Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 20.01.2012 20.01.2012

As aventuras de Tintim chega aos cinemas pelas mãos habilidosas de Spielberg

Por André Bernardo
Cena de As Aventuras de Tintim, por Spielberg
 
Na ocasião do lançamento de Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida, em 1981, uma resenha em particular chamou a atenção do cineasta Steven Spielberg: a de um jornalista francês, que comparava Indiana Jones a Tintim.
 
Logo, o cineasta quis saber quem era o personagem criado em 1929 pelo cartunista belga Hergé.
 
Como a série As Aventuras de Tintim ainda não tinha sido publicada nos EUA, Spielberg leu os originais em francês.
 
E não teve dúvidas: um dia, rodaria um filme sobre as peripécias do repórter de topete engraçado e seu inseparável fox-terrier. Trinta anos depois, Spielberg cumpre a promessa e estreia As Aventuras de Tintim.
 
 
Para Thyago Nogueira, editor da Companhia das Letras, não é difícil explicar o sucesso do intrépido personagem. “Atribuo o sucesso do Tintim à inteligência das histórias, com as peripécias e os personagens tão bem construídos e carismáticos. À amplitude da obra, que atravessa, se não todos, quase todos os continentes. E, claro, à qualidade do desenho, gracioso, ágil e ao mesmo tempo de intensa força gráfica”, enumera.
 
Segundo estimativas de Fanny Rodwell, que cuida do espólio de Hergé, a série As Aventuras de Tintim já foi traduzida para mais de 100 idiomas e vendeu 250 milhões de exemplares. 
Em 1983, apenas dois anos depois de ter ouvido falar em Tintim, Spielberg agendou uma visita à casa de Hergé.
 
A ideia era comprar os direitos da obra e adaptá-la para o cinema. Infelizmente, a poucos dias do encontro, o cartunista faleceu.
 
Mesmo assim, a viúva, Fanny Rodwell, tranquilizou o diretor, dizendo que o marido já o havia escolhido como o único capaz de fazer um filme baseado em Tintim.
 
Spielberg em direção de As aventuras de Tintim
 
Na hora de dar vida ao personagem, Spielberg optou pela técnica “motion capture” – ou “captura de movimentos”. A julgar pelo prêmio de melhor animação na 69ª edição do Globo de Ouro, o resultado agradou.
A volta ao mundo em 23 histórias
Em suas aventuras pela Terra, Tintim visitou do Peru à China, do Congo à União Soviética. Até na Lua o intrépido repórter já chegou.
 
Ao longo da carreira, virou selo, moeda comemorativa e desenho animado. Por aqui, a série As Aventuras de Tintim passou na TV Cultura e no Cartoon Network.
 
Tintim pelo traço de Hergé
 
Em 2009, ganhou um museu em Bruxelas. “Até hoje, não me esqueço da primeira aventura do Tintim que eu li na vida. O livro As Sete Bolas de Cristal me agarrou pelo pescoço. Fiquei duplamente encantado. Tanto pela precisão do desenho quanto pela mistura de humor com aventura”, entrega Carlos Patati, coautor de O Almanaque dos Quadrinhos.
No Brasil, a Companhia das Letras, responsável pela publicação da obra de Hergé, relançou, em volume especial, as duas histórias que deram origem ao filme de Spielberg: O Segredo do Licorne, de 1943, e O Tesouro de Rackham, o Terrível, de 1944.
 
Ao todo, Hergé escreveu 23 álbuns, de Tintim no País dos Sovietes, de 1930, a Tintim e os Pícaros, de 1976.
 
Ex-escoteiro, Georges Remi, nome de batismo de Hergé, faleceu em 1983, aos 76 anos, deixando inacabada aquela que seria a 24ª aventura de Tintim: Tintim e a Alfa-Arte.
Admiradores famosos
Até hoje, Pedro Britto, editor do site “Tintim por Tintim”, ainda não se decidiu sobre qual seria sua história predileta. “Já tentei, mas não consigo”, brinca ele, que aponta O Lótus Azul, As Sete Bolas de Cristal, O Templo do Sol, O Cetro de Ottokar e As Jóias da Castafiore como as favoritas.
 
“São histórias de diferentes estilos, que vão da aventura ao pastelão, do gênero investigativo ao sobrenatural. Tudo isso me fascina!”, confessa Pedro Britto.
 
Se os rumores se confirmarem, a segunda parte da trilogia de As Aventuras de Tintim, dirigida por Peter Jackson, será baseada em As Sete Bolas de Cristal e O Templo do Sol.
Sim, isso mesmo: as aventuras de Tintim são tantas que não cabem num único filme. Por isso, Spielberg e Jackson decidiram fazer uma trilogia.
 
Cena de As Aventuras de Tintim
 
Peter Jackson é daqueles admiradores confessos de Tintim, Milu & Cia. E não é o único.
 
Entre os fãs de Hergé estão o artista plástico Andy Warhol, o cartunista Matt Groening e até o monge Dalai Lama.
 
No Brasil, o jornalista Pedro Bial se considera um autêntico “tintinófilo”. “O meu gosto pela aventura vem dos tempos de criança. No íntimo, sonhava em desbaratar quadrilhas e resolver crises internacionais. Na ânsia de ser Tintim, quase fiquei tantã”, graceja o ex-correspondente internacional da TV Globo.
 
Assista ao trailer de As Aventuras de Tintim:
 
 
 
 
 
Recomendamos para você