Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 06.02.2013 06.02.2013

‘Anna Karenina’ ganha nova versão cinematográfica

Por Luma Pereira
 
Atualizado em 7/2
 
Quando Anna Karenina foi publicado na Rússia, entre 1873 e 1877, o escritor russo Liev Tolstói não fazia ideia do quão conhecida se tornaria sua obra, muito menos que sobreviveria aos séculos e receberia várias adaptações para o cinema – com atrizes tão talentosas dando vida à sua personagem.
 
Em março, estreia nas salas do Brasil mais um filme baseado no clássico, com direção de Joe Wright.
 
Keira Knightley (Orgulho e Preconceito) é Anna Karenina, esposa de Alexei Karenin (Jude Law) e que decide abandonar tudo por um amor extraconjugal com o Conde Vronsky (Aaron Johnson).
 
Keira, porém, não foi a primeira e não será a última a interpretar essa famosa heroína da literatura russa. As adaptações do livro começaram a aparecer em 1917, mas as atrizes mais renomadas que já estrelaram esse papel são Greta Garbo (1935), Vivien Leigh (1948), Tatyana Samojlova (1967) e Sophie Marceau (1997).
 
GRETA GARBO
 
O Anna Karenina de 1935, dirigido por Clarence Brown, foi estrelado por uma das maiores atrizes de Hollywood: Greta Garbo (A Dama das Camélias). Reinaldo Glioche, crítico de cinema, acredita que a produção foi essencial para reafirmar a importância do romance de Tolstói e a fama da atriz.
 
“Sua atuação em Anna Karenina esbanja classe, elegância, beleza; é tudo o que podemos definir como 'clássico', no sentido mais amplo. É quase irreal, uma deusa, produto de uma época em que as estrelas de cinema pareciam acima dos seres humanos normais”, comenta Carlos Primati, crítico de cinema.
 
O filme, ainda em preto e branco, mostra a delicadeza com que Greta Garbo interpreta a personagem. Quatro vezes indicada ao Oscar de Melhor Atriz, só recebeu a estatueta quando a Academia resolveu premiá-la pelo conjunto de sua obra, em 1954.
VIVIEN LEIGH
 
Quando Vivien Leigh interpretou a personagem, já gozava de estrelato e tinha um Oscar de Melhor Atriz na estante: pelo longa …E o Vento Levou, de 1940. Dirigido pelo francês Julien Duvivier, em 1948, foi filmado em Londres – uma das primeiras coproduções EUA – Inglaterra.
 
“Vivien Leigh trouxe fragilidade à personagem em tons jamais imaginados, mas não deixou escapar a força que sua persona carregava desde os tempos Scarlett O’Hara, em ...E o Vento Levou”, comenta Glioche. Já Primati acredita que a atriz ficou aprisionada na protagonista que interpretou nesse filme.
 
“Grande parte dos seus papéis posteriores a Scarlett O’Hara parecia ainda sofrer resquícios da personagem, ainda mais quando eram em filmes de época, como na versão de 1948 de Anna Karenina”, diz o crítico de cinema.
 
Greta Garbo (esquerda) e Vivien Leigh (direita) já interpretaram a heroína da obra do escritor russo Liev Tolstói 
 
TATYANA SAMOJLOVA
 
Para uma obra da literatura russa, como não haver uma adaptação feita por russos? O Anna Karenina de 1967, com direção de Aleksandr Zarkhi, foi produzido pelos conterrâneos de Tolstói e demorou dois anos para ser finalizado.
 
Tatyana Samojlova, estrela da União Soviética, é a protagonista desta vez. “Esta versão de 1967 não gerou interesse internacional e pouco fez por sua intérprete, que permaneceu confinada ao cinema russo, sem migrar para o cinema americano”, diz Glioche.
 
E completa: “A fita é uma das poucas versões de Anna Karenina que não participou de festivais internacionais ou foi indicada a prêmios”.
 
SOPHIE MARCEAU
 
Agora nesta produção, de 1997, uma francesa foi escolhida para ser a protagonista: Sophie Marceau (Coração Valente). Para Glioche, a Anna Karenina desta atriz é “a mais pálida de todas”. Dirigido por Bernard Rose, esta é a primeira das versões da história a ser rodada na própria Rússia e que traz um figurino mais moderno.
 
“Pouco articulada dramaticamente e prejudicada por um filme com arranjos de telefilme, Sophie Marceau não conseguiu submergir a impressão de que Vivien Leigh ainda era a melhor encarnação da personagem no cinema”, completa o crítico. Carlos Primati concorda que a atriz deixou a desejar em beleza e carisma em relação às protagonistas que havia interpretado anteriormente.
 
“Porém, ela mostra dignidade e intensidade em sua interpretação na Anna Karenina de 1997, uma versão bem mais caprichada da história, em termos de valores de produção”, diz Primati. E completa: “A paixão e o erotismo também são explorados com mais intensidade, devido à época que dispunha de mais liberdade para lidar com esses temas”.
 
KEIRA KNIGHTLEY
 
Das páginas da obra de Tolstói, passando pela sueca Greta Garbo e pela indiana Vivien Leigh, além da russa Tatyana Samojlova e da francesa Sophie Marceau, agora a heroína ganha vida novamente na pele da inglesa Keira Knightley.
 
Primati acredita que a atuação dela não será algo memorável e marcante: “Ela vai sofrer com as comparações, ainda mais tendo Greta Garbo como sombra”, diz. “Imagino que ela interprete o papel no mesmo estilo intenso e dramático das produções mais modernas, e também deve haver uma carga mais acintosa de sexualidade e erotismo, bem ao gosto do público de hoje”, completa o crítico de cinema.
 
Ela já foi Elizabeth Bennet, de Orgulho e Preconceito (2005, do livro de Jane Austen), e Cecilia Tallis, de Desejo e Reparação (2007, do livro de Ian McEwan), ambos dirigidos por Joe Wright. Anna Karenina (2013) é a terceira adaptação cinematográfica baseada em livro em que a atriz e o cineasta se encontram nos sets. Virá mais um bom filme?
 
A atriz Keira Knightley em cena do filme
 
 
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