Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 24.11.2014 24.11.2014

Augusto Cury lança romance juvenil que define como “um grito de alerta”

Por Marina Fidalgo
O autor mais lido da década no Brasil, com diversos títulos no segmento popularmente conhecido como autoajuda, decidiu conquistar novos leitores e se lançar pelo universo da literatura fantástica. Augusto Cury lança Petrus Logus, O Guardião do Tempo (Editora Saraiva), um romance com foco no público juvenil que traz elementos de um dos gêneros literários mais populares do momento, com aventuras que passam por um túnel do tempo e fendas cósmicas.
Para Cury, observar que nós estamos não apenas destruindo os recursos naturais, mas também os recursos emocionais, foi um dos fatores que o inspiraram a escrever o livro. “As pessoas consomem cada vez mais produtos e serviços, e não ideias. A humanidade está entristecendo rápido na era da indústria do lazer e a juventude mundial está se tornando, com as devidas exceções, repetidoras das informações, e não pensadoras”.
No livro, a trama gira em torno do jovem Petrus Logus. Com o colapso dos recursos naturais, a humanidade foi obrigada a lutar por sua sobrevivência, e após a Terceira Guerra Mundial e uma reestruturação social, surge o Reino de Cosmus. Petrus, o filho do rei, começa a questionar as decisões do pai, como a proibição da propagação do conhecimento, com a abolição dos livros e das escolas, e a partir daí luta por um novo mundo.
A obra acaba de ser lançada, mas, segundo Cury, os originais de Petrus Logus já foram pedidos por grandes estúdios de cinema, e uma continuação do título também é esperada. “Vai ter sequência, mas o final é um grande segredo, que nos levará a fortes emoções”.
No livro você diz que, se toda a população mundial entrasse no padrão de consumo da classe média dos países mais ricos, seriam necessários três planetas Terra para suprir suas necessidades. Realmente acredita que estamos caminhando para esse tipo de caos? Acha que as medidas educacionais atuais são suficientes para alertar as pessoas ou seria necessário algo mais drástico para as pessoas perceberem que é real?
Augusto Cury. Sim, estamos caminhando para esse tipo de caos. Estamos armando uma armadilha para nossos filhos e netos. O preço dos alimentos triplicou nos últimos 7, 8 anos (em dólar); há alteração climática, catástrofes, secas em determinadas áreas e tempestades em outras. Petrus Logus é um grito de alerta para a juventude mundial que tem de se levantar da condição de consumista para procurar ajudar a salvar o planeta. A literatura e o cinema podem contribuir para estimular a consciência crítica, e as escolas também devem participar ativamente dessa tarefa.
Acredita que o nível alto de consumo atual é tão nocivo como aponta no livro?
Augusto Cury. É extremamente nocivo. As pessoas consomem cada vez mais produtos e serviços, e não ideias. Estamos na era do fastfood emocional e intelectual, tudo rápido e pronto, não equilibramos os polos da existência, dor e satisfação, sucesso e fracasso, aplausos e vaias. Só queremos o sucesso, a satisfação e os aplausos. Estamos vivendo a superficialidade socioemocional.
Que fraquezas e virtudes o personagem Petrus Logus tem em comum com os jovens de hoje em dia?
Augusto Cury. Petrus é irritadiço, tenso, ansioso, impulsivo, trabalha mal as contrariedades, mas ao mesmo tempo é generoso, altruísta, tem uma grande vontade de contribuir para fazer os outros felizes, ama a justiça social e considera que a maior função de um ser humano não é ser líder do mundo de fora em primeiro lugar, mas liderar a sua mente, gerenciar os seus pensamentos e administrar os seus estresses. Ele tem um caso de amor com a humanidade, não pensa apenas como um ser humano individual ou como um “carta dos nobres”, mas pensa como espécie humana. Ele é um revolucionário, instiga as pessoas a olharem dentro de si, romperem seu aprisionamento egocêntrico, e cria pontes com a sociedade para deixar de ser mais um número na multidão e se converter em um autor social que faz a diferença por onde anda e com quem convive. As características que ele tem em comum com os jovens são seu desejo de pertencer a um grupo, o maior de todos os grupos: a humanidade; o desejo de reciclar as injustiças sociais e lutar por um mundo melhor.
De alguma maneira, adotando uma linguagem de romance, você acredita que o livro pode ser uma “autoajuda” para os leitores adolescentes?
Augusto Cury. “Autoajuda”, não. Espero despertar a consciência crítica, quero que todas as aventuras de Petrus Logus também instiguem os jovens a saírem do cárcere da rotina, do conformismo, a necessidade neurótica de evidência social, e os levem a serem pensadores, e não consumistas vorazes.
O psiquiatra e autor de best-sellers como Nunca Desista de Seus Sonhos, entre outros, lança Petrus Logus, O Guardião do Tempo
Acha que os pais, que são seus leitores, vão acabar comprando o livro para seus filhos adolescentes? Como pretende se relacionar com esses novos leitores?
Augusto Cury. Eu sonho que os pais não só comprem o livro, como debatam as ideias transmitidas pela história em casa, nas salas de aula, nas universidades, nas instituições religiosas e nas empresas. Petrus Logus é um livro que vai nos levar a rir e chorar, mas também a pensar muito. Pretendo me relacionar com esse novo público, estimulando-os a conhecer o mais importante universo, o universo chamado “mente humana”, levando-os a entender que se a sociedade nos abandona a solidão é suportável, mas se nós mesmos nos abandonamos ela é intolerável.
A literatura fantástica é um gênero muito popular atualmente. Quais elementos desse estilo levou para o seu livro?
Augusto Cury. Levei vários elementos, entre eles o túnel do tempo, fendas cósmicas, contato com os seres humanos do final do século 22 para o 21, 4 a.C. Petrus Logus é um viajante do tempo, ele conquistou um dos maiores de todos os direitos: adquirir a experiência e o conhecimento dos grandes personagens da História. Ele aprendeu a lutar como ninguém, mas também aprendeu a fazer poesia. Ele faz discursos arrebatadores, mas também tem a delicadeza de um artista plástico. É tachado como louco, insano e debochado por todos, mas ao mesmo tempo seu raciocínio é afiado como o de poucos que pisaram na historia da humanidade.
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