Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 09.04.2010 09.04.2010

Bem-vindo ao norte da França

Por Vinicius Valente

O estereótipo da França é praticamente o mesmo no mundointeiro. Paris, a cidade da luz, dos romances, queijos e vinhos, magnetizadacom um charme sedutor que atrai turistas de todos os cantos mundo. Há quemtambém lembre do país pelo glamour e pelas festas das cidades de praialocalizadas ao sul, como Nice, Cannes e Saint-Tropez, que atraem diversascelebridades internacionais durante o verão. Já o longínquo e frio norte épraticamente esquecido pelo mundo e até mesmo pelos próprios franceses, que vêema região como o fim de mundo. Quer dizer, viam, pois após o enorme sucesso dacomédia A Riviera não é aqui (Bienvenue chez les Ch’tis), os francesescertamente mudaram seu ponto de vista sobre a localidade.

O longa, lançado em 2008 na França, estréia nesta sexta-feira,09/04, em São Paulo,Curitiba, Fortaleza e Juiz de Fora. Escrito,dirigido e co-protagonizado pelo ator francês Dany Boon (Feliz natal, 2006), o filme teve 20 milhões de espectadores somentena França, ultrapassando A grande paródia,de Gérard Oury (1966) e se tornando o filme nacional mais assistido no país. Osucesso não parou por aí. Por pouco a comédia não desbancou Titanic (1997) do posto de filme maisvisto na França de todos os tempos. Além disso, foi responsável por um aumentode 14% na freqüência dos cinemas franceses, nos primeiros três meses de 2008. Teveorçamento de 11 milhões de euros e gerou uma receita acima de 100 milhões deeuros.

Mas o que tem de tão engraçado na comédia? A Riviera não é aqui conta a história dePhilippe Abrams (Kad Merad), o diretor de uma agência dos correios na cidade deSalon-de-Provence, sul da França. Visando agradar sua mulher Julie (Zoé Félix),que sonha em se mudar para alguma cidade na Côte d’Azur (riviera francesa),Philippe arma um plano para conseguir uma transferência para a cidade dossonhos. Porém, como em qualquer boa comédia, sua artimanha dá errado e elerecebe, como punição, uma transferência para a cidade de Bergues, Nord-Pas de Calais (extremo norte do país),região estereotipada como extremamente fria, habitada por pessoasincompreensíveis, rudes e mal-educadas. Sua mulher se recusa a ir e Philippe,para não perder o emprego, vai sozinho, com o plano de visitar a família aosfins de semana. Ao chegar ao lugar inóspito, o diretor dos correios dá de caracom Antoine (Dany Boon), um de seus subordinados na agência. No começo ele seirrita um pouco, porém, aos poucos, vai percebendo que a cidade e seushabitantes são, na verdade, extremamente acolhedores. Antoine começa a virar umgrande amigo e Philippe se vê em outro dilema. Sua mulher começa a admirar seu“esforço” de morar em um lugar tido como tão horrível e ele não sabe comorevelar para ela que, durante a semana, ele se diverte intensamente trabalhandona agencia de correios de Bergues.

O humor dolonga vem das conversas de Philippe com os habitantes de Bergues, conhecidoscomo Ch’tis. Todos falam com o sotaque extremamente forte do dialeto Ch’timi,rechado de chiados e quase incompreensível para os outros franceses. Oestranhamento do protagonista ao se deparar com o ruído de comunicação arrancagargalhadas dos espectadores, sobretudo durante as conversas com Antoine, umpersonagem típico de uma cidade pequena, cheio de manias, expressões e o fortesotaque Ch’timi, claro. Quem não é familiarizado com a língua francesa teráalgumas dificuldades para entender as nuances dos diálogos, principalmentequando a graça se encontra na diferença sutil de pronúncia de algumas palavras,durante cenas que, certamente, contribuíram para o sucesso do filme na França.Entretanto, independente do idioma de domínio, não há como não rir dastrapalhadas, caras e bocas de Dany Boon e Kad Merad durante toda a trama.

Dany Boon é um ator cômico de stand up, bem conhecidona França. O diretor de A Riviera não éaqui afirmou, em 2008, ter realizado o filme“contra” as habituais comédias filmadas no Sul de França, preferido pelosturistas, tentando afastar a visão preconceituosa que os franceses ainda têm doNorte. Sobretudo tratava-se de um “carta de amor” à sua região natal e aos seusconterrâneos, pois ele é natural da cidade de Armentières, Nord-Pas de Calais,ou seja, um ch’ti.


> Assista ao trailer de A riviera não é aqui

 

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