Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo HQ 28.08.2010 28.08.2010

Barba Negra e editora LeYa lançam selo para quadrinhos

Por Bruno Dorigatti

Quem presta atenção aos quadrinhos nacionais conhece S. Lobo e o seu trabalho, primeiro com a revista Mosh! e depois com a Desiderata, editora hoje pertencente ao grupo Ediouro e que vem editando bastante coisa boa da história do humor brasileiro, como as antologias do Pasquim, os livros do Jaguar, Millôr, Ivan Lessa, Henfil, Nani,  além da nova geração de quadrinistas, compilada em coletâneas como Irmãos Grimm em quadrinhos (2007) ou em álbuns solo de Allan Sieber, André Dahmer, Rafael Grampá e Fábio Lyra, entre outros. 

Agora, a editora de Lobo, Barba Negra, em parceria com o designer gráfico Christiano Menezes, da Retina 78, e com a editora portuguesa LeYa lançam o selo LeYaCult, que estreia com quatro publicações, três voltados aos quadrinhos, tiras e humor gráfico, e a outra ao humor. São elas O relatório Ota do sexo, de Ota, responsável por muitos anos pela edição brasileira da revista Mad, Mundinho animal, de Arnaldo Branco, , de Jean, e Na Kombi, de Silvio Lach e Ulisses Mattos. Todos os lançamentos saem com 120 páginas coloridas, 5 mil exemplares e preço de R$ 12,90. “Eles são pocket só no tamanho”, explica Lobo. “E batalhamos por este preço também, a proposta era essa, manter a qualidade. Até porque o pessoal acha que pocket é uma coisa menor, em papel jornal. A intenção não é essa, mas que ficasse mais charmoso, com um preço possível”, acrescenta Christiano. 

Além de fazer o registro desta tradição do humor brasileiro em compilações como estas que inauguram o selo, o LeYaCult pretende lançar histórias inéditas, escritas e desenhadas exclusivamente para a parceria, além de traduções como a graphic novel de David Small, Cicatrizes, e Zahra´s Paradise, que vem sendo publicada on-line por dois iranianos e vira livro em 2011, quando a história for finalizada.   [Leia mais sobre este work in progress aqui]  

“A Mariana Rolier, editora da LeYa, me contatou propondo a parceria, para começarmos a editar quadrinhos. Nesse meio tempo, estava conversando com o Christiano sobre outros trabalhos e decidimos abrir junto a editora e fazer esta parceria com a LeYa”, explica Lobo. 

Christiano explica que a Retina 78 não se envolverá na parceria, mas sim ele, como editor e ilustrador. “A Retina segue o seu caminho, essa busca pelos quadrinhos independe da rotina do escritório”, diz. Segundo Lobo, Mariana chegou com sugestões bastante interessantes, como as adaptações de peças de teatro de Plínio Marcos e Mário Bortolotto, o que o motivou a fechar o acordo.

Sobre as duas vertentes do Barba Negra/LeYaCult, Lobo acredita que essa pegada do humor é muito importante no Brasil: “E hoje em dia a internet é um campo livre para o humorista ou pro cara que está tentando. É legal quando ele tem um bom trabalho ganhar as páginas do livro. Ainda é uma chancela”. Já as graphic novels demandam um tempo de produção mais longo e um esforço mais concentrado. Além disso, são apostas talvez mais arriscadas, pois a turma do humor já tem um público fiel ao seu trabalho, seja nos jornais e revistas onde publicam, sem falar nos blogs e sites. Mas o cuidado com ambos os trabalhos será igual, até porque as tiras semanais que aparecem em um site precisam ser compiladas e organizadas, passar pelo filtro dos editores.

No momento, o selo trabalha com uma perspectiva de três anos, já que geralmente uma graphic novel consome um ano de trabalho para a sua criação. “Tem roteiro que está sendo escrito, outros estão sendo desenhados e alguns, finalizados”, adianta Lobo. A conversa com a editora portuguesa começou em janeiro, quando já se iniciaram alguns processos de produção. O Barba Negra/LeYaCult também vai lançar livros sobre cultura pop, muito próximos dos quadrinhos, quase uma extensão natural. Um deles é o livro de receitas do “Larica Total”, programa de culinária do-it-yourself, apresentado pelo ator Paulo Tiefenthaler, na verdade uma sátira espirituosa aos programas dedicados à comida e exibido semanalmente pelo Canal Brasil.

Apesar das traduções, o foco será o autor nacional, garantem os editores. Ainda este saem mais oito coletâneas de humor e um graphic novel inédita.

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