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Aydar segue no show Cavaleiro Selvagem sonoridade de seu melhor CD

Por Mauro Ferreira do Blog Notas Musicais
Resenha de show
Título: Cavaleiro Selvagem Aqui te Sigo
Artista: Mariana Aydar 
Local: Auditório Ibirapuera (São Paulo, SP)
Data: 23 de março de 2012
Cotação: * * * *
 
É a partir de uma árvore do Parque Ibirapuera que Mariana Aydar caminha, ao ar livre, já cantando, para subir ao palco do Auditório Ibirapuera. Em cena, a artista se embrenha na floresta de sons arquitetados por Duani Martins e pelo maestro Letieres Leite, produtores e arranjadores do terceiro e melhor CD da cantora e compositora paulista, Cavaleiro Selvagem Aqui te Sigo (Universal Music, 2011).
 
Fiel ao disco, do qual toma inclusive o nome, o show Cavaleiro Selvagem Aqui te Sigo se situa no mesmo alto nível do CD. Ao menos na forma e no conteúdo apresentados em sua estreia em São Paulo (SP), no Auditório Ibirapuera, em apresentação valorizada pelas participações do rapper Emicida (no rap da música Cavaleiro Selvagem, parceria do MC com Aydar), da violoncelista Patrícia Ribeiro e do arretado cantor e compositor alagoano Edson Duarte, parceiro de Chico Xavier em O Homem da Perna de Pau, forró que ganha toques de carimbó na releitura de Aydar.
 
Em seus momentos iniciais, a apresentação de 23 de março de 2012 pareceu morna, sem energia, o que fez a abordagem de Galope Rasante (Zé Ramalho) ficar abaixo do nível do show. Que foi alçando voo cada vez alto à medida que avançava.
 
A riqueza de timbres extraídos pela banda – que incluía Guilherme Held na guitarra – ressaltou a atmosfera indie do projeto, pondo pressão roqueira no samba Vai Vadiar (Alcino Corrêa e Monarco) e na forrozeira Tá? (Pedro Luís, Roberta Sá e Carlos Rennó). Do figurino à luz, o show resulta singular.
 
Segura em cena, Aydar pôs sua voz a serviço da sonoridade. Mais do que o repertório em si e mais do que as interpretações, os arranjos é que fazem o show crescer – tal como no irretocável disco. O arranjo  orquestrado por Letieres Leite para Não Foi em Vão (Thalma de Freitas), por exemplo, é genial – com o diferencial de ter o próprio Letieres na flauta.
 
Dentro dessa atmosfera refinada, às vezes experimental, Peixes (Nenung) e Beleza (Luisa Maita e Rodrigo Campos) –  músicas do segundo álbum de Aydar, Peixes Pássaros Pessoas (2010) – se renovam ao serem ajustadas à sonoridade do show. Mas é Araçá Azul (Caetano Veloso, 1973) que alça o voo mais alto, rasgando o céu ao expandir o tom climático de Floresta (Guilherme Held, Mariana Aydar e Tiganá Santana), número que ganha o toque do violoncelo de Patrícia Ribeiro.
 
No bis, o xote Preciso do Teu Sorriso (João Silva e Enok Virgulino) se ressentiu da ausência de Dominguinhos, convidado da gravação de estúdio. Em contrapartida, o forró de tom nortista O Homem da Perna de Pau encerrou o show com vivacidade até então inédita – inclusive por conta da participação do arretado Edson Xavier. Vale a pena se embrenhar pela floresta de texturas e sons orquestrada por Mariana Aydar em cena sob a batuta dos cavaleiros Duani Martins e Letieres Leite. Siga-os!
 
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