Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 22.02.2013 22.02.2013

As mulheres de Alfred Hitchcock

Por Zaqueu Fogaça
 
Mestre do suspense e um dos maiores cineastas de todos os tempos, Alfred Hitchcock possui inúmeras qualidades para ser lembrado quando o assunto é cinema. No entanto, um fator distinto relacionado à sua personalidade tem sido constantemente revisitado quando o nome do diretor entra em cena: o modo obsessivo com que tratava as belas mulheres que estrelaram seus filmes.
Para Hitchcock, “era preciso torturar as mulheres” para conseguir criar uma boa trama. Não por acaso, as atrizes que trabalharam com ele tinham dois destinos certeiros: o alavancar imediato de sua carreira no cinema ou um trauma tão profundo a ponto de nunca mais voltarem a trabalhar em uma de suas produções. Esse fascínio por suas estrelas, especialmente as loiras, é relatado no livro Fascinado pela Beleza: Alfred Hitchcock e Suas Atrizes, do escritor norte-americano Donald Spot.
 
Hitchcock nutria um sentimento de amor e repulsa por suas beldades, querendo-as somente para ele e fazendo de tudo para mantê-las por perto, o que alimentou diversas lendas relacionadas aos bastidores de suas filmagens, como as que foram relatadas na obra Alfred Hitchcock And The Making Of Psycho, escrita por Stephen Rebello, cuja adaptação cinematográfica estrelada por Scarlett Johansson entra em cartaz nos cinemas brasileiros no início de março.
“Alfred Hitchcock entrou para a história do cinema por desfilar uma série de protagonistas loiras nos anos 1950 e 1960: Kim Novak, Grace Kelly e Tippi Hedren em especial, todas elas atrizes de perfil semelhante – belas, elegantes (aspecto ressaltado por figurinos que ditaram moda em suas épocas), misteriosas e vulneráveis”, analisa Christian Peterman, crítico de cinema da revista Rolling Stone.
 
Protegido pelo poder que sua figura exercia no cinema, o emblemático diretor não perdia a oportunidade de mostrá-lo. “Embora fosse muito bem casado, havia todo o espaço para exercer seu machismo predatório com relações conturbadas nos sets de filmagem – correm muitas histórias, entre reais e lendas urbanas, de humilhações sofridas por estrelas que se recusaram a voltar a trabalhar com ele”, conta Peterman.
Para conhecer um pouco as “vítimas” do cineasta, o SaraivaConteúdo selecionou cinco das principais musas hitchcockianas.
 
Ingrid Bergman 
 
Ingrid Bergman: a musa de Interlúdio
 
Uma das mais talentosas atrizes que o cinema já viu, Ingrid atuou em três filmes de Hitchcock: Sob o Signo de Capricórnio (1949), Interlúdio (1946) e Quando Fala o Coração (1949). “Todos nós éramos como uma peça de xadrez em seu tabuleiro”, chegou a declarar a atriz, que, muito embora tenha sofrido nas armadilhas do cineasta inglês, foi uma das raras atrizes que manteve amizade com o diretor. 
 
Grace Kelly 
 
Grace Kelly: a musa de Disque M para Matar
 
“Tenho de considerar se minha heroína em potencial é o tipo de garota que posso moldar na heroína que imagino”, havia dito Hitchcock. “Ela deve ser realmente bonita e realmente jovem”. No fim de primavera de 1953 encontraria Grace Kelly. Sua carreira no cinema foi tão curta quanto marcante, estrelando três das principais obras do diretor: Ladrão de Casaca (1955), Disque M Para Matar (1954) e Janela Indiscreta (1954). 
 
Kim Novak 
 
Kim Novak: a musa de Um Corpo que Cai
 
Famosa por interpretar a marcante Madeleine, em Um Corpo Que Cai (1958), Novak foi uma das mais belas e sedutoras atrizes do cinema. Sua entrada em cena ocorreu por mero acaso, como substituta de Vera Miles que, para o inconformismo de Hitchcock, ficou grávida. Novak, por sua vez, “chegou com todo o tipo de noções preconcebidas com as quais eu não poderia concordar”, declarou Hitchcock sobre sua nova musa. Além de o diretor controlar todo o figurino que a atriz usaria durante as filmagens, Hitchcock diz a Novak: “Não gosto de discutir com um ator – não há razão para colocar os eletricistas no meio”. 
 
Tippi Hedren
 
Tippi Hedren: a musa de Os Pássaros
 
Com uma carreira consolidada como modelo de comerciais, a estrela de Os Pássaros (1963) foi descoberta por Hitchcock quando este a viu na televisão e, surpreso com sua beleza, a contratou de imediato. “Assinei um contrato com ela porque ela é uma beleza clássica. Isso não existe mais no cinema. Grace foi a última”, disse Hitchcock certa vez à imprensa. Inexperiente, a atriz foi quem mais sofreu com os joguinhos sádicos do diretor, como ser deixada em um quarto para ser atacada por pássaros de verdade, ou quando chamou Hedren em seu escritório e disse que, a partir daquele momento, ela deveria estar sexualmente disponível para ele, quando, onde e como ele quisesse.
 
Janet Leigh 
 
Janet Leigh: a musa Psicose
 
Imortalizada no cinema pela clássica cena de assassinato a facadas no chuveiro, em Psicose (1960), Leigh jamais conseguiu outro papel à altura em sua longa e diversificada carreira. Quando o diretor e a atriz se encontraram, Hitchcock impôs sua soberania de imediato para ela: “Eu conto a história pelas lentes. Portanto, preciso que você se mova quando minha câmera se mover e pare quando ela parar. Ficarei feliz em trabalhar com você, mas não vou mudar o tempo de minha câmera”. 
 
 
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