Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Música 13.07.2012 13.07.2012

Ari Borger: blues tradicional, mas com sotaque brasileiro

Por Felipe Branco Cruz
No ano em que completa 20 anos de estrada, o pianista e organista Ari Borger, de 41 anos, retorna às raízes e lança o disco autoral Back To The Blues, o quarto da carreira, apenas com composições que remetem ao blues mais tradicional.
 
Borger ganhou notoriedade em seus outros trabalhos ao misturar de forma criativa e popular o blues com a música brasileira e o funk. O resultado foi capaz de agradar dos ouvidos mais exigentes até aqueles que buscam apenas ouvir boa música. “O novo disco é focado apenas no blues tradicional, sem modificações”, diz ele.
Nesta sexta-feira o compositor irá apresentar o seu novo trabalho no  Sesc Belenzinho, em São Paulo, acompanhado do gaitista Flávio Guimarães, da banda Blues Etílicos. A agenda do músico já está praticamente lotada.
 
Em julho e agosto, ele se apresenta nos Sescs de Itaquera, Vila Leopoldina, Catanduva, São José dos Campos, Osasco e Ipiranga. Em setembro, será a vez de mostrar seu blues para os mineiros de Varginha, na casa de espetáculos Vijazz (veja a agenda completa abaixo).
Borger, é claro, levará para o palco seu tradicional órgão Hammond B3, de 1957, com o qual ficou conhecido. “Mas nesta apresentação eu vou tocar mais piano”, explica o músico. O objetivo, segundo ele, é que o show seja o mais blues possível. “As pessoas estavam sentindo falta do piano. Vou atender a esse pedido”, completa.
 
Foi com esse instrumento, aliás, que Borger chamou a atenção dos organizadores do Cincy Blues Fest, em Cincinatti, nos Estados Unidos, um dos mais importantes festivais do gênero. “Fui o único convidado fora dos Estados Unidos”, lembra. “Me descobriram pela internet, meio que por acaso”.
A participação no festival de Cincinatti, no entanto, foi apenas uma de várias conquistas dele na terra do blues e do jazz. Nos 20 anos de carreira, já tocou nos principais festivais dos Estados Unidos, como o Piano-Blues, e já abriu shows de mestres como B.B. King. Além de ter morado por anos em Nova Orleans e se apresentando nas tradicionais casas da cidade, como a House of Blues e Tipitina’s.
 
Ari Borger. Crédito foto: Cezar Fernandes
Com toda essa bagagem musical na carreira, Borger percebeu que agora era o momento de retornar às raízes. “Tem gente que diz que não gosta de Blues, mas nem sabe o que é”, diz ele.
 
“Queremos acabar com esse preconceito. É uma música que atinge fácil as pessoas e contagia”. O álbum foi gravado em apenas três dias e de forma analógica, reunindo nove faixas, cinco delas inéditas.
 
“É um disco old-school”, explica. “Gravamos em fitas de rolo de duas polegadas analógico. O resultado é um som mais quente, mais verdadeiro”, garante.
No repertório do show, ele tocará as cinco canções autorais do novo álbum, entre elas “Boogie Train”, “Coming Home”, “Boogie Pro Bê” e “Back To The Blues”, além de “Back At The Chicken Shack”, de Jimmy Smith, “Key To The Highway”, de Big Bill Broonzy, “Funny Miracles”, do The Metters, e “I’d Rather Go Blind”, de Billy Foster e Ellington Jordan. A apresentação terá espaço ainda para canções como “What’d I Say”, do Ray Charles. 
 
 
“Quando decidi gravar o disco em apenas três dias e de forma analógica, eu estava buscando uma linguagem mais verdadeira”. Na sexta-feira, vai ser isso que Borger irá apresentar ao público. “O show não foi completamente programado. Teremos espaços para algumas surpresas, jams e improvisações”.
Ari Borger Quartet AB4
Quando: 13/7, sexta-feira, às 21h30
Onde: Sesc Belenzinho – R. Padre Adelino, 1000 – São Paulo 
 
 
Recomendamos para você