Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 06.12.2013 06.12.2013

Aos 50, Brad Pitt renova seu público e leva multidões aos cinemas

Por Fernanda Oliveira
 
Definitivamente, não parece. Mas em poucos dias mais exatamente em 18 de dezembro Brad Pitt completará 50 anos de idade. Ao longo de sua carreira, o ator com status de galã se preocupou em mostrar sua versatilidade, provando que é muito mais que um "rostinho bonito". E é justamente isso que o manteve como grande astro de Hollywood por tantos anos.
 
Não há como negar que a beleza deu uma forcinha em seus primeiros papéis, mas, na verdade, Brad teve que "suar" muito até mesmo para ver seu nome nos créditos finais das produções de que participava. Segundo Matheus Bonez, crítico de cinema do site Papo de Cinema, O Príncipe das Sombras, um longa obscuro de 1988, foi sua estreia creditada. "Antes, ele já havia feito outros filmes sem ter seu nome estampado".
 
Até que as portas para produções maiores começaram a se abrir, e o astro pôde demonstrar suas qualidades como ator junto com seus belos olhos azuis, é claro. Para o crítico, foi em Thelma & Louise (1991) que ele começou a mostrar que tinha talento dramático e potencial para filmes mais densos. E também foi com esse longa que conquistou o público feminino, que passou a acompanhá-lo.
 
Pouco tempo depois, vieram os sucessos Entrevista com Vampiro (1994) e Seven: Os Sete Crimes Capitais (1995). Foi com esses dois trabalhos que o ator, já com uma legião de fãs, obteve reconhecimento da crítica. "Brad começou a alavancar não apenas suspiros das fãs, mas também aplausos da crítica com personagens interessantes e complexos", confirma Bonez.
 
Entrevista com Vampiro foi um dos primeiros grandes sucessos de Brad
 
Para o crítico de cinema Marcelo Müller, o ator parece cada vez mais disposto a não se apoiar de forma demasiada na figura de galã. "A progressão de sua carreira mostra isso, com escolhas arriscadas e uma aparente vontade de trabalhar diversos tipos de papéis, com cineastas diversos".
 
RECONHECIMENTO
 
O crítico do site Papo de Cinema acredita que o auge da carreira do ator chegou com Clube da Luta (1999), filme protagonizado por ele e Edward Norton e aclamado até hoje por um público diversificado, que provou o apelo do astro junto a diferentes perfis de espectadores.
 
Em Clube da Luta, o ator interpretou o violento Tyler
 
No entanto, para ele, não há como dizer que esse foi ponto alto de Brad, já que, depois dessa produção, vieram muitos outros projetos importantes. E isso se mantém até hoje, basta citar sucessos mais recentes como O Curioso Caso de Benjamin Buton (2008) e O Homem que Mudou o Jogo (2011), além do tão comentado Guerra Mundial Z, lançado este ano.
 
Em relação ao reconhecimento, aí sim existe uma produção que evidenciou seu talento: Os Doze Macacos (1996). "O papel lhe valeu sua primeira indicação ao Oscar como ator coadjuvante", acrescenta Bonez. Nesse trabalho, Brad ficou irreconhecível e, assim, passou a mostrar toda a sua versatilidade. Então, surgiram personagens com perfis bastante inusitados, e o ator foi de bonitão a maluco, de herói a brigão etc.
 
Cena de Guerra Mundial Z
 
"Ao variar entre papéis um tanto quanto superficiais, que priorizavam sua beleza como em Encontro Marcado (1998) , e o tipo amalucado de Bastardos Inglórios (2009), o acéfalo de Queime Depois de Ler (2008) e o violento Tyler de Clube da Luta (talvez seu papel de maior referência no cenário 'cool'), Brad mostra que seu talento realmente vai além de seu físico, imergindo em diferentes tipos e gêneros, que vão do drama romântico à ação desenfreada, da comédia escapista a uma densa crítica à sociedade de consumo. Com tantas interpretações variadas, está mais do que comprovado que o ator consegue encarnar várias faces", ressalta o crítico do site Papo de Cinema.
 
Brad no filme de Tarantino Bastardos Inglórios
 
DESAFIOS
 
"Brad é um ator que enfrenta a si mesmo, corajoso, não fica no lugar-comum, no comodismo. Ele está sempre experimentando diferentes tipos de personagens e também atuando em outras frentes, como produtor, por exemplo", destaca Bonez.
 
Ainda de acordo com o crítico, além da produção de filmes que ele mesmo estrela, como Guerra Mundial Z e O Homem que Mudou o Jogo, o astro também fez parte da equipe de Comer, Rezar, Amar, O Preço da Coragem e até do "oscarizado" Os Infiltrados, de Martin Scorsese. Além disso, produziu para a televisão norte-americana o piloto da série Resurrection.
 
Com isso, pode-se concluir que Brad Pitt é um ator que aposta em diferentes gêneros, seja atuando ou produzindo. Assim, dá novos rumos a uma carreira de sucesso e até mesmo estável. Com a entrada no grupo dos "cinquentões", os tipos de trabalho podem mudar, mas nada motivado pelo perfil de idade. "Ele chega aos 50 anos, mas continua (mesmo com algumas rugas) com um ar jovial e físico impecável. Se mudar o perfil de seus personagens, vai ser pelas próprias experimentações que gosta de fazer", acredita Bonez.
 
E completa: "Da geração de 'bonitões' de Hollywood que surgiram entre o final dos anos 1980 e início dos 1990, Brad é um dos que têm a carreira mais coesa e diferenciada, sempre entregando de bons a excepcionais trabalhos graças à sua natureza mutante de querer sempre inovar. Como todo bom artista, ele sabe o quanto essas metamorfoses são necessárias".
 
 
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