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As reinvenções de Madonna

Por Andréia Silva
 
Ela já foi morena e já teve cabelos lisos e encaracolados. Romântica, pop, roqueira, ousada, sensual, vestida dos pés à cabeça. Política, irônica, engraçada. Mulher, mãe, cantora. No palco, já foi de sedutora a samurai, de gótica a boxeadora, do country ao estilo universitária. 
 
Talvez um dos segredos do sucesso de Madonna, tanto comercial quanto no número de hits ao longo da carreira, seja justamente a capacidade de mudar. Pelo menos para os fãs, toda essa metamorfose pela qual a cantora sempre passa a cada trabalho a torna muito mais interessante.
 
“Sou da época em que Madonna dançou em uma cama em pleno Maracanã (durante a primeira passagem dela pelo Brasil, em 1993). Além da música e da atitude, você nunca sabe o que pode esperar. Aliás, você espera de tudo”, diz a bibliotecária Marinês Soares Martins, 46, fã de longa data de Madonna e que, até hoje, não perdeu nenhum show da cantora no Brasil. 
 
Ao falar dos momentos de transição de que mais gosta na carreira da cantora, Marinês cita os álbuns Like a Prayer, Ray of Light e Hard Candy. “Esses discos, para mim, refletem mudanças na sonoridade e na atitude da cantora. Pensando fora desses elementos, há outros que contribuem para esse pano de fundo, como separações, momento político… tudo pode inspirar essa transição”.
 
O ano de 1989 marcou uma primeira reinvenção. Recém-separada do ator Sean Penn, Madonna fez de Like a Prayer um disco muito autoral e ligado ao seu momento pessoal. Levantou questionamentos, polemizou com a religião e emplacou seis músicas. A capa do álbum não trazia a foto da cantora, como de costume, sem contar que os cabelos curtos, loiros e encaracolados foram substituídos por longos cabelos pretos.
 
Em 2008, a cantora se reinventa inspirada no R&B, com o luxo e exageros deste universo
 
A turnê que promoveu o disco, a "Blond Ambition", também marca um novo momento na carreira de Madonna. Ao contrário das turnês anteriores, ela traz um conceito mais teatral e coreografias mais elaboradas.
 
Fábio Freire, presidente do fã-clube Estilo Madonna, liga as fases de reinvenção da artista a temas abordados em cada fase de seus trabalhos. "Cada época e geração tem um ponto em que Madonna se destaca, seja no feminismo da década de 80, na religiosidade e na cultura sexual da década de 90 ou ainda na motivação política da geração de 2000”, comenta.
 
No final dos anos 90, a popstar passou por um novo momento de transição, com o disco Ray of Light, em 1998. O trabalho marca uma importante mudança na vida pessoal de Madonna: foi o primeiro depois de ser mãe. Lourdes Maria, sua primeira filha, nasceu em 1996, mesmo ano em que a cantora protagonizou o filme Evita, pelo qual ganhou um Globo de Ouro. Musicalmente, coloca a música eletrônica como principal influência. A mudança também foi no visual.
 
“Ela vinha de duas décadas totalmente sensuais. A partir de Ray of Light, esse tom muda. Ela não deixa de ser provocativa, de instigar e usar a sensualidade, mas passa a fazer isso de outro jeito, com mais glamour. Talvez reflexo da maternidade”, diz Marinês.
 
Madonna na fase do disco 'Erotica', sexualidade à flor da pele
Madonna no início dos anos 80, com um look a la Marilyn Monroe, cabelos curtos e encaracolados
 
A mudança de imagem aconteceu principalmente depois que começou a estudar a doutrina da cabala, vertente mística do judaísmo.
 
Depois, em Hard Candy, Madonna faz uma retomada do que já havia feito em meados dos anos 90 com o disco Bedtime Stories, tanto na sonoridade quanto na estética. Incorpora influências do R&B e abre o leque de parcerias com artistas mais jovens. Curiosamente, na época do álbum, ela estava se separando mais uma vez, dessa vez do cineasta Guy Ritchie.
 
Assim como no disco atual, MDNA, que musicalmente segue a linha aberta em Hard Candy, Madonna trabalhou com artistas que hoje compõem o cenário competitivo da música pop e outros. "Hoje é um cenário de muito mais parcerias do que antes entre os artistas, e Madonna soube entrar nessa. Desses últimos trabalhos, acho que a parceria com a cantora M.I.A. foi uma das que mais me surpreendeu. Não achava possível", diz Marinês. Ao longo desses 30 anos, se tem uma coisa que Madonna já provou é que nós nunca devemos duvidar dela.
 
 
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