Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Música 11.02.2018 11.02.2018

As influências e inspirações de Madonna

Por Andréia Silva
Aos 54 anos e na ativa desde os anos 80, Madonna é aquele tipo de artista que abraça diversas referências. No caso da cantora, essas influências e inspirações não se resumem apenas ao universo da música.
Moda, cinema, arte, religião, sexualidade, tabus, enfim, esses são só alguns temas que constantemente aparecem em seu trabalho. Aproveitando a passagem da cantora pelo Brasil, com a turnê do disco MDNA, o SaraivaConteúdo fez uma volta ao passado para listar algumas das principais referências do trabalho de Madonna e o que costuma inspirá-la. Veja abaixo:
AMÉRICA
Em “Material Girl”, um de seus primeiros sucessos e cujo tema era uma garota que se definia materialista em um “mundo materialista”, Madonna fala de modo divertido e irônico sobre uma questão presente no American way of life: o consumismo. Ela voltaria a abordar temas da sociedade norte-americana de um modo mais assertivo no disco American Life, de 2003, que, segundo a própria cantora, é um trabalho sobre o que estava acontecendo na sociedade estadunidense na época. O clipe de “American Life”, que trazia imagens de violência e guerra, chegou a ser proibido por ser considerado muito forte, já que o país guerreava contra o Iraque.
CABALA
Madonna passou a seguir a cabala em 2004. A nova filosofia de vida apareceu em algumas músicas dos discos Music e Ray of Light.
CATOLICISMO
Madonna no clipe de “Like a Prayer”. Polêmica com o catolicismo
O pai, Tony Ciccone, é um católico fervoroso, assim como era sua mãe, Madonna Fortin. Com essa base familiar, a cantora incorporou temas e elementos ligados ao catolicismo em seu trabalho. Claro, todos polêmicos. No disco Like a Prayer (1989), o videoclipe da faixa homônima trazia referências como os estigmas, uma cruz e um Jesus negro. Ela provocaria com o tema em músicas como “Like a Virgin”, que dá nome ao disco de 1984, e “Papa Don’t Preach”, do álbum True Blue, de 1986, sobre uma adolescente que decide bancar a gravidez independente, contrariando o conservadorismo católico. Ao longo dos anos, muitos outros hits provocadores apareceriam.
CINEMA
Madonna no início dos anos 80, com um look a la Marilyn Monroe, cabelos curtos, encaracolados e loiros
Marilyn Monroe, Betty Davis e Rita Hayworth são algumas mulheres do cinema que inspiraram Madonna. Todas com uma imagem aparentemente frágil, mas com personalidade. Essas referências do cinema ajudaram a compor a estética da cantora. Ela aderiu ao look de Marilyn no videoclipe “Material Girl”, e no mais recente clipe, de “Give Me All Your Luvin”, há um momento Marilyn quando Madonna aparece de vestido branco rendado e com os cabelos ondulados. O vídeo de “Express Yourself” foi inspirado no longa Metropolis, de Fritz Lang. Já o clipe de “Vogue” recria o clima dos filmes dos anos 30.
DETROIT
A cidade norte-americana onde a cantora cresceu parece ter influenciado bem mais sua carreira do que o público imagina. A cidade-símbolo do capitalismo industrial era sede da indústria automobilística dos EUA e tinha uma vida cultural bem heterogênea. Bares gays, shows de rock, disco, punk, new age, música industrial.
A escritora Lucy O’Brien, autora da biografia Madonna – 50 Anos, diz que o estilo de vida da cidade tem muita influência no modo como Madonna leva a carreira. Com uma equipe de marketing que sabe como fazer de cada polêmica um sucesso e um time de produtores, músicos e dançarinos que estão entre os melhores, a ”material girl” tornou-se uma das principais marcas do pop.
DISCO MUSIC
Enquanto aproveitava a vida cultural de Detroit (EUA), Madonna elegeu um estilo preferido entre o rock, a onda punk e a música eletrônica: a música disco. Uma das referências da cantora é Donna Summer, um dos ícones do gênero. Curiosamente, embora tenha mostrado referências do estilo ao longo de sua carreira, em um trabalho ou outro, ela só foi gravar um álbum totalmente voltado para a música disco, Confessions on a Dance Floor, em 2005.
GIRL POWER
Em uma época de bandas de rock e performers masculinos dominando a cena pop, Madonna chegou no início dos anos 80 trazendo atitude e abrindo espaço para a o sexo feminino. Em suas músicas, esse lado independente e de atitude da mulher sempre foi claro. Desde as já citadas “Like a Virgin” e “Papa Don’t Preach” até as mais recentes, como “What it Feels Like For a Girl”, além de outras mais antigas como “Human Nature”, “Justify My Love” e “Erotica” – essas já apontando para outro tema…
LIBERDADE SEXUAL
No início os anos 1990, pós-Aids, Madonna voltou a falar de liberdade sexual com o disco Erotica, de 1992, que trata de sexo e paixão – na época, veio acompanhado de um livro intitulado simplesmente Sex.
MARTHA GRAHAM E A DANÇA
A coreógrafa e dançarina Martha Graham, inspiração para Madonna
O gosto pela dança começou cedo, desde a adolescência. Madonna fez aulas de jazz, sapateado e balé, e era animadora de torcida nos jogos escolares. Uma de suas principais influências é a dançarina Martha Graham (1894-1991), a “Picasso da dança moderna”. O estilo de Graham é centrado na mulher, e Madonna incorporou algumas de suas técnicas em shows e videoclipes, como é o caso de “Frozen”, de 1998.
Outro dançarino em quem ela busca referências é Alvin Ailey (1931-1989), que misturava ritmos do jazz a movimentos africanos, além de recrutar renomados grupos de dançarinos para as suas turnês, como já ocorreu com o Cirque Du Soleil.
MODA
A moda sempre foi referência para Madonna. Na foto da tour MDNA ela usa uma nova versão do se famoso sutiã de cone criado por Gaultier
Essa é uma área em que Madonna sempre se reinventou. As cores, o cabelo, a roupagem. Para cada disco, uma cara. Uma de suas primeiras referências no quesito moda teria sido a banda punk The Slits. Os ingleses tinham um estilo anárquico fashion que logo interessou à cantora. Com o sucesso, tornou-se queridinha de grandes estilistas e criou suas próprias linhas de produtos, tanto de roupas quanto de calçados. Seus estilistas favoritos são Christian Lacroix e Jean Paul Gaultier, criador do famoso sutiã pontiagudo usado na turnê “The Blond Ambition”, em 1990.
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