Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 22.10.2012 22.10.2012

Aprilynne Pike: “criei David e Tamani como duas versões diferentes do cara perfeito”

Por Carolina Cunha
 
Acordar um dia e descobrir que tem asas não deve ser fácil. Ainda mais para uma adolescente que acabou de se mudar para uma nova cidade e precisa fazer amigos.
 
A série Fadas, voltada para os teens, coloca as fadinhas longe das histórias tradicionais dos livros infantis. Nessa história, elas podem ser vegetarianas radicais, adoram o ar livre e se alimentam de sol.
 
A protagonista é Laurel Sewell, uma garota de 15 anos que poderia ser sua amiga de colégio. Um dia, ela descobre que é uma fada. Passado o susto, ela ainda precisa proteger Avalon, o reino desses seres alados, que está ameaçado pelos trolls. 
 
Enquanto equilibra sua rotina entre os estudos e os perigos sobrenaturais, Laurel se envolve num triângulo amoroso com David, seu amigo fofo da escola, e Tamani, um elfo “mágico” que ela acha difícil resistir.
 
Quem criou esse mundo foi a norte-americana Aprilynne Pike, 30 anos. Com um diploma em Escrita Criativa e fã de literatura fantástica, começou escrevendo contos, mas sua grande virada na carreira literária só aconteceu com a criação dessa série. Antes de chegar lá, já foi garçonete, assistente de editor e doula. Hoje, vive no Arizona com seu marido e quatro filhos, onde pode se dedicar com tranquilidade às duas coisas que mais ama: passar o tempo com a família e escrever.
 
Publicada pela Bertrand Brasil, a série conta com quatro volumes, iniciada com o best-seller Asas, seguido de Encantos e de Ilusões – que acaba de ter ser lançado no País. A terceira parte da série já vendeu 700 mil exemplares nos Estados Unidos.
 
O último livro da trama deve chegar às prateleiras brasileiras no começo de 2013 e se chamará Destinada.
 
Capa do livro 'Ilusões'
 
O SaraivaConteúdo conversou com Aprilynne Pike sobre fadas, sua rotina como escritora e seus próximos projetos.
 
Você disse em entrevista que foi uma criança com uma imaginação hiperativa. Nas histórias que escreve, existe algo de você em seus personagens?
 
Aprilynne Pike. Bem, a minha essência e minha vida imaginária são muito diferentes e, na verdade, sempre foi assim. Nunca fui aquela que inventava histórias onde eu era o personagem principal – era sempre outra pessoa. Verdade seja dita: eu sou um pouco chata – é por isso que eu gosto de inventar coisas que falem de pessoas interessantes! (risos)
 
O que as fadas têm de tão legais que a levou a escrever sobre elas?
 
Aprilynne Pike. As fadas são incríveis! Eu sempre amei fadas desde que era uma garotinha, e quando decidi que queria escrever uma série de fantasia juvenil, foi uma escolha natural.
 
Você escreve sobre adolescentes sem ser dramática ou boba. Na sua opinião, qual é o maior erro que um escritor pode cometer com seus jovens leitores?
 
Aprilynne Pike. Eu acho que o maior erro que um autor adulto pode cometer é escrever sobre os adolescentes do jeito que ele os enxerga. Você tem que escrever do jeito que eles se veem.
 
A série Fadas termina com Destinada, ainda sem publicação no Brasil. Depois de quatro livros (e agora que deu um ponto final para ela), como você se sente?
 
Aprilynne Pike. É um pouco engraçado, isso. Na verdade, autores de séries têm que trabalhar um ano e meio antes do calendário de lançamento de um próximo livro. Um ano antes de Destinada ser publicado, eu já tinha terminado de escrevê-lo. Então, minha participação na série Fadas já tinha acabado no meio de 2011! Mas a fase de lançamento é a parte mais divertida de se observar.
 
Você escreve sobre personagens sobrenaturais. Já conheceu algum ser fantástico ou espera conhecer um dia? (risos)
 
Aprilynne Pike. Muitas vezes eu digo às pessoas que acredito na possibilidade deste mundo ter muito mais do que a gente conhece… Mas não, nunca tive nenhum encontro verdadeiro com o sobrenatural! (risos)
 
Você já pensou algum dia em como seria a sua reação se descobrisse que é uma fada?
 
Aprilynne Pike. Sinceramente, eu imagino que gritar e voar por aí estaria no pacote! (risos)
 
Desde criança, Aprilynne gosta de fadas e escrever sobre elas foi uma escolha natural
 
Alguns leitores acham que a Laurel é boazinha demais. Você queria que ela fosse vista desse jeito?
 
Aprilynne Pike. Laurel não é rebelde e ela foi educada para ter vontades bem simples. Eu acho que nunca pensei nisso como sendo bondade demais. Mas ela tem, sim, um bom coração e não traz o sarcasmo amargo que muitas das heroínas populares têm. Eu quis essa característica assim, porque desejei mostrar um tipo diferente de personagem forte.
 
O que você acha que é mais fácil para Laurel: achar um namorado ou lutar numa guerra contra os trolls?
 
Aprilynne Pike. As duas coisas são diferentes e difíceis! Mas, pelo menos na guerra contra os trolls, ela sabe com certeza de que lado está! (risos)
 
Laurel parece gostar tanto de David quanto de Tamani. Se você pudesse escolher um dos dois, qual seria a sua escolha?
 
Aprilynne Pike. Eu criei David e Tamani como duas versões diferentes do cara perfeito. Dito isso, acho que Tamani seria um namorado melhor e David seria um marido melhor. A escolha é sua! (risos)
 
Há algum tempo existem rumores de que a série Fadas vai virar um filme. O que você pode nos dizer sobre isso?
 
Aprilynne Pike. Apenas que os projetos continuam a evoluir! É um caminho longo e muitas vezes devagar, mas há pessoas trabalhando para que isso aconteça.
 
Como é a sua rotina diária e como você escreve?
 
Aprilynne Pike. Eu escrevo quando meu bebê dorme. Mais especificamente, meu dia começa quando levo meus outros três filhos ao colégio. Então, eu passo a manhã com a menor de um aninho, fazendo tarefas, resolvendo a vida e as compras da casa, etc. Esse é o horário de trabalho do meu marido, ele é professor e tem muito dever de casa para corrigir! Depois chega a hora do almoço, eu coloco a bebê para tirar uma soneca e, então, meu marido vai dar aula. Esse é o momento em que eu escrevo – geralmente, são cerca de três horas. Depois que as crianças voltam da escola, eu visto meu “chapéu de mãe” de novo e a gente faz o dever de casa, toca piano e brinca. Depois vêm o jantar e a hora de contar histórias para as crianças dormirem, os abraços, cafunés e beijos, e então todas dormem. Essa é a hora de escrever de novo. Se meu prazo está apertado, posso me levantar na madrugada e encarar outras três horas de escrita.
 
Você pode adiantar para a gente qual será a sua próxima aventura literária?
 
Aprilynne Pike. Na verdade, eu tenho dois projetos! No próximo verão, tenho um livro stand-alone e uma nova série saindo. O stand-alone chama-se Life After Theft. Ele fala sobre um fantasma cleptomaníaco e um garoto que consegue vê-lo. Estranhamente, é uma releitura do livro Pimpinela Escarlate, da escritora Baronesa de Orczy. A minha nova série começa com o livro Earthbound (que ainda não foi publicado), sobre uma garota que sobrevive a um acidente de avião. Enquanto ela se recupera, poderes e lembranças que ela nunca soube que existiam vêm à tona. Mas e o avião que caiu? Não parece que foi um acidente…
 
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