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Annalena McAfee lança seu livro e discute jornalismo cultural na Casa de Cultura

 
ESPECIAL
 
Por Maria Fernanda Moraes
A literatura também forma casais na vida real e hoje foi o dia de um deles em Paraty. O escritor britânico Ian McEwan se apresentou na Tenda dos Autores no início da tarde, e sua esposa, Annalena McAfee, foi a estrela da mesa da Casa da Cultura que discutiu o jornalismo literário, durante a programação da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip).
 
Annalena foi jornalista do The Guardian por muitos anos e criadora do suplemento literário do jornal. Depois de deixar o jornalismo se dedicou exclusivamente ao romance que lançou na tarde do dia 7 de julho, na Casa de Cultura. Exclusiva narra a história de uma jovem jornalista de coluna de fofocas que almeja migrar para o caderno literário e vê sua chance chegar ao entrevistar uma veterana correspondente de guerra. A partir daí, o enredo se desenvolve sempre voltando à batida frase do jornalismo de que "toda história tem dois lados".
 
Junto com Annalena, também estava presente na mesa Paulo Roberto Pires (Se um de Nós Dois Morrer), escritor, jornalista e editor da revista Serrote; e Paulo Werneck, editor do caderno Ilustríssima da Folha de São Paulo, que fez a mediação.
 
Pegando o gancho do enredo de Exclusiva, Paulo Pires listou também alguns livros brasileiros que tratam do tema como Asfalto Selvagem, de Nelson Rodrigues, e Cabeça de Papel, de Paulo Francis.
 
Os escritores, com trajetórias profissionais bem semelhantes, contaram um pouco das experiências nas redações em que trabalharam e expuseram suas ideias sobre os rumos do jornalismo cultural e a influência da internet.
 
Annalena, que foi uma das especialistas em divulgação cultural e jornais sobre livros, diz que o ideal seria os jornais terem espaço também para a alta cultura, mas infelizmente, hoje se usa um denominador comum mais baixo para manter a circulação. "O problema é achar que o jornalismo cultural é elitista", completou Pires. "Há lugar para todas as coisas. Ele não é elitista, é apenas um nicho específico".
                                                                                                        Fotos: Flip 2012/André Conti
 
Eles também falaram sobre o garimpo de novos autores. "Isso é uma das coisas que herdamos do jornalismo, esse faro", pontuou Paulo. "Mas não podemos nos prender a essas antologias de novos autores que surgem todos os anos. Temos que estar atentos às novidades também por conta própria. Não se acomodar em receber os livros em casa, mas ir atrás". A escritora inglesa contou que teve duas belas surpresas nesse caminho de garimpos: Dorothy Molloy e Alice Oswald, duas poetisas inglesas.
 
Como saíram de redações de jornais que prezam o estilo objetivo de escrita, eles comentaram sobre essa limitação estilística e sobre as diferenças que encontraram com a mudança. "Para mim, o que mais sinto é a diferença quanto ao prazo de entrega, que no jornalismo é muito mais apertado. Mas a disciplina do jornalismo ensina, é um bom treinamento", disse Anna.
 
Fechando a mesa em grande estilo didático, os escritores deixaram conselhos a um jovem editor de caderno cultural:
 
"Não seja condescendente com seus leitores, fale para cima, não para baixo" – Annalena
 
"Fale sobre o que você tem interesse, a chance de agradar é grande" – Paulo Pires

 

 
ESPECIAL
 
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