Ramiro Fajuri por Ramiro Fajuri Livros 08.07.2021 08.07.2021

Batalha da Inglaterra: Como a RAF derrotou a Luftwaffe e impediu a invasão da Grã-Bretanha

A Batalha da Inglaterra começou em 10 de julho de 1940, indo até 31 de Outubro do mesmo ano. O objetivo da Luftwaffe, a Força Aérea Alemã, era controlar o Canal da Mancha e o Mar do Norte, para permitir uma invasão anfíbia para dominar o Reino Unido. Mas, com tecnologia, estratégia, determinação, liderança e até uma ajuda do acaso, a Força Aérea Britânica – RAF derrotou a Luftwaffe e impediu a invasão da Grã-Bretanha pelos nazistas.

A Batalha da Grã-Bretanha foi o primeiro combate da segunda guerra mundial travado exclusivamente entre duas forças aéreas, e também foi a primeira vez em que a Alemanha Nazista sofreu um revés, sendo obrigada a desistir de um objetivo militar, que era invadir o Reino Unido ou forçar os ingleses a pedir por um acordo de paz que na prática seria uma rendição, acabando com a única resistência que a Wehrmacht ainda enfrentava na Europa.

O que aconteceu antes da Batalha da Inglaterra

Hitler havia anexado a Áustria e a região dos Sudetos, na Tchecoslováquia, sem disparar um único tiro, invadindo a Polônia em 1 de Setembro de 1939, sem uma declaração de Guerra formal, dando início à Segunda Guerra Mundial propriamente dita.

Enquanto todos os Exércitos da Europa esperavam por uma nova , e demorada, guerra de trincheiras, como havia acontecido na Primeira Guerra Mundial, os estrategistas alemães usaram um conceito inovador para a época, a Blitzkrieg, ou Guerra Relâmpago, em que avançavam rapidamente pelo território inimigo, mal parando para descansar, reabastecer e utilizando tanques de guerra, seus famosos Panzer, como jamais havia sido feito antes,

Dessa maneira, a Wehrmacht conquistou rapidamente a Noruega, os Países Baixos e a Bélgica, contornando as fortificações da supostamente inexpugnável Linha Maginot e derrotando a então maior potência militar do continente Europeu, a França, em pouco mais de 40 dias, deixando o mundo atônito.

A volta de Winston Churchill

No meio tempo em que os exércitos franceses, e a Força Expedicionária Britânica levavam um verdadeiro banho de estratégia da Wehrmacht, subia ao poder Winston Churchill, que há tempos já alertava sobre o perigo que Hitler e a Alemanha Nazista representavam, sendo rotulado de belicoso.

Churchill condenava fortemente a política de apaziguamento de seu antecessor, Neville Chamberlain, afirmando que um apaziguador é quem alimenta um crocodilo esperando ser o último a ser devorado. Através do Acordo de Munique, assinado em 1938 Chamberlain e o Presidente da França, Édouard Daladier, permitiram que Hitler anexasse os Sudetos, na Tchecoslováquia.

Após esse acordo, Chamberlain acreditou que havia conseguido conter Hitler, proferindo o inglório discurso “peace for our time”, paz para o nosso tempo, sobre o qual Churchill comentou, amargamente: Entre a desonra e a guerra, escolheram a desonra, e terão a guerra.

Operação Dínamo 

Foi já sob o governo de Churchill que o que havia sobrado do Exército Francês, e da Força Expedicionária Britânica enviada para ajudá-lo, somando no total 300 mil homens, foi resgatado através do canal da Mancha por uma esquadra improvisada de todos os tipos de embarcação que os ingleses puderam reunir, inclusive de voluntários civis, na Operação Dínamo.

Enfraquecida pela derrota na França, a Inglaterra e seu império estavam sozinhos contra um inimigo que não somente era mais numeroso e poderoso, mas que com o moral em alta, parecia invencível.

Qual era o objetivo dos nazistas

Curiosamente, Adolf Hitler era um admirador do Império Britânico, e estava disposto a oferecer à Grã-Bretanha um acordo de paz. Mas Churchill, que mesmo antes do ditador nazista nascido na Áustria conseguir chegar ao poder na Alemanha, já nutria verdadeira repulsa a Hitler, não estava disposto a acordos que fizessem da Grã-Bretanha um Estado fantoche dos Nazistas, como havia acontecido com a França de Vichy. A Inglaterra iria lutar.

Churchill afirmou: “ A batalha da França acabou. Acho que a Batalha da Inglaterra está para começar”.

O primeiro passo de Churchill foi tirar do alcance de Hitler a grande esquadra francesa, que ele poderia  usar para invadir a Inglaterra. Churchill fez isso, e aproveitou para mandar a Hitler o recado de que estava disposto a ir às últimas consequências para defender seu país.

Winston Churchill tomou o que chamou de a mais abominável de suas decisões. Uma das muitas escolhas difíceis que teria de fazer nos anos seguintes: Atacar um antigo aliado.  Churchill mandou a Marinha Real Britânica afundar a frota francesa estacionada na Argélia, matando 1300 militares franceses no ataque.

Quem era quem na Batalha da Inglaterra

Grã-Bretanha

Winston Churchill:

Os ingleses tinham como Primeiro Ministro  o obstinado Winston Churchill, que sabia que um acordo com Hitler significaria o fim da Grã-Bretanha como um país livre e independente. Churchill foi capaz de liderar os britânicos através da inspiração, enfrentando um inimigo que parecia imbatível.

Marechal do Ar Hugh Dowding:

Chefe do comando de caças e criador do Sistema Dowding, que usava de modo inovador uma invenção relativamente nova na época, o radar. O coração do sistema era a Chain Home, um sistema de antenas de radar que podiam detectar os aviões alemães a  quase 200 km de distância, assim que decolassem dos aeródromos do litoral da  França ocupada pelos nazistas.

Graças ao sistema  Dowding, ao invés da RAF usar seus aviões para patrulhar o Canal da Mancha, esperando os ataques alemães, e correndo o risco de serem pegos desprevenidos, ou com pouco combustível,  os ingleses podiam decolar com a força máxima para interceptar os aviões alemães, pois sabiam onde eles estariam.

E a RAF saberia também quantos  eles eram graças a  trinta mil observadores voluntários que  ficavam em postos de vigia no solo, com binóculos. Entre a detecção dos aviões alemães, e o Comando de Caças ser avisado, se passavam apenas 40 segundos.

Vice Marechal do Ar Keith Park

O oficial neozelandês que os alemães aprenderam a chamar de o defensor de Londres, comandava os 30 esquadrões de caças espalhados pelos aeródromos do sudeste da Inglaterra. Curiosamente, não tinha uma contraparte na Luftwaffe, no comando operacional de todos os esquadrões.

Alemanha Nazista

 Adolf Hitler.

Chanceler da Alemanha, ele buscava primeiro que os ingleses fizessem um acordo, deixando-o livre para seu grande objetivo, que era invadir a União Soviética. Somente ao perceber que os ingleses não se renderiam sem luta, ordenou a Operação Leão Marinho, a invasão nazista da Inglaterra.

É erroneamente considerado um grande estrategista militar. Apesar de ter à sua disposição alguns dos comandantes militares mais brilhantes de sua época, Hitler dava ouvidos não aos mais competentes, e que poderiam dizer a ele verdades inconvenientes, mas  àqueles que considerava mais leais a ele e à ideologia nazista, que diziam o que ele queria ouvir.

Herman Goering

Um dos aliados de primeira hora de Hitler, Herman Goering foi um ás da aviação na I Guerra Mundial, fazendo parte da esquadrilha de Manfred Von Richthofen, o lendário Barão Vermelho. Mas  apesar de sua experiência militar, Goering estava longe de ser um estrategista brilhante ou um comandante dedicado.  Durante boa parte da Batalha da Inglaterra, passava seus dias em Berlim, aproveitando as benesses do poder.

O Reichsmarschall Goering acreditava que a RAF não seria páreo para a Luftwaffe, e prometeu a Hitler que a Real Força Aérea seria destruída em 3 ou 4 semanas. Levou muito tempo para ir pessoalmente pela primeira vez aos aeródromos do litoral da França, de onde as missões da Luftwaffe para atacar a Inglaterra partiam. Acreditava cega e confortavelmente nas informações que recebia de Joseph Beppo Schimd.

Beppo Schimid

Joseph “Beppo” Schimid era o chefe da Inteligência Militar da Luftwaffe. Muito propriamente, o historiador Anthony Beevor o definiu como o mais desastroso oficial de inteligência que a Wehrmacht jamais produziu. Beppo Schmid recebia dos pilotos da Luftwaffe as informações sobre o quão duros eram os combates contra a RAF, e quantas aeronaves os alemães estavam perdendo. E as ignorava.

Schmid passava a Goering um panorama completamente diferente, inventando histórias sobre como a RAF estava para entrar em colapso e inflando as perdas britânicas. E o bom vivant Goering, ocupado com visitas a galerias de arte em Berlim,  jamais pensava em verificar se seu subordinado dizia a verdade.

Os historiadores divergem sobre a origem de tamanha incompetência, mas é razoável supor que Beppo Schimd conhecesse a natureza da personalidade tanto de Goering, como de  Hitler. E percebendo que um não gostaria de ser tirado de sua vida confortável e glamourosa, e o outro  não tolerava verdades inconvenientes, contatava a eles as histórias que gostariam de ouvir.

Principais aviões utilizados na Batalha da Grã-Bretanha

Britânicos.

Hurricane

Hawker Hurricane projetado em 1934, foi um dos mais famosos aviões e caça britânicos da Segunda Guerra Mundial e o primeiro caça monoplano da Royal Air Force (RAF). Foi responsável por 60% das vitórias aéreas da RAF na batalha.da Grã-Bretanha.

Spitfire

Supermarine Spitfire foi desenvolvido e fabricado na Inglaterra pela Supermarine, entre os anos de 1938 e 1948. Foi o único caça aliado que operou durante todo o conflito e o primeiro avião aliado a conseguir fazer frente ao Me 109 da Luftwaffe.

O Spitfire se tornou um símbolo da resistência britânica aos nazistas na Batalha da Inglaterra, e por isso, querido pelo povo inglês. Lord Beeverbrook, ministro da produção de aeronaves criou o Fundo Spitfire,  que recebia doações de toda a Grã Bretanha, e até de outros países, para financia a construções de mais unidades do icônico avião de caça.

Alemães

ME 109

Messerschmitt Bf 109 era um dos mais temidos caças da Luftwaffe, e provavelmente o melhor e mais moderno avião do mundo, na época da Batalha da Grã-bretanha, sendo  o que subia mais rápido, conseguia disparar suas metralhadoras por mais tempo e atingia maior velocidade, 500km/h, mesmo com todo o peso de suas  metralhadoras e canhões.

Stuka

Junkers Ju 87, também conhecido como Stuka era um pequeno bombardeiro de mergulho, conhecido por carregar uma sirene conhecida como trombeta de Jericó , que fazia um ruido característico, que servia exclusivamente para assustar os alvos do bombardeio. Mas era presa fácil para os aviões da RAF, e precisava ser escoltado pelos Me 109.

Heinkel He 111

O Bombardeiro Heinkel foi desenvolvido para ser um avião correio, de uso civil, mas foi adaptado para uso militar. Lento, era presa fácil dos Hawker Hurricane britânicos.

Dornier DO 17

O Dornier Do 17 foi um bombardeiro médio que, por sua fuselagem estreita, foi conhecido como “lápis voador”. Como outros bombardeiros alemães, era lento e presa fácil para os Spitfires e Hawkers. .

BFS110

O MesserSchmidt BF 110 era um caça bimotor, e avião mais rápido a ser utilizado na Batalha da Inglaterra. Mais rápido, inclusive, que ser irmão, o Bf109. Mas a velocidade de 550km/h não era muito útil em combate, já que o BF 110 era pouco manobrável.

Começa a batalha da Inglaterra.

Em 10 de julho de 1940 a Batalha da Inglaterra finalmente começou, com 60 bombardeiros alemães atacando um comboio de navios britânicos no Canal da Mancha. Mas quando os aviões da Luftwaffe alcançaram o comboio, encontraram com 5 esquadrões do comando de Caça da RAF esperando por eles.

Sem conhecer ainda o sistema Dowding, os alemães se questionavam sobre como os ingleses sabiam onde eles estariam. O resultado foi que afundaram somente um navio britânico, mas perderam 10 de suas aeronaves, aprendendo uma dura lição: Na guerra terrestre, gênios militares como Rommel tinham se mostrado superiores ao Exército Britânico. Mas na guerra no mar, e principalmente no ar, seria uma outra história.

Mas não era isso que chegou aos ouvidos de Herman Goering. Ao invés de apresentar ao comandante da Luftwaffe os resultados reais da batalha, Beppo Schmid informou que as perdas inglesas haviam sido muito maiores, fazendo Hitler acreditar que realmente poderia vencer a RAF facilmente, insistindo na estratégia e intensificando as ameaças de invasão.

Operação Leão Marinho

Acreditando que a derrota Inglesa era certa, em 16 de julho Hitler autorizou os preparativos para Operação Leão Marinho, a invasão da Inglaterra pelos nazistas, preparando na costa da França ocupada barcos adaptados para a travessia do Canal da Mancha e treinando paraquedistas. O objetivo da Leão Marinho era atravessar o canal com quase 500 mil soldados da Wehrmacht.

Em 19 de julho Hitler, em um discurso, fez um novo ultimato à Grã-Bretanha, para negociar ou sofrer as consequências. Liderados por Churchill, os britânicos recusaram a oferta menos de 1 hora depois de ela ter sido feita. E Hitler emitiu uma nova diretriz a Goering, que intensificasse os ataques para destruir as defesas inglesas.

O dia da Águia

Dia da Águia foi o nome que Goering deu à primeira operação que montou para tentar cumprir as ordens de Hitler, bombardeando as bases áreas da RAF ao sudeste de Londres, onde ficava a maior parte dos caças britânicos. O objetivo era, além de destruir os aviões, inutilizar os campos de pouso, para que a RAF fosse empurrada para o interior da Inglaterra e perdesse a capacidade de defender o Canal da Mancha.

Em 13 de julho a operação Dia da Águia foi deflagrada, mas devido aos informes de mau tempo, Goering tentou adiar o ataque. Mas  ao contrário dos britânicos, o comando aéreo operacional da Luftwaffe não era centralizado, alguns abortaram a missão, mas vários bombardeiros alemães chegaram a iniciar o ataque.

Graças ao Sistema Dowding, os ingleses novamente sabiam que os alemães iriam atacar, e reagiram. Mesmo com alguns bombardeiros alemães conseguindo atravessar as defesas e bombardear os campões de pouso britânicos, a RAF deu uma verdadeira surra na Luftwaffe, que teve. 47 aviões abatidos e 86 pilotos mortos, capturados, ou desaparecidos em combate.

A RAF havia perdido apenas 10 aviões, mas Beppo Schmid novamente mentiu para Goering, garantindo a ele que a RAF havia perdido 70 aeronaves.

15 de agosto de 1940, a Quinta Feira Negra ou o melhor dia de todos

Apesar das informações erradas que recebia de sua inteligência, Goering percebeu que sua estratégia não estava adiantando, e resolveu mudar de alvo, bombardeando o Norte da Inglaterra, em Yorkshire.  15 de agosto foi batizado de quinta-feira negra pela Luftwaffe, que perdeu 75 aviões. Churchill, por sua vez, chamou o 15 de agosto de um dos melhores dias da História, já que havia perdido apenas 32 caças e dado nova surra nos alemães.

16 de agosto de 1940, a primeira grande vitória da Luftwaffe

Herman Goering havia entendido que as vitórias anteriores da Luftwaffe, na Guerra Civil Espanhola, e na conquista da França, onde os alemães tinham o domínio completo dos céus,  não eram referência para vencer a Batalha da Inglaterra, e a obstinada resistência da RAF. E mudou de tática.

Ele precisava proteger seus bombardeiros dos caças britânicos, para que eles cumprissem sua missão. Em 16 de agosto de 1940, ele enviou para atacar o Sul a Inglaterra, uma gigantesca força de 84 bombardeiros de mergulho Stuka, escoltados por 214 Messerschmitt 109 e 43 Messerschmitt 110. Os 8 esquadrões da RAF enviados para interceptar foram sobrepujados pelos caças de escolta, e os Stuka fizeram muitos estragos.

A antena de radar de Ventnor, na Ilha de Wight foi posta fora de operação, e a Base Aérea de Tangsmere também foi atingida, tendo todos os seus hangares destruídos e causando 10 baixas entre os britânicos.

Foi a primeira grande vitória da Luftwaffe na Batalha da Inglaterra, sendo que o dia 18 de agosto foi considerado o dia mais difícil para a RAF, a ponto de Churchill ter de se pronunciar para levantar o moral dos britânicos, e louvar a coragem dos pilotos de caça, não somente britânicos, mas americanos, franceses, tchecos e poloneses que arriscavam suas vidas  para defender a Grã Bretanha.

Os Nazistas estavam no caminho de vencer a Batalha da Inglaterra, mas as falhas na inteligência militar impediram que Goering percebesse isso. A Luftwaffe estava derrotando a RAF. Mas sem motivo,  os nazistas mudaram de tática.

Os bombardeios noturnos na Batalha da Inglaterra

O sistema Dowding não era o único uso engenhoso de uma tecnologia em ação na Batalha da Inglaterra. Os alemães haviam inventado um sistema de navegação por rádio chamado Knickbein, que permitia que os aviões da Lutfwaffe voassem à noite, sem depender de mapas, podendo bombardear o alvo que quisessem sem serem localizados pelos observadores britânicos

Em um desses voos noturnos, aviões nazistas que buscavam bombardear a refinaria de petróleo de Thames Haven erraram o alvo, e atingiram East End, no leste de Londres, matando 9 civis. Isso contrariava ordens expressar de Hitler de não bombardear Londres, pois ele considerava isso um ato político, cuja decisão caberia ao Fuhrer.

A Blitz sobre Londres

O ataque contra Londres deu a Churchill a oportunidade de fazer o que ele mais queria. Convencer o Gabinete de Guerra a atacar Berlim, Mas mesmo a capital do Terceiro Reich estando no limite do alcance dos bombardeiros que a RAF tinha na época, na segunda tentativa os britânicos tiveram sucesso.

O número de baixas civis na represália inglesa foi pequena, mas deixou Berlim atônita em saber que estava ao alcance da guerra, desmoralizando o discurso de superioridade dos Nazistas,  ridicularizando  Goering e enfurecendo Hitler, que ordenou que a Luftwaffe mudasse de estratégia, dando uma declaração assustadora: Se os britânicos querem atacar nossas cidades, nós destruiremos as deles.

O objetivo de Hitler não era mais destruir a capacidade da RAF defender a Grã-bretanha, mas bombardear Londres até que o sofrimento levasse os ingleses a se voltarem contra o obstinado Churchill.

Em 7 de Setembro de 1940, 700 bombardeiros alemães atacaram Londres, e os londrinos puderam ver os 21 esquadrões que protegiam cidade tentarem detê-los. Eram combates com mais de 1000 aviões, dos dois lados, nos céus da capital do Reino Unido.

E assim foi durante 57 dias. Os bombardeiros nazistas atacavam Londres durante o dia, e sem dar descanso aos londrinos, voltavam à noite, utilizando o Knickbein.

A população de Londres resiste à Blitz

Incrivelmente, a destruição e o sofrimento causado pelos bombardeios a Londres não levaram a população a se revoltar contra Churchill. Aumentou a popularidade do Primeiro Ministro e a repulsa  que sentiam de Hitler e dos Nazistas. E sua determinação de resistir.

Os Britânicos sabiam que uma invasão por terra estava por vir a qualquer momento. Crianças foram evacuadas para o interior do país porque a população se preparava para a possibilidade de ter de lutar contra os Nazistas dentro do território Britânico.

A Blitz sobre as cidades inglesas foi horrível para os civis britânicos. Mas deu à RAF, até então em seu momento mais difícil, a chance de se recuperar. E isso decidiria a Batalha da Inglaterra.

O Dia da Batalha da Inglaterra

Conforme o tempo passava, mais improvável ficava a realização da Operação Leão Marinho, pois o clima no Canal da Mancha se tornaria muito imprevisível para uma invasão. Goering tinha que partir para o tudo ou nada para provar seu valore a Hitler.

Em 15 de setembro de 1940, Goering,, que tinha informações de que só haviam sobrado duzentos caças à Royal Air Force, e decidiu partir para um ataque decisivo. Mas utilizando uma nova tática chamada Big Wing, a RAF, que havia aproveitado o tempo em que a Lutfwaffe atacou Londres para se recuperar, estava em maior número, e infligiu uma derrota avassaladora à Lufwaffe, derrubando 56 aviões alemães, e perdendo apenas 28. 2 para 1.

Foi depois dessa derrota que Hitler percebeu que a Luftwaffe não conseguiria derrotar a RAF, e a Operação Leão Marinho, a invasão da Inglaterra pelos nazistas, foi definitivamente impedida.

Consequências da Batalha da Inglaterra

A Luftwaffe nunca se recuperou totalmente da derrota na Batalha de Inglaterra, porque ela não perdeu somente aviões.  Perdeu pilotos e  tripulantes  treinados, que jamais conseguiria recuperar, e que fizeram falta à Wehrmacht em  momentos decisivos, como na Batalha de Stalingrado e no Dia D, que foram momentos decisivos da virada da Guerra a favor dos Aliados, até a rendição da Alemanha

Mas se tivesse perdido, e os Nazistas invadido a Inglaterra, todo o desenrolar da Segunda Guerra Mundial, poderia ser tão diferente que nem há como fazer conjecturas. O que é certo é que ao vencer essa batalha, a RAF permitiu que a Grã Bretanha continuasse lutando, mesmo sem uma perspectiva de vencer, com o tempo e as circunstâncias trazendo para o lado dos britânicos os norte-americanos, soviéticos, o que definiu a Guerra.

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