Bel Sanmax por Bel Sanmax Música 18.12.2019 18.12.2019

Billie Eilish e o novo pop livre de rótulos

Billie Eilish sempre soube que faria parte do show business. Filha de uma compositora e de um ator, Billie, que nasceu em 18 de dezembro de 2001, foi incentivada pelos pais a desenvolver uma alma artística desde pequena.

Considerada atualmente como um dos maiores nomes da geração atual de artistas e influenciadores, Billie, que ainda está na adolescência, se sente muito confortável com o lugar que alcançou na cultura pop. Os pais a educaram em casa, até os oito anos. Aos 11 anos começou a escrever suas próprias letras e musica-las com o irmão, Finneas, para suas apresentações na escola, uma academia especializada em artes.

Seus hits, em 2019, não deixaram o ranking dos mais ouvidos. A crítica também a abraçou como um talento que veio para ficar. Apesar da pouca idade, Billie é dona de uma mente madura o suficiente quanto a saber quem é e o que quer, e de como expressar o que pensa através das suas músicas. Seus fãs, tanto os recentes quanto os que a acompanham desde que lançou sua primeira faixa e vídeo caseiro, aos 14 anos, se identificam com a naturalidade e autoconfiança de Billie. 

Grande

Em 2019, Billie tornou-se a primeira artista nascida na década de 2000 a atingir o topo das paradas da Billboard, com Bad Guy. A faixa, aliás, não é só um hit entre quem tem sua faixa etária: as músicas de Billie não foram categorizadas pela indústria ou pelo público como um estilo de som “adolescente”. Ela constantemente rejeita quaisquer rótulos, e nega categoricamente representar um gênero de música criado para agradar a mães e pais. 

“Odeio quando pessoas mais velhas me perguntam o que é que eu sei sobre amor. Eu sei mais do que eles porque eu estou experenciando o amor pela primeira vez, enquanto eles não o sentem há décadas. Só por que eu sou jovem não significa que o que eu sinto é mais ou menos forte, mas é sem dúvida um sentimento diferente. Eles estão mais habituados a corações partidos, dor e querer morrer o tempo todo. Para uma jovem como eu, tudo isso é novo e aterrorizante” – Bille em entrevista à revista especializada em música NME, sobre como se sente com as cobranças dos executivos da música

Seu álbum de estreia, When do We Fall Speel, Where do We Go?, recebeu uma média de 4 estrelas (de cinco) pelos mais respeitados críticos de música.

A prova de que seu pop coeso, com letras autorais e colaborações com respeitados músicos, foi abraçado por outras gerações, é o fato de que Bad Guy é a canção escolhida para amarrar a narrativa do trailer de um dos filmes mais elogiados da temporada de premiações (Oscar e Globo de Ouro) de 2020: Bombshell, protagonizado por Nicole Kidman, Charlize Theron e Margot Robbie, que recria acontecimentos reais de um escândalo sexual denunciado por jornalistas norte-americanas (assista ao trailer aqui).

Original

Na contramão de estrelas do pop que adoram um make, uma super produção da moda da cabeça aos pés para serem vistas também como personalidades aspiracionais quanto a beleza e estilo, Billie mostra a imagem de uma garota que poderia ser da sua classe na escola. Ou amiga do seu irmão. Ela usa as mesmas roupas que as meninas e meninos da sua idade, e se permite debater de forma irônica, e por vezes, profunda, a sexualidade e questionamentos do universo teen.

Justin Bieber, que se tornou seu fã e gravou com uma ela uma versão de Bad Guy, sua faixa mais famosa (na qual ela colocou uma foto real dela mais novinha, posando com pôsteres do cantor, como imagem de divulgação da faixa), ajudou a lançar o trabalho de Billie para um público maior.

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O artista, no entanto, não teve a mesma liberdade artística que Billie, quanto a alcançar um público tão heterogêneo, de teens à adultos, e sofreu muitos anos com o “encaixotamento” artístico que seu status de “muso teen” lhe conferia. Mais velho e mais experiente, ele deu sua benção e apoio a Billie para tentar alçar um voo diferente.

Os números relacionados ao sucesso de Billie, como mais de 2 bilhões de plays em  streaming de suas músicas em redes como o Spotify, são indicadores de que pop está pronto para deixar os artistas jovens se expressarem, sem confiná-los por sua idade.

Vale lembrar que Os Beatles, Elvis Presley e Michael Jackson, alguns dos maiores nomes da música de toda a história, já lideravam as paradas com menos de 21 anos.

No Sussurro

O estilo de cantar de Billie tem nome e é uma “subcategoria”: “whisper pop”, ou o “pop sussurrado”. Em seu álbum, a primeira faixa dura 13 segundos, nos quais o que se ouve é o ruído do que parece ser alguém tendo um aparelho dental retirado da boca.

Billie, com raríssimas exceções (como na faixa Lovely), canta sussurrando. Outros artistas “adeptos” do gênero são Madonna, Zayn, Harry Styles e Selena Gomez, o que é visto pelo cenário musical como um ato quase rebelde, pois palavras com dicção clara e em tons altos são “melhores” para os atuais sistemas surround de som e de fones. Ou seja: eles não estão interessados em comprometer sua arte. E isso fala muito sobre suas personalidades artísticas. 

Talento em Família

As letras de suas músicas ela por vezes coescreve com o irmão mais velho, Finneas, de 21 anos, que também atua como coprodutor e músico nas faixas, às quais gravam no estúdio que têm em casa. Billie também toca piano, foi treinada em harmonias vocais em um coral, lê e escreve partituras, e sabe produzir e mixar música.

A banda de Finneas normalmente abre os shows de Billie. Os irmãos começaram a criar música juntos em 2016, quando ele ajudou a produzir a faixa Ocean Eyes, publicada na rede de sharing SoundCloud. O sucesso da música – mais de 10 milhões de plays, renderam a Billie um convite para assinar um contrato com a gravadora Interscope, a mesma de Lady Gaga. Ela então lançou o EP Don’t Smile At Me, que traz faixas como Bellyache e Idontwannabeyouanymore.

Maggie Baird e Patrick O’ Connell, os pais, assumem alguns papeis na logística de shows e turnês da carreira da filha, desde ajudar com o projeto de iluminação e cenário do palco. O casal, entretanto, deixa os filhos à vontade para tocarem seus projetos independentemente, e de acordo com suas próprias visões artísticas.

 

 

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