Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 08.07.2011 08.07.2011

Avanços científicos ofuscam os modernistas no segundo dia da FLIP

Por Marina Fidalgo
Foto: Monstro Filmes
 
O modernismo deu espaço para a ciência no segundo dia da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty). A mesa mais concorrida do dia foi a do neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis (foto) e do filósofo e ensaísta Luiz Felipe Pondé. Eles discutiram O Humano Além do Humano. O encontro tinha como um dos objetivos abordar os dilemas éticos para os quais confluem a ciência e a filosofia.
 
O tema é complexo, mas temáticas elaboradas não são problema para Nicolelis. Ele desenvolve pesquisas inovadoras no campo das neuropróteses – interfaces entre o cérebro e a máquina. Por seu trabalho que pode levar a recuperação de pessoas com paralisia severa, Nicolelis se tornou um forte candidato ao prêmio Nobel.
 
Ele lançou recentemente o livro Muito Além do Nosso Eu (Companhia das Letras), que expõe como o cérebro cria o pensamento e a noção que o ser humano tem de si mesmo, e como isso pode ser incrementado com o auxílio das máquinas.
 
Em sua apresentação na Flip, mostrou vídeos surpreendentes que mostram o cérebro primata se libertando dos limites físicos do corpo. São imagens impressionante, como ver o avatar de um primata realizando ações somente com o pensamento – o cérebro intervindo no mundo sem o auxílio do corpo.
Mas foi ao falar de um sonho que pretende realizar por meio de seu trabalho que ele realmente se emocionou: Nicolelis almeja que o chute inicial da Copa do Mundo de 2014 seja dado por uma criança com paralisia. Seria o primeiro gol da ciência brasileira para toda a humanidade.
 
Mesmo com tantos avanços tecnológicos, para o neurocientista não há possibilidade nenhuma de uma máquina ter o mesmo nível de consciência que o nosso – com todas as emoções. Cada ser humano tem um romance de vida que não conseguirá ser computado.
 
Já com seu humor irônico, Pondé expôs seu ponto de vista sobre o assunto. Para ele, a ideia do "muito além do humano" pode ser uma tentativa de se construir algo além do que se imaginava que o homem podia fazer. A fronteira entre a ciência e a religião parece distante, mas nunca foi. Elas sempre se cruzam. A ciência se transforma em uma grande esperança para o ser humano, pode servir como alento para algumas pessoas.
 
Ao final do evento, os admiradores de Nicolelis, em meio ao vento frio da noite, esperavam com o livro embaixo do braço pelo seu autógrafo e também para trocar algumas ideias sobre neurociência, é claro.
 
Mas qual o segredo para cativar os leitores e levar esse conhecimento elaborado ao grande público de maneira acessível?
"Ser filho da Giselda Nicolelis. Eu cresci com ela escrevendo. Quando você tem uma mãe que escreveu centenas de livros para crianças, alguma coisa passa por osmose" disse Nicolelis ao SaraivaConteúdo sobre a influência da mãe escritora no seu trabalho literário.
Recomendamos para você