Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 29.10.2012 29.10.2012

Atores apostam em papéis diferentes dos que renderam fama na TV

Por Andréia Silva
 
Quando o assunto são as séries de TV norte-americanas, percebe-se que poucos atores se arriscaram em papéis muito diferentes daqueles que os consagraram no início da carreira. Os motivos são variáveis, desde a falta de um bom papel a uma opção consciente. Por outro lado, para alguns deles, interessa se descolar da imagem de um personagem de sucesso, embarcando em outro completamente diferente. Bons exemplos não faltam atualmente.
 
Um dos casos mais recentes é o do ator Eric McComarck, o Will da série Will & Grace. O ator deixou o lado cômico para protagonizar Perception, nova série da TNT cuja primeira temporada estreou em julho deste ano. O sucesso foi tamanho que o programa já teve os episódios da segunda temporada encomendados para 2013.
 
Na série, ainda sem previsão de estreia no Brasil, McCormack interpreta o neurocientista Daniel Pierce, um professor que ajuda o FBI a solucionar crimes. Mas ele não é um simples professor. Pierce é esquizofrênico, o que dá a ele uma percepção diferente dos crimes e criminosos que cruzam seu caminho. Pouco antes da estreia, em julho, McCormack disse que sua intenção no seriado era distanciar-se ao máximo de Will.
 
O jornalista Paulo Serpa, editor do TeleSéries, site especializado em séries de TV, acha que essa mudança é bem-vinda, mas também uma tarefa difícil.
 
Assista ao teaser de Perception
 

 
"Vale lembrar que McCormack não acertou de primeira. A questão é que uma série envolve centenas de variáveis. Um ator carismático com um bom papel são apenas duas dessas variáveis. Às vezes você consegue juntar isso, e ainda assim dá errado", diz Serpa, que lembra que o ator já havia tentado se distanciar do personagem Will em 2009 na série Trust Me, sobre o dia a dia de uma agência de publicidade, mas o sucesso não foi o esperado.
 
Atualmente, entre os atores que estão no ar com personagens bem diferentes daqueles que os lançaram à fama estão Debra Messing, a Grace, de Will & Grace, que hoje está em Smash; Thomas Gibson, o Greg do cômico Dharma & Greg, que vive o agente Hotchner em Criminal Minds; Joshua Jackson, o eterno Pacey de Dawson's Creek, hoje em Fringe; e o ator David Boreanaz, o Angel de Buffy – A Caça Vampiros, hoje na série policial Bones, só para citar alguns.
 
Na hora de se reinventar, a receita parece depender de cada caso. “Tem o fator ‘tempo’ (não pegar outro trabalho muito rapidamente) e a qualidade do novo projeto”, diz Serpa, lembrando que a mudança no papel não implica sucesso.
 
Sergio Maggi, editor do Papo Série, coluna online do jornal O Globo, é da opinião de que “mudanças são necessárias” tanto para os atores quanto para as séries. “Existe um esgotamento, e em algum momento é preciso terminar. Às vezes, a transição do ator que fica muito marcado por um papel é complicada. Não à toa, anos atrás se falava da maldição de Seinfeld, porque os atores não emplacavam nenhum papel após o fim do seriado”.
 
Coube a Julia Louis-Dreyfus, a Elaine de Seinfeld, encerrar a maldição de vez, primeiro com The New Adventures of Old Christine, e agora com Veep, sempre apostando na veia cômica. 
 
SUCESSO DOBRADO
 
Quando pensa em um caso de sucesso ou ator que melhor se reinventou na TV, Serpa cita David Duchovny, o ex-agente Fox Mulder de Arquivo X, série que ficou no ar de 1993 a 2002.
 
“A imagem dele ficou muito colada nos anos 90 com Arquivo X, que é um dos shows mais cultuados da história da TV. E ele saiu de lá, tentou emplacar sem sucesso uma carreira no cinema e voltou em 2007 com uma proposta meio alternativa – diria até meio por baixo–, com Californication, como um escritor com bloqueio criativo, mulherengo e em crise de meia-idade”, diz Serpa.
 
David Duchovny em 'Californication'
 
Outro exemplo de sucesso vem de outro ícone das séries de TV dos anos 90: Kelsey Grammer, o ex-protagonista de Frasier, hoje no drama Boss.
 
“Estou fascinado por Boss. Outra reinvenção fantástica. O Kelsey Grammer por 20 anos foi o Frasier. Terminou a série e fracassou fazendo outras sitcoms. Agora se encontrou em um drama em que vive um personagem sofisticado, difícil – um prefeito, corrupto, que descobre que possui demência”, comenta Serpa.
 
Já a dupla de sucesso de Maggi traz nomes de peso e acostumados a tramas sombrias na TV: Michael C. Hall, que hoje está na pele do serial killer Dexter, mas que antes "esteve perfeito como o gay David Fischer, um dos donos da funerária em Six Feet Under"; e Bryan Cranston, "premiado pelo excelente trabalho como o professor que mergulha no submundo do crime em Breaking Bad, mas que no passado foi um abobalhado pai na série cômica Malcolm in the Middle".
 
Outros bons exemplos citados pelo jornalista são Michael Emerson, o Ben de Lost, agora em Person of Interest, e Julianna Margulies, “que, depois de E.R., andou perdida em alguns papéis ruins no cinema, mas se reencontrou em The Good Wife".
 
UMA NOVA MALDIÇÃO?
 
Assim como os protagonistas de Seinfeld, parte do elenco de Friends que se arriscou em outras séries de TV não chegou nem perto do sucesso alcançado no antigo seriado. Sem largar a veia cômica, Matt LeBlanc, Courtney Cox e Matthew Perry fizeram trabalhos de pouco destaque e que agradaram pouco à crítica.
 
                                                                                                                            Crédito/ Divulgação NBC
Matthew Perry com o elenco da série 'Go On'
 
E por falar em Perry, os ex-Chandler de Friends está de volta com a série Go On, na pele do locutor esportivo Ryan King, que recentemente perdeu a mulher em um acidente de carro e foi obrigado pelo chefe a participar de dez sessões de terapia em grupo antes de retornar ao batente. Embora os primeiros episódios tenham tido uma boa audiência, Maggi não vê o papel com muito futuro.
 
“Perry não está indo bem. Antes, também não esteve bem em Mr. Sunshine, que só durou uma temporada. Mas ele esteve muito bem na excelente Studio 60 on the Sunset Strip, de 2007. Essa é uma das séries que você não entende por que só durou uma temporada”, diz.
 
Pelo visto, resta a Perry tentar dar longa vida à sua mais nova empreitada para evitar uma nova versão da maldição, desta vez, a maldição Friends.
 
 
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