Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo HQ 27.03.2013 27.03.2013

As criaturas do designer Butcher Billy

Por Daniela Guedes
 
Bily Mariano da Luz é um jovem com um pseudônimo curioso, Butcher Billy – ou em tradução literal, “açougueiro Billy” –, mas com um grande talento para mesclar figuras históricas e do imaginário pop em vilões como aqueles dos quadrinhos da Marvel e DC Comics.
Com vários trabalhos em que adota mash-ups (processo artístico de criação a partir de outras obras já existentes, por meio da mistura, combinação, modificação e edição de trechos de duas ou mais dessas obras), Billy tem no portfólio séries curiosas como: Os Bebês de Laranja Mecânica e Punk Super Mario Bros., entre outras.
Graças às redes sociais, as suas séries já estamparam vários sites e jornais de todo o mundo, entre os quais The Huffington Post e Foreign Policy. O “açougueiro” falou um pouco sobre o seu trabalho e processo de criação com o SaraivaConteúdo. Acompanhe.
Como surgiu a ideia de transformar as figuras de mau-caráter da vida real em vilões das HQs na série The Legion of Real Life Supervillains?
Butcher Billy. Partiu de uma entrevista dos anos 70 que eu assisti no YouTube com o Charles Manson. Eu fiquei abismado com o quanto ele se parecia com a interpretação do Heath Ledger para o Coringa em The Dark Knight. Lembrei que o Jack Kirby, principal desenhista da Marvel e DC Comics nos anos 60, disse ter modelado o ditador alienígena Darkseid em Adolf Hitler e o seu planeta Apokolips na Alemanha Nazista. Comecei a filosofar sobre o quanto ficção e realidade trocam figurinhas o tempo todo. Então resolvi explorar isso e transformar em um conceito para um projeto.
Você não pensa em fazer uma série com vilões ou heróis brasileiros?
Butcher Billy. Seria interessante, sem dúvida. Eu não diria que o Brasil tem muitos heróis (além do Capitão Nascimento e Joaquim Barbosa), mas eu estaria muito bem servido de supervilões reais na política brasileira.
E a série Clockwork Orange Babies (Os Bebês de Laranja Mecânica), como surgiu?
Butcher Billy. A série trata do absurdo e do choque de se criar um desenho animado infantil de um filme extremamente adulto e violento. Mas na verdade a obra original é tão genial e atemporal que ela própria já falava sobre isso desde os anos 60. O que eu fiz foi apenas explorar essa ideia.
 
Bebês de Laranja Mecanica
A série punk Super Mario Bros. para a Nintendo

Você já sofreu alguma espécie de retaliação por conta das montagens? Principalmente naquelas em que você coloca os ícones da música em situações inusitadas, como em Deadrockers, Modern Times?

Butcher Billy. Quando eu mexo com ícones e ídolos pop que fazem parte do imaginário coletivo, tenho de estar preparado para qualquer tipo de reação, porque eu estou na verdade mexendo com influências e inspirações – muitos fãs entendem e levam numa boa, já outros não conseguem deixar de manifestar um certo ódio por mim. Eu costumo dizer que quando 50% das pessoas adoram um trabalho meu e 50% me odeiam por causa dele, é quando eu me sinto um verdadeiro “artista”.
Conta aí pra gente quais as suas inspirações para produzir esses trabalhos.
Butcher Billy. Sou viciado em cinema, quadrinhos, música, arte e cultura pop em geral. Essas sempre foram as minhas inspirações, mas o que me interessa, de maneira quase obsessiva, é a liquidificação de tudo isso. É conhecer a fundo os conceitos e pervertê-los de maneiras subversivas e impensáveis, transformando tudo até virar uma criação autoral.
Como você definiria seus trabalhos? Arte? Design?
Butcher Billy. Gosto de pensar que são projetos de design disfarçados em uma embalagem de cultura pop. Minha formação acadêmica é no Design, e até nas minhas ideias mais artísticas tem muito de design thinking, porque eu penso no conceito daquilo que estou transmitindo.
De que forma as novas tecnologias ajudam no seu processo de criação?
Butcher Billy. Falando tecnicamente, meu trabalho hoje é totalmente digital, mas tento usar esses recursos da mesma maneira que [faria] se eu estivesse usando meios mais tradicionais. Gosto de simular as imperfeições de um trabalho mais artesanal, como tinta fora do lugar, rabiscos, linhas meio tortas, sujeira. Não coincidentemente, minhas referências visuais são sempre aquelas de quando a tecnologia não fazia parte do processo criativo.
Você tem outros projetos bem interessantes, mas porque o The Legion of Real Life Supervillains chamou tanta atenção?
Butcher Billy. Acho que o fator principal é a boa dose de política que eu inseri nesse trabalho. Foi a primeira vez que eu chamei a atenção da mídia fora do circuito artístico e publicitário. O projeto foi tuitado pelo diretor de cinema Kevin Smith, tenho recebido feedbacks de jornais conceituados e revistas de cunho político para publicar o material, querendo explicações mais profundas sobre o conceito do projeto. É que, como ele acabou atingindo outros públicos, aparentemente muita gente o levou meio a sério demais. Mas acho que isso faz parte da minha veia sensacionalista!
Você já tem planos de expandir esse trabalho para além da internet?
Butcher Billy. Como eu vim do design gráfico, sempre acabo pensando em maneiras de expandir o trabalho para além do digital. E como sou muito fã de street art, eu venho experimentando nessa área para expandir os conceitos dos meus projetos.
 
Osama Bin Laden é Duende Verde
Charlie Manson é o Coringa
 
 
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