Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 30.11.-0001 30.11.-0001

Atuação de Natalie Portman é ponto alto de ‘Cisne negro’

A atuaçãode Natalie Portman em Cisne negro é realmente arrebatadora, inspirada,impecável. Vai do sutil a um (por vezes) necessário “overacting” num piscar deolhos. Seu ótimo desempenho, é claro, deve-se em parte à segura direção deatores de Darren Aronofsky (vide Mickey Rourke em O lutador , 2008). Infelizmente, deve-se a também ele – e a seustrês roteiristas – alguns pontos fracos do filme que, tentando não entregarmuito do enredo, comento adiante.

Portmanvive Nina, jovem bailarina cujo sonho de perfeição é reflexo (doentio) diretoda “mão pesada” de sua mãe autoritária, Erica (a ótima Barbara Hershey, quaseirreconhecível pós-plástica), uma mulher que desconta na filha a frustração deela mesma ter abandonado os palcos para criá-la.

Nina temum grande desafio pela frente: com a “aposentadoria” forçada da primeirabailarina de sua companhia, Beth (Winona Ryder), ela tem a chance de viver opapel principal do clássico O lago doscisnes. Thomas Leroy (Vincent Cassel), o diretor do grupo, vê nela a bailarinaperfeita para o papel do delicado Cisne Branco. Mas para o segundo papel, doCisne Negro, percebe que sua fragilidade quase infantil – outra “herança” damãe – a impede de explorar o lado mais sombrio do espetáculo.

Aronofsky,que já havia dado a entender que tinha um pé na metafísica no estranhíssimo  Fonte da vida (2006), parece retornar aela ao retratar o crescendo de loucura de sua protagonista. E aí peca comimagens que não combinam com a atuação contida e precisa de Portman. Falamosaqui não só de efeitos especiais (!), mas também de expedientes que nos lembrammais um filme de suspense do que um drama. Ou ainda… um drama nos moldes deRoman Polanski, em início de carreira, num filme como Repulsa ao sexo. Eesse é só um dos filmes que parecem ter “influenciado” Cisne negro

E mais: ointeressante enredo, que mistura relações familiares, sexualidade, as ilusões edesilusões da arte etc., perde parte do impacto com  suaves, mas constantes tintas “moralizantes” emaniqueístas. De Réquiem para um sonho(2000) pra cá, parece que Aronofsky ficou… careta.

Vejaabaixo um trailer legendado de Cisnenegro, já em cartaz.

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