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Animadores brasileiros usam stop motion para produzir filme de longa-metragem

Por Edu Fernandes

 
Entre as animações que entram em cartaz nos cinemas em 2012, duas delas partilham uma particularidade. Piratas Pirados! e Frankenweenie foram feitas com stop motion.
 
Essa técnica é realizada tirando-se fotografias de objetos e movendo-os ligeiramente entre uma tomada e outra, como os conhecidos desenhos com bonecos de massinha.
 
Nos últimos anos, o stop motion ganhou popularidade entre os grandes lançamentos de cinema, como A Noiva Cadáver e Caroline.
 
O Brasil não está fora dessa tendência. Em Santa Catarina, a produtora AnimaKing realiza o longa-metragem Minhocas, cujas filmagens terminaram em meados de abril. A estreia deve acontecer ainda em 2012. 
 
A empresa costuma produzir conteúdos para o mercado publicitário, mas nos últimos anos aventurou-se no mundo cinematográfico.
 
Para falar dessa produção e de outros títulos em stop motion, Paolo Conti conversou com o SaraivaConteúdo. Ele é um dos sócios da AnimaKing e assina a direção de Minhocas.
 
Quanto tempo de filmagens foi necessário para realizar Minhocas?
 
Paolo. Estamos no quarto ano de trabalho em Minhocas. Passamos os dois últimos anos em filmagem. Poderia ter sido mais rápido, mas ainda estamos dentro do cronograma normal de um longa de animação. O que gerou o atraso foi a dificuldade natural de se fazer cinema no Brasil. Ainda não temos uma indústria consolidada, mas isso ainda vai acontecer.
 
O teaser online pode ser visto em inglês. Há alguma razão por essa opção?
 
Paolo. Temos um teaser em português do filme, mas o projeto todo foi pensado em inglês. A movimentação da boca dos personagens tem como base as falas em inglês. Minhocas foi projetado como um produto de exportação. A gente teve a pretensão de realizar um filme de nível internacional. Queremos distribuir o filme no mundo inteiro com a ajuda da Fox. Pensamos dessa maneira porque é assim que acontece no mercado. Estamos acostumados a receber filmes de animação em inglês e deixar que nossos dubladores coloquem as falas em português na boca dos personagens. Temos profissionais muito competentes para isso. Se fizéssemos ao contrário, seria mais estranho e complicado para o mercado internacional.
 
Como a tecnologia ajuda em uma animação stop motion?
 
Paolo. Eu costumo dizer que o stop motion é o encontro da alta tecnologia com o trabalho manual. No filme, há detalhes muito artísticos e manuais, como lixar as pálpebras dos personagens e depois pintar os bonecos com tinta. Por outro lado, também tem uma parte tecnológica bem forte. Nós desenvolvemos robôs para movimentação de câmera, de bonecos. Temos cenários mecanizados. Tudo misturado, a parte feita à mão e a tecnológica. Tínhamos 60 artistas na produção dos elementos: arquitetos, designers, artistas plásticos.
 
Por que você acha que o stop motion voltou à moda?
 
Paolo. Eu acho que o que aconteceu foi um processo em que as produções em computação gráfica ficaram muito populares. Antes, havia os filmes feitos em animação clássica em 2D, mas o 3D da computação traz volume para as cenas. Os produtores encontraram no stop motion uma maneira de dar volume tridimensional com o conceito da arte feita à mão, como os desenhos em 2D.
 
Qual a diferença entre os dois modos de produção?
Paolo. No final das contas, o computador é apenas uma ferramenta do animador, como um lápis. Mesmo assim, há uma diferença entre os dois modos de trabalho. Quem visitou nosso estúdio durante as gravações ficou encantado com os bonecos e os cenários. Quando se vai a uma produtora de computação gráfica, o que se vê é um monte de gente atrás dos computadores.
O stop motion é um processo muito trabalhoso e desgastante, mas acho que mais produções desse tipo virão. Acho que é a tendência.
Animador ajusta os bonecos durante as gravações de Minhocas
 
A projeção em 3D colabora para a linguagem do stop motion?
 
Paolo. Acho que a estereoscopia é totalmente positiva, principalmente porque no stop motion temos câmeras e estúdios de verdade. O processo para fazer um filme em 3D não dificulta a produção, apenas há uma demanda maior no processo de finalização. Portanto, o 3D não é um grande complicador. Minhocas não foi pensado para ter esse tipo de projeção, porque começamos esse projeto há muito tempo. Nosso próximo filme certamente será pensado para ser assim, em 3D.
 
Assista ao teaser de Minhocas:
 

 
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