Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 11.01.2010 11.01.2010

As páginas de Nazarian

Por Vinicius Valente
Foto de divulgação

> Assista à entrevista exclusiva de Santiago Nazarian ao SaraivaConteúdo 

Santiago Nazarian cresceu em uma família voltada para a arte. O autor é filho de um artista plástico e uma escritora. Além de produzir obras literárias de estilo “dark”, opaulistano de 1977 consegue ainda reservar tempo para seus trabalhos de traduçãoe para postar textos em seu blog.

“Estou commuito trabalho. Está muito difícil de escrever. Tenho feito 200 páginas detradução por mês. É muita coisa. Eu vivo de tradução e mais uma palestra aqui,outra ali, venda dos livros. Já o blog, quem vê de fora acha que me exponhomais do que eu realmente me exponho. Por exemplo, é raro eu colocar um filmeou uma peça que eu não gostei. Essas coisas todas ficam escondidas”, declara o escritor.

Em 2003, o autorjá tinha dois romances escritos, porém não havia publicado nenhum. Foi quandoresolveu inscrever-se para o prêmio Fundação Conrado Wessel de Literatura, doqual sagrou-se campeão. A premiação foi a porta de entrada para o meioliterário, cenário que era, até então, totalmente novo para ele.

“Já escreviae gostava, mas também nunca tinha tentado publicar. Achava que as editoras nãopublicavam jovens autores. Não sabia nem o que estava acontecendo. Não fazia blog.Ganhei o concurso, daí fui jogado de pára-quedas no meio e fui atrás decomo se fazia, como a coisa funcionava”, relembra.

Nazarian possuicinco livros publicados. O primeiro, Olívio (Talento, 2003), conta a história de umjovem simples e conformado, que conhece um escritor meio perverso e encontranovas formas de convivência à partir de sua obra. A morte sem nome (Planeta, 2004) falasobre uma suicida em série, que em cada capítulo se mata de uma forma. Já Feriado de mim mesmo (Planeta, 2005) se passa dentro de um apartamento, onde seu donosente a presença de um invasor, porém não tem certeza se está esquizofrênico ouse presencia uma espécie de atividade paranormal. Esta obra está sendo adaptadapara o cinema – por Christiano Metri – e para o teatro.

Seus doisúltimos livros são Mastigando humanos (Nova Fronteira, 2006) e O prédio, o tédio e o meninocego (Record, 2009), que abordam as descobertas e os impactos da adolescência de umaforma diferente. O primeiro é um romance “alegórico”, narrado por um jacaré deesgoto, sobre a passagem da adolescência para a fase adulta. Já o mais recenteconta a história de sete meninos dominados pelo tédio, que largam o ócio após amudança de uma jovem professora para o bairro. Com a presença da educadora,começam a ocorrer fatos estranhos na vizinhança, como assassinatos e a presençade zumbis.

“Acho que o Mastigando humanos é atémais juvenil que O prédio, o tédio e o menino cego. Porque quando você faz umlivro sobre adolescentes parece que é um livro para adolescentes. Mas não éexatamente isso. Os três primeiros são mais trevosos, digamos assim. O prédio,o tédio e o menino cego é um pouco mais melancólico”, afirma.

Para escreversobre a adolescência, o autor buscou uma experiência de trabalho de campo.Voltou ao colégio que freqüentou quando passava por esta fase da vida e pôdeobservar algumas semelhanças entre os adolescentes atuais e os do final dos anos 1980.

“Fiquei dezdias assistindo aulas com os alunos. Era meio para refrescar como era esseprocesso de adolescência. Estava escrevendo um romance, não uma tese. Eu fuibuscar no livro a coisa atemporal da juventude e não o que é a juventude nosdias de hoje. É muito parecido ainda essa coisa dos processos, os excluídos, ospopulares. Toda a hierarquia é feita pela força. Os fortes, os populares, osque jogam bola. E as meninas é pela beleza”, declara.

Por mais quetenha falado de seu tempo de adolescente sem nenhum problema, Nazarian nãodeixou de demonstrar seus sentimentos à respeito da época.

“Não tenhoa menor saudade da infância. Acho que é uma época terrível, de insegurança, deadestramento. Acho bem cruéis esses processos todos. Eu fui mais deslocadoaté o começo da adolescência. Quando você é mais moleque, não consegue seafirmar. Depois que você entra na adolescência mesmo, que é permitido adiferença, aí eu já me encaixei no grupo dos esquisitos, dos góticos. Mas achoque quando você é mais novo, a coisa é difícil”, afirma.

 

> Confira o blog do escritor

> SantiagoNazarian na Saraiva.com.br

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> Confira o vídeo release de O prédio, o tédio e o menino cego, editado pela Record em 2009

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