grandes nomes dos campos, como Casagrande e seus Demônios, que narra a história de Walter Casagrande Júnior, Nunca Fui Santo, que conta a trajetória do goleiro Marcos Roberto Silveira Reis, e Diamante Negro, sobre Leônidas da Silva.
 
Com certeza, o motivo do interesse do público por essas biografias não se deve somente ao fato de terem esse esporte como foco, mas também por apresentarem detalhes da vida, tanto profissional quanto pessoal, de jogadores importantes do futebol brasileiro. "A riqueza da personalidade, a trajetória marcante, os dramas e as vitórias pessoais emocionam os leitores. Apenas a carreira, ainda que de muito sucesso, não seria suficiente para dar a um livro a profundidade necessária", explica Gilvan Ribeiro, autor de Casagrande e seus Demônios.
 
Para Mauro Beting, que escreveu Nunca Fui Santo, mostrar a "pessoa" é fundamental, atraindo mais leitores, já que, assim, há uma aproximação. "O interessante da biografia de um jogador de futebol é 'ele', acima de tudo. O que conquistou. E também o que perdeu. Ou mesmo empatou. Futebol nos ensina a empatar, mais do que a vencer ou perder. A vida é muito mais empate que vitória e derrota. O jogador nos mostra isso. Adoro superações. Todas as histórias têm muito disso".
 
Com isso, acontecimentos íntimos podem marcar a narrativa e, assim, fugir um pouco da temática central que, pelo menos, em um primeiro momento, atrai o leitor: o futebol. Então, cabe ao autor lidar com os diversos assuntos de modo que a obra siga instigando a leitura. "Uma boa biografia de um jogador deve equilibrar o tema futebol com os diversos aspectos de sua vida, abrangendo família, relacionamentos amorosos, comportamento fora dos gramados e contexto socioeconômico e, muitas vezes, político do país onde viveu ou vive", afirma André Ribeiro, autor de Diamante Negro.
 
Mauro acredita que fugir da trajetória futebolística é até mesmo importante. "Sempre tento fazer algo além para atrair mais gente. Contudo, mantendo o foco na bola, como faz o craque e/ou ídolo". Gilvan também segue essa linha e, no caso do livro sobre Casagrande, especificamente, diz que as pessoas têm muita curiosidade pelo seu envolvimento com as drogas. "Poucas pessoas mergulharam tão profundamente na dependência química e saíram vivas para contar a história. Ele sobreviveu a quatro overdoses e a um acidente grave de carro e ainda conviveu com demônios que se materializavam dentro de casa durante suas crises psicóticas. Chegou ao fundo do poço mesmo tendo sido um jogador de sucesso e, em seguida, alcançou projeção como comentarista da maior rede de televisão do País".
 
Mauro Beting e Marcos, parceria que resultou em Nunca Fui Santo

BIÓGRAFO E BIOGRAFADO

 
A relação entre autor e personagem pode ser próxima ou não no decorrer do processo de produção da biografia. Na verdade, o importante é a habilidade do escritor em realizar uma apuração eficiente, que identifique fatos mais atrativos para o público. Dessa forma, o trabalho pode ser bastante distinto, mudando de acordo com o perfil de cada biografado.
 
Falando especificamente de Leônidas da Silva, André destaca que, pesquisando sua vida, ficou nítido que ele tem todos os ingredientes de um grande personagem. "Desde suas origens pobres, no subúrbio do Rio de Janeiro, até o apogeu e as várias polêmicas vividas ao longo de sua carreira. O drama da doença que acabou levando-o, evidentemente, tornou-se um forte apelo. Foram 25 anos com o Alzheimer consumindo-o lentamente."
 
No caso do livro Nunca Fui Santo, foi um processo longo com a coleta de material, possibilitada por anos de convívio. "Na prática, não fiz nenhuma entrevista formal. Foi tudo fruto de várias conversas em mais de 15 anos de convivência. Marcos é um personagem atrativo pelo fato de errar do modo mais humano, de acertar como um santo, de ser um vencedor sem pisar em ninguém e, claro, de ser goleiro campeão do mundo pelo Brasil", detalha Mauro.
 
Gilvan e Casagrande também já eram próximos. "Isso ajudou bastante, pois já tinha conhecimento de vários acontecimentos da vida dele, além de intimidade para "cavucar" episódios mais íntimos e delicados. "O fato de Casa ter feito anos de terapia e continuar a fazer até hoje colaborou para que ele se dispusesse a mergulhar comigo em busca de seus demônios internos, seus traumas e suas fragilidades".
 
André Ribeiro conta a história de Leônidas da Silva, o inventor da bicicleta, em Diamante Negro
Para o autor de Casagrande e seus Demônios, coragem, ousadia e diversidade são aspectos marcantes na história do jogador. Ele foi um grande ídolo no Corinthians, conviveu com artistas, envolveu-se com drogas e participou do Diretas Já, movimento em prol de eleições livres para presidente da República e contra o regime militar, fatores que conferem profundidade ao personagem e, consequentemente, à sua biografia. "O bacana de falar sobre um jogador de futebol é lidar com um universo de leitores que têm uma ligação afetiva com o personagem", finaliza Gilvan.
 
PÁGINAS REPLETAS DE ÍDOLOS DO FUTEBOL

Confira abaixo biografias de jogadores de futebol de sucesso.

 
Casagrande e seus Demônios
Walter Casagrande Júnior e Gilvan Ribeiro
Globo Livros
 
Nunca Fui Santo
Marcos Reis e Mauro Beting
Universo dos Livros
 
Diamante Negro
André Ribeiro
Cia. dos Livros
 
Estrela Solitária: Um Brasileiro Chamado Garrincha
Ruy Castro
Companhia das letras
 
Pelé: Estrela Negra em Campos Verdes
Angélica Basthi
Editora Garamond
 
Didi: O Homem da Folha Seca
Péris Ribeiro
Gryphus
 
Divino: A Vida e a Arte de Ademir da Guia
Kleber Mazziero de Souza
Gryphus
 
Nunca Houve um Homem como Heleno
Marcos Eduardo Neves
Zahar
 
 
Maioridade Penal: 18 Anos de Histórias Inéditas da Marca da Cal
Rogério Ceni em entrevista ao jornalista André Plihal
Panda Books
 
 
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