Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 31.01.2013 31.01.2013

As duas faces de Hugh Jackman: o herói dos filmes de ação e a estrela dos musicais

Por Willians Glauber
 
A primeira indicação ao Oscar da carreira de Hugh Jackman não poderia vir de uma maneira mais oportuna que esta: na categoria de Melhor Ator, por sua interpretação em um musical. Os Miseráveis, em cartaz nos cinemas brasileiros a partir de 1º de fevereiro, é um clássico da literatura de Victor Hugo e foi adaptado dos palcos para as telonas.
 
O filme foi posto sob os holofotes não só por conta do elenco talentoso e repleto de estrelas, mas por carregar o título de primeira produção musical na história do Cinema a ser gravada completamente ao vivo.
 
Há quem estranhe ver Jackman cantando ao longo das quase três horas do longa-metragem, mas não haveria melhor escolha para o protagonista que não o ator. A carreira dele nos palcos, atuando e cantando, veio muito antes de seus filmes de ação.
 
Jackman foi o primeiro a fazer audição para o longa, um teste que durou quatro horas. “A audição é muito importante, porque o diretor precisa saber se você é adequado para aquele papel, se você tem o perfil. As audições deixam o ator qualificado a qualquer momento”, explica a atriz Liane Maya, que está em cartaz no musical Cabaret, em São Paulo.
 
Para o papel de Jean Valjean, Jackman passou por desafios físicos e emocionais. Nas primeiras cenas do musical, por exemplo, o ator tinha que parecer desnutrido; por isso, durante as 36 horas que antecederam o primeiro dia de filmagem, ele não bebeu líquido algum. Antes de se encontrar no set, o elenco enfrentou nove semanas de longos ensaios diários, e gravar as cenas cantando ao vivo exigiu dos atores muito esforço físico e mental.
 
Para se ter ideia, há músicas que chegaram a ter 40 tomadas antes de ficarem perfeitas aos olhos do diretor Tom Hooper. “Os esforços do ator, magnífico no modo como dramatiza os números musicais de Jean Valjean, estão sendo muito bem recompensados, com indicações nas grandes premiações internacionais”, analisa Rodrigo Torres de Souza, crítico do site Cineplayers.
 
MUSICAIS
Apesar de ser conhecido no mundo inteiro como o mutante durão da franquia de filmes X-MEN, a base da carreira de Jackman tem muito mais a ver com o musical Os Miseráveis do que com a produção que estreia em 26 de julho, Wolverine: Imortal. “Sua escalação como Wolverine, aliás, foi um achado de Bryan Singer, pois ele estrela musicais desde bem jovem, antes mesmo de se formar em artes dramáticas na Austrália”, diz Torres.
 
A elogiada interpretação de Hugh Jackman em Os Miseráveis lhe rendeu o Globo de Ouro de Melhor Ator e a primeira indicação de sua carreira ao Oscar
 
O australiano Jackman tem diploma em Jornalismo e decidiu estudar drama na Western Australian Academy of Performing Arts, onde se formou em 1994. Ele começou a carreira nos palcos, atuando, cantando e dançando. Na lista de musicais que já fez, estão: A Bela e a Fera, Crepúsculo dos Deuses, Oklahoma! e The Boy From Oz, que deu a ele o prêmio Tony de Melhor Ator, premiação considerada o Oscar do Teatro norte-americano. Jackman já apresentou a cerimônia de entrega do prêmio três vezes e foi honrado com um Tony especial, por suas contribuições à comunidade da Broadway, marcadas por performances memoráveis e atos de caridade.    
 
JACKMAN E SEU LADO AVENTUREIRO
E se no Teatro existe um Jackman cantor e bailarino, no Cinema o ator criou um perfil que coexiste com o lado musical de sua carreira: o herói de filmes de ação, que enfrenta quem quer que seja para chegar ao fim de sua aventura. “Sua entrada na superprodução dos personagens da Marvel, aliás, foi um acidente, já que o ator original planejado, Dougray Scott, havia se machucado durante as filmagens de Missão: Impossível 2 e teve que ficar de fora. Jackman foi chamado para substituí-lo”, explica Pablo Bazarello, crítico do site Cinepop.
 
Uma entrada acidental que impulsionou a carreira do ator em Hollywood e deu a Jackman uma longa vida nos cinemas com o personagem Wolverine, que em 2013 aparecerá na telona pela quinta vez. Mas a ação não ficou apenas nos filmes do mutante imortal: desde que fez seu debute no Cinema, em 1999, com Paperback Heroes, filmes como A Senha: Swordfish, Van Helsing – O Caçador de Monstros e Gigantes de Aço evidenciam o lado aventureiro do ator.
 
Embora nunca tenha renegado sua ascensão em Hollywood graças aos filmes de ação, Jackman procura dosar bem sua participação em diferentes produções, não só quanto aos gêneros, como também no que diz respeito a prestigiados diretores com quem trabalha.
 
Em Van Helsing – O Caçador de Monstros, de 2004, Jackman interpretou um herói típico de Hollywood
 
Jackman já foi dirigido por Woody Allen (em Scoop – O Grande Furo, de 2006), Darren Aronofsky (em Fonte da Vida, de 2006), Christopher Nolan (em O Grande Truque, de 2006) e Baz Luhrmann (em Austrália, de 2008). “Sua indicação ao Oscar e o Globo de Ouro conquistado não deixam de ser uma coroação a essa versatilidade. E, claro, a maior oportunidade de provar que se trata de um grande ator”, analisa o crítico Torres.
 
Os Miseráveis abriu novas portas na carreira de Hugh Jackman. A partir dele, possivelmente serão oferecidos grandes papéis ao ator. “Pode-se dizer que o musical Os Miseráveis foi seu maior desafio até agora”, conclui Bazarello. 
 
Confira uma cena de Hugh Jackman em Os Miseráveis:
 
 
 
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