Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 30.11.2012 30.11.2012

Ao gosto do freguês: as utilidades das redes sociais literárias

Por Maria Fernanda Moraes
 
Sabe quando você procura desesperadamente aquele livro perdido na estante e não tem a menor ideia de onde ele foi parar? Pois bem, um dos trunfos oferecidos pelas redes sociais literárias é exatamente suprir esse lapso de memória: a possibilidade de “tagear” seus exemplares, indicando se eles estão emprestados a alguém, ou ainda catalogar o que você já leu, está lendo ou pretende ler. Há ainda a oportunidade de obter dicas de novas leituras e até mesmo trocar os seus livros com os outros leitores da rede.
 
O sucesso das redes sociais literárias já começou faz algum tempo. Hoje, elas contam com milhares de leitores cadastrados, que usufruem e potencializam cada vez mais suas utilidades. O SaraivaConteúdo foi pesquisar quais as mais populares entre os usuários e conversou com dois blogueiros e leitores compulsivos. Taize Odelli, 23 anos, uma das autoras do Blog R.izze.nhas, é usuária do Skoob desde 2009 e passou a usar o Goodreads este ano. “Estou acessando mais ele [Goodreads] para marcar o andamento das leituras, mas mantenho o Skoob sempre atualizado também”.
 
Além da questão da sociabilidade, Taize pondera que as redes podem contribuir em questões práticas, como organização de leitura, por exemplo. “Às vezes esqueço que li tal livro, quando li… e nessas redes é mais fácil conseguir resgatar essas informações e montar um banco de registro das minhas leituras. É relevante para espalhar a leitura e descobrir novos livros. O leitor cria um grupo de amigos que trocam experiências, auxiliam a escolher a próxima leitura, e é um espaço útil para discutir literatura – além dos fóruns e blogs”.
 
Arthur Tertuliano, 25 anos, editor do blog O Leitor Comum, conta que as redes o auxiliam nas postagens no blog. “No meu blog, há uma seção dedicada a abordar as leituras do mês: se eu li mais coisas de um gênero, se há algo que me fez preferir tais livros a outros, se eu quase não tive tempo para ler por conta da vida corrida. Se eu não tivesse o Skoob para poder conferir quais livros terminei, eu não daria conta de tudo: não teria paciência para anotar numa agenda, por exemplo. Ainda mais sabendo que, só neste ano, já foram lidos 135 livros, fora os diversos que estão pela metade”. 
 
Arthur também consegue sumariar algumas questões mais abstratas do meio virtual e aplicá-las ao dia a dia. “Normalmente, não saímos por aí falando que estamos lendo tal livro; mas, se um amigo vê por lá que estamos no meio dessa leitura e o livro o interessa, uma conversa pode desenrolar daí. Além de, claro, ajudar na questão de quais livros dar de presente de aniversário, por exemplo. Esse tipo de rede social permite que descubramos o que nossos amigos da vida cotidiana estão lendo, o que faz com que a literatura seja menos relacionada com isolamento”, definiu.
 
Confira algumas dicas dos usuários sobre as redes que eles mais usam:
 
Goodreads
Facilidade: possui uma lista de recomendações de acordo com os seus interesses e com os livros marcados como lidos.
 
– Dica da Taize: para interagir com outros leitores, entre as duas redes que uso, o Goodreads é a que tem a interface mais simples de usar para ver e comentar as leituras dos meus amigos.
 
Skoob
Facilidade: tem dois grandes diferenciais, que são a possibilidade de trocas de livros e a presença de várias editoras cadastradas no site.
 
– Dica do Arthur: é mais fácil encontrar no Skoob títulos que li há pouco tempo ou li há muitos anos – na infância ou na adolescência, por exemplo.
 
– Dica da Taize: uma coisa legal do Skoob é poder marcar o status do livro, se ele está emprestado ou não, se você o possui em casa, organizar o que quer ler futuramente.
 
Para conhecer outras redes e se cadastrar:
Shelfari 
LibraryThing  
Goodreads
Skoob 
 
ESMIUÇANDO REFERÊNCIAS
 
Uma ferramenta que potencializa as narrativas de suas obras preferidas, relacionando todos os lugares, pessoas, músicas, filmes e outros detalhes que aparecem nele de forma colaborativa. É o que faz o site Small Demons, em que qualquer usuário pode se cadastrar e contribuir com a sua referência em cada livro. As publicações seguem o estilo colaborativo wiki.
 
Os sites Shelfari e Skoob
 
A ideia é simples: a partir de uma obra, são listadas todas as referências que aparecem nela: jornais, revistas, pessoas famosas, lugares, músicas, filmes, comidas, enfim, tudo que possa ser referenciado. Por exemplo, no caso de Trainspotting, de Irvine Welsh, já foram catalogadas as seguintes referências:
 
– personalidades mencionadas: Jean-Claude Van Damme, Deus, Frank Zappa, Margaret Thatcher, Iggy Pop, John Lennon, Lou Reed
– lugares: Itália, França, Reino Unido
– marcas: Virgin, Fender, Black & Decker
– música: Sweet Caroline, de Neil Diamond, Maria, do Blondie, Roadhouse Blues, do The Doors, There is a light that never goes out, do The Smiths
– filmes: Planeta dos Macacos, Taxi Driver, O Exorcista
– bebidas: Carlsberg Special, Coca-Cola, Jack Daniel’s
– revistas e jornais: Daily Planet, Cosmopolitan
– tabaco e drogas: heroína, LSD, ecstasy, Marlboro, Valium
 
Ao acessar o site, o usuário encontra no topo da página uma citação literária correspondente a um livro de maneira aleatória, onde está ressaltado um nome (de um artista, escritor, cantor), que é um hiperlink. Ao clicar nesse hiperlink, o usuário é direcionado às referências sobre essa personalidade, como, por exemplo, quantas vezes ele é citado nas obras. Há também o verbete sobre o livro, com suas respectivas referências.
 
A partir da ferramenta, também é possível obter estatísticas curiosas. No início de outubro, eles divulgaram uma pesquisa indicando que Hey Jude, dos Beatles, é uma das músicas mais mencionadas na literatura. Ela é citada em pelo menos 55 trabalhos de ficção, incluindo obras de Stephen King, por exemplo.
 
A ferramenta ainda está em fase de testes, mas já conta com mais de 7 mil livros catalogados.
 
 
 
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