Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 24.04.2013 24.04.2013

As adoráveis psicoses do ser humano em série

Por Felipe Gatto
 
Misture bom humor com toques de sarcasmo e ironia. É assim que neuras e dilemas tão comuns aos seres humanos são retratados em Adorável Psicose. Em exibição pelo Multishow, a série é escrita e estrelada por Natália Klein, também criadora do blog que originou a atração.
 
Ao longo de quatro anos na TV, a excêntrica personagem Natália fez terapia, se apaixonou diversas vezes e ainda relembrou seu passado obscuro. Apesar disso, a criadora da série afirma que, haja o que houver, ela nunca deixará de ser psicótica.
“Não é que ela não seja feliz, ela só foca as energias nos lugares errados. E essa é a graça da personagem”, afirma a atriz.
Para a atual 4ª temporada, Natália nos contou que haverá algumas participações especiais e ainda adiantou uma grande novidade.
“Teremos participação de Eri Johnson e dos atores Luis Lobianco e Antonio Tabet, ambos do sucesso Porta dos Fundos. Uma notícia é que, nessa temporada, um dos personagens vai morrer. Não vou dizer qual, tem que assistir para saber”, brinca.
Em entrevista inédita para o SaraivaConteúdo, Natália Klein explicou como é escrever sobre as eternas neuroses das pessoas. Ela também contou sobre o feedback que recebe do público e ainda falou dos planos de transformar a série em filme.
 
Como a personagem Natália consegue retratar questões, há quatro anos, de diversas gerações, aparentando ser sempre atual?
Natália Klein. Não tem muito segredo. Quando o conteúdo é relevante, as pessoas se identificam, independente de idade, sexo e classe social. Problemas de relacionamento, autoestima e neuroses são temas que sempre preocupam todos os seres humanos.
 
As psicoses do ser humano variam de acordo com as mudanças entre as relações interpessoais e o comportamento da sociedade. Existe preocupação em abordar assuntos atuais, que provoquem identificação com o público? Poderia nos descrever como é seu caminho de criação das histórias da série?
Natália Klein. Adorável Psicose é, antes de tudo, uma comédia. Então, a primeira preocupação é sempre: "Isso está engraçado?". Claro que, para isso, existem recursos, como usar temas atuais, de identificação com o público. O caminho é sempre pensar em histórias que gerem situações engraçadas, algumas baseadas nas neuras cotidianas e outras mais surtadas, como os episódios gravados no Paraguai.
Você para e reflete sobre quais situações ocorridas na sua vida serviriam de base para colocar no papel? Quais critérios utiliza para escolher os temas que vai abordar?
Natália Klein. Muitas das histórias que uso nos roteiros são baseadas em fatos reais que aconteceram comigo. Algumas situações ocorrem e eu já penso na hora: "Vou colocar isso no programa". Mas meus critérios giram em torno do que vai funcionar na TV e ser engraçado para quem está assistindo.
 
                                 Crédito/ Kiko Cabral
Natália Klein é atriz, escritora e roteirista 
Conte-nos um pouco sobre os personagens da série. Você já conviveu ou se deparou com uma psicóloga tão peculiar como a Dra. Frida? Você tem melhores amigos, como a Carol e o Diogo, que também não entendem os motivos de tantas neuroses?
Natália Klein. Todos os personagens são bastante exagerados em suas características, mas, ainda assim, conseguimos acreditar que eles existem. Já tive algumas "Doutoras Fridas" na vida, assim como Carol e Diogo são nomes de dois dos meus melhores amigos. Não quer dizer que eu não tenha inventado muita coisa também.
Quais soluções e respostas você já encontrou para seus dilemas pessoais nesses quatro anos de série?
Natália Klein. A "Natália da vida real" não é mais a Natália da série. Temos muitas coisas em comum, mas, de modo geral, o que se vê na tela é uma personagem, uma versão mais caricata e incorreta de mim mesma. A Natália do Adorável Psicose faz absurdos que eu jamais teria coragem de fazer.
 
                                  Crédito/ Kiko Cabral
A protagonista e criadora da série, Natália Klein 
Que tipo de abordagem você recebe das pessoas nas ruas? Elas contam sobre as neuras delas? 
Natália Klein. A resposta do público é bastante positiva. Recebo muitos e-mails e mensagens de pessoas contando seus dilemas. Esse campo das neuroses dá espaço para esse tipo de feedback. No fundo, todas as histórias são parecidas, envolvem relacionamentos afetivos e as paranoias que circundam esse tema.
O que a personagem Natália já agregou à atriz e roteirista Natália Klein? De que maneira esse trabalho influencia sua vida?
Natália Klein. Ultimamente, esse trabalho tem sido a minha vida. Como participo de todas as etapas, desde elaboração de roteiros, produção, até a finalização, acabo ficando bastante imersa no programa. E acho muito gratificante. A série foi um divisor de águas na minha vida, me proporcionou estabilidade financeira, visibilidade e reconhecimento do público, da imprensa e dos meus pares.
O filme baseado na série vai realmente sair? Já tem elenco definido? Quais serão as psicoses da Natália na telona?
Natália Klein. O filme vai sair, está em fase de elaboração de roteiro. Por enquanto, o elenco principal é o mesmo da série. As psicoses da telona não serão tão diferentes da TV. O filme vai ser autossuficiente, para atrair não apenas os fãs do programa, mas também um público que ainda não conhece a série.
 
 
Recomendamos para você