Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Música 17.11.2011 17.11.2011

Banda He Saike quer um novo jeito de fazer rock

 
Por Míriam Castro
 
"Meus dias não foram os mesmos depois que perdi você/ O tempo passava, a vida parava e a felicidade pra esquecer". Assim começa a letra de 'Dias e Noites', primeiro videoclipe da banda He Saike.
 
Do mesmo modo, a vida dos quatro integrantes também está mudada – mas para melhor.
Já famosos na internet, Bruno Saike (vocal), Goreio (baixo), Junior (guitarra) e Lê (bateria) caminham em direção ao sucesso no mainstream.
 
Atualmente, trabalham em uma parceria com o rapper Thaíde. Como resultado, o single 'Acabar com Tudo' já está disponível para download. Os membros pretendem misturar características de outros estilos ao tradicional pop/rock. “O rock está em um momento muito bom, não é hora de segmentar o estilo, mas ampliá-lo”, diz Bruno Saike. “O Brasil não é um país essencialmente roqueiro. Temos que unir todas as tribos para fortalecê-las”.
 
Quem pergunta as influências da banda pode se surpreender com a resposta: no rock, Blink-182, Paramore, Foo Fighters, Ramones; no pop, Katy Perry e Beyoncé. “Não temos medo de preconceito. Temos que ouvir de tudo e filtrar o que é bom”, justifica o vocalista, que começou no rock por influência da banda Guns N’ Roses.
 
Em 7 anos, esta é a 13ª formação da He Saike. Os únicos membros originais são Bruno e Goreio, que tem esse apelido porque era assim que falava a palavra “goleiro” quando criança. No começo, Goreio fez de tudo para participar da banda. “Quando soube que estavam precisando de bateristas, comprei uma bateria velha, horrível, e a carreguei a pé até minha casa”, conta o atual baixista. No lugar da pele, o instrumento tinha uma camiseta da banda The Offspring.
 
Apesar do esforço, Goreio foi reprovado como baterista. Não desistiu e reapareceu três dias depois com um baixo recém-adquirido. “Ele queria muito entrar no grupo, não tínhamos como rejeitá-lo de novo”, lembra Bruno. “Se falássemos que a banda estava precisando de uma cuíca, ele compraria uma e aprenderia a tocar”.
 
A banda He Saike com Thaíde
 
O nome He Saike foi ideia de Bruno Saike – cuja alcunha verdadeira é Bruno Bellini – “Quer dizer ‘todo-poderoso’ em tupi-guarani”, diz o vocalista. “A banda não queria usar nome em inglês, mas também não apreciava a ideia de ter um em português. Achei uma solução bem brasileira”, brinca. Por mais que gostem do nome, Bruno admite que alguns fãs têm dificuldade em compreendê-lo. “Gostamos de dizer que quem acertar a pronúncia ganha uma garrafa de tubaína”.
 
Embora ainda sejam parte de uma banda independente, os integrantes da He Saike fazem sucesso entre o público teen, principalmente por causa das redes sociais. A maioria dos fãs, de acordo com os músicos, tem entre 13 e 19 anos e usa a internet assiduamente.
 

No Twitter, o número de seguidores surpreende: atualmente, são cerca de 92 mil – só 3 mil de diferença para a banda de screamo Gloria, que está na Arsenal Music, mesma gravadora de NX Zero e Titãs. “Fazemos muitas promoções e interagimos o tempo todo com nossos fãs”, diz Goreio.

Bruno acredita que as mídias sociais modificaram o modo de relacionamento ídolo-fã. “Antigamente, você ficava a vida inteira tentando falar com seu músico preferido. E nem sempre tinha sucesso. Com o Twitter, é possível ficar muito mais perto dos ídolos, saber novidades e dar opiniões”. Durante as férias de julho, os integrantes pediram para que os fãs tuitassem o nome da banda. Naquele dia, He Saike entrou para os Trending Topics brasileiros, aumentando ainda mais o número de seguidores.
 
Mas a vida virtual também tem confusões. Quando ainda tinham cerca de 70 mil seguidores, fizeram uma promoção que concederia um encontro com a banda a um fã. Era só para residentes de São Paulo. Uma seguidora foi sorteada e enviou o número de celular. Quando telefonaram para conhecê-la, atendeu uma menina paulistana de outro nome, enquanto a vencedora original era de Curitiba e tinha esquecido de informar o código DDD. “O curioso é que, por coincidência, a menina para quem ligamos sem querer em São Paulo também era fã da banda”, diz Bruno.
 
Sobre gravar um CD, Bruno diz: “Seguimos o caminho que está sendo trilhado lá fora: um single atrás do outro. Para que lançar um álbum completo se o fã vai comprar apenas por causa de uma música?”. Até hoje, a He Saike não tem um álbum gravado, apenas singles. Começou assim por falta de dinheiro, mas eles acham melhor continuar dessa maneira.
 
Quanto ao futuro, os membros têm certeza do crescimento. “Começamos tocando em casas vazias, sem camisa e com cabelo comprido. Por enquanto, não temos gravadora ou selo, mas nos comparamos a bandas do mainstream em quantidade de fãs”, garante Bruno, porta-voz da todo-poderosa He Saike.
 
 
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