Bel Sanmax por Bel Sanmax Filmes e séries / Livros 19.07.2019 19.07.2019

A amizade entre Arya e The Hound, uma das mais inspiradoras da ficção

Uma amizade definitivamente nada convencional, porém, uma das mais bonitas e inspiradoras do mundo de personagens de Game of Thrones, e por que não, do universo de ficção da cultura pop. Arya e The Hound (Sandor), não se conectaram imediatamente com ternura e empatia, mas em toda a sua jornada juntos puderam aprender um com o outro, e se enxergarem como aliados de alguma forma.

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Sandor foi protagonista em, simbolicamente, separar a “loba” Arya de sua “alcatéia” Stark, quando a chegada da comitiva real do Rei Robert deu início a quase total aniquilação da Casa Stark.  Incumbido por Joffrey e pelo Rei de executar a loba Nymeria, de Arya, por tê-la defendido contra o príncipe, ela, para salvá-la, a manda embora para que sobreviva.

Lobas e Maturidade

Sansa é quem tem sua loba executada, Lady (Dama, em português), devido a circunstâncias alheias a sua participação, e se separa da identidade de sua família ancestral, quando vai viver sob os costumes e regras de Porto Real. Os destinos de suas lobas, partes da “alcateia” dos irmãos Stark, são analogias sobre os rumos que tomam suas vidas.

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Arya, assim como Nymeria, estava destinada a ser sozinha durante sua jornada pela vida. Sansa, igualmente, foi por muito tempo vítima dos jogos de poder dos quais era apenas um peão, tal como a loba Lady.

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O Cão e a Loba

A aliança entre a dupla começa quando, inconscientemente, reconhecem entre si muitos elementos em comum. O ódio que ela sente por ele, que entra em sua lista de vítimas, nasceu quando ele executou a loba da irmã, e matou um menino que vivia em Winterfell para satisfazer aos caprichos do cruel Joffrey.

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Sandor, no entanto, também era um peça no jogo de xadrez dos poderosos dos Sete Reinos, valorizado apenas por sua habilidade como assassino. Ambos tiveram vidas traumáticas, e foram obrigados a se fecharem emocionalmente para qualquer tipo de afeição, como uma capa protetora contra as adversidades.

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Sobreviventes

“Eu sou um cão, lembra? O cão do Rei” – Sandor a Sansa

Arya e Sandor são sobreviventes, pois desde muito cedo assimilaram que era apenas com si mesmos que poderiam contar para se manterem vivos. Um e outro também compartilham as consequências embutidas em suas personalidades quanto a seus traumas, originados de violências e abusos cometidos contra eles: raiva, agressividade e obsessão por vingança. 

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Ele, por ter sido atacado quase mortalmente pelo único membro da família que tinha, seu irmão Clegor, e perdido toda a referência afetiva e porto seguro de sua identidade. Ela, por ter presenciado a execução do pai, a separação dos irmãos, a morte da mãe e de dois de seus irmãos, além de ter sido induzida a acreditar que Sansa, sua irmã, havia agido contra sua família. 

A espada Agulha, dada por Jon a ela quando se despediram antes da partida dele para a Muralha, representava mais do que um meio de proteção, e sim uma lembrança e apego ao único elo sobrevivente com sua família (Bran estava vivo, mas ela não sabia).

De volta a Winterfell, ela adota a adaga (usada para matar o Rei da Noite e Littlefinger) também como sua arma, o que simbolicamente representa a aceitação da pessoa que se tornou durante os anos afastada da sua família, e escolhe usar seu conhecimento como guerreira para lutar pelo legado que compartilham. 

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Idas e Vindas

Ao longo de seus encontros durante uma década, os dois aprenderam um com outro sobre a sutileza de elementos aos quais não se permitiam compreender sobre si mesmos. Arya assimilou que há uma linha cinza entre vilões e mocinhos, e que todos são vítimas de circunstâncias que os definem, inclusive ela.

Já Sandor viu em Arya uma companhia que o fez sentir afeição e preocupação com alguém além dele mesmo, assim como, de forma inconsciente, uma versão dele mesmo quando mais jovem, antes dos acontecimentos que o transformaram em um ser “quebrado”. Ao salvar Arya ao longo de seu tempos juntos, Sandor também salvava a si mesmo.

Intersecção

A convivência com uma órfão, à deriva, fez com que Sandor pudesse permitir-se entrar em contato com sua humanidade. A partir daí ele seguiu uma trilha de redenção resignada, no sentido de que aceitava não poder mudar o passado, mas sim seu futuro.  Não é à toa que depois de que ela o deixou depois do duelo com Brienne, ele se juntou a comunidades, e terminou sua jornada em uma missão em prol do coletivo, ao lado de guerreiros solitários como ele, mas que unidos eram mais fortes.

Nem Loba nem Dama

Arya, adulta, de volta a sua casa, o berço do que acreditava ser sua identidade, lugar ao qual tanto desejava voltar, percebeu que não identificava mais com Winterfell. Ou como Sandor descobriu na idade dela, não fazia parte de lugar nenhum.

O “presente” dado por Arya a Sandor durante o princípio de suas jornadas juntos, a compaixão que despertou a humanidade nele, foi a semente que floresceu no momento mais importante de ambas as suas vidas: o que ele aprendeu com a vida durante a amizade deles, que existe mais do que vingança como propósito de existência, foi o que salvou Arya de se sacrificar para assassinar Cersei. Tal ato justificaria apenas o compromisso com uma promessa que ela fez antes de trilhar sua jornada de autoconhecimento, e perceber que não precisava mais ser uma “loba solitária”.

“Vá para casa, garota (…) Não importa mais, ela já está morta (condenada). Olhe para mim! Você quer ser como eu?” – Sandor a Arya enquanto trilhavam o caminho rumo ao Palácio, para enfrentarem Cersei e a Montanha

Nada, naquele momento, importava mais do que agir em benefício de algo muito maior do que a “pequenice” egoísta da vingança, cujo único destino seria sua própria aniquilação.

Seu destino sempre esteve selado, pois Sandor sabia que a força do ódio que sentia pelo irmão o capacitava como a única pessoa capaz de impedi-lo de cometer mais violências. Ao usar o ódio que carregou como força propulsora por tantos anos para eliminar uma ameaça ao coletivo, e conquistou a redenção que buscava. 

Redenção

As atitudes de Sandor mostraram a Arya que o sacrifício pode ser um ato de amor, o oposto do ódio, quando beneficia o sentimento que ambos aprenderam a nutrir e a aceitar: a compaixão em proveito do próximo, tão humanos, sofridos, e reféns das consequências das escolhas de outrem, assim como eles.  

“Sandor, obrigado”, diz Arya no momento em que se separam, as palavras mais gentis que ela já dirigiu a ele. E também representantes da lição mais importante de suas vidas.

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