Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 15.08.2012 15.08.2012

André Vianco lança novo título e faz sessão de autógrafos na Bienal

 
 
 
 
Por Marcelo Rafael
 
“As pessoas falam que os meus vampiros se parecem com os X-Men, por causa dos superpoderes: um congela, o outro se transforma em lobo… Eu tiro sarro, eu digo que os X-Men é que se parecem com os vampiros porque o Drácula, lá no começo, já se transformava em névoa, virava água, virava um monte de coisas”, brincou André Vianco durante mesa redonda na 22ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo.
Completavam o debate sobre fantasia e horror os autores Martha Argel, Santiago Nazarian, Sarah Bakley-Cartwright (autora de A Garota da Capa Vermelha) e Giulia Moon. Esta última lança seu terceiro livro sobre sua vampiresa nipônica, Kaori e o Samurai sem Braço.
A conversa com o público girou em torno do novo ambiente em que a literatura do gênero se encontra, após Crepúsculo, sobre experiências pessoais de criação e novos rumos dos livros.
Moon, que era publicitária antes de se lançar na literatura – tendo inclusive criado a personagem Lilica Ripilica, da Marisol, nessa época –, revelou que sempre gostou muito de fadas, mas achava as histórias muito bobinhas. Até que encontrou Tolkien. “Eu descobri que era possível fazer uma história superelaborada, complexa, muito bacana, com elfos e fadas”, comentou.
Sobre o processo criativo, Martha Argel, que também é bióloga, contou como é transitar entre o meio acadêmico e os livros vampirescos. “Existem pontos em comum entre literatura e escrita acadêmica, no sentido de que você está trabalhando com informação. São diferentes informações, e aí entram as diferenças de forma; mas quando você escreve, você tem que pensar no leitor”, explicou.
Já a californiana Bakley-Cartwright teve o privilégio de compor seu best-seller à medida que o filme ia sendo produzido. “Se tinha dúvida sobre alguma coisa, eu tinha a chance de descer ao set de filmagens e ver como poderia ser tal coisa da época”. Mas nem isso facilita a elaboração de uma obra. É preciso ser convincente. “Se você diz, que um elefante caiu do céu, ninguém vai acreditar. Mas se você escreve que dez elefantes caíram do céu, isso pode ser crível para o seu leitor”, comenta a respeito de tornar um mundo mágico crível e verossímil.
Vianco concorda. “É fácil escrever sobre fantasia, sobre dragões, porque você responde às perguntas básicas ‘Como ele é? De que tamanho? De onde veio?’. Mas se você não tiver substância na sua história, se as pessoas e o real não forem convincentes e agradáveis, vai ser vazio”, conta.
O mais importante, segundo ele, não é o tamanho do dragão nem como ele cospe fogo, mas o que as pessoas fazem, quem elas são, seus medos, seus desejos. Senão, tudo fica pobre. “O dragão era vermelho e matou aquele cara. ‘E aí? Que mais?’ Nada, ele voou e foi embora”, ironiza.
Ele alfineta Stephenie Meyer nas declarações que ela faz sobre ter lido Drácula e não ter gostado, ter achado nojento. “Então, por que diabos vai escrever um livro de vampiro?”. Mas completa, dizendo que todos têm o direito de escrever e que a nova cara que ela deu aos vampiros funcionou. “Não tem como não dizer que não deu certo, bateu recordes de bilheteria e tal”, acrescenta.
Todos concordam que Meyer trouxe uma nova cara para o tema, apesar das críticas sobre os livros e os filmes. “Sem sombra de dúvida, a autora tem uma grande qualidade de storytelling. O que a gente questiona é aquele ‘chove-não-molha’ do Edward e da Bella”, comenta Vianco.
 
Autores de terror e fantasia no espaço # Você + Quem = ? da Bienal do Livro de São Paulo
O autor de Osasco começou sua carreira imprimindo mil cópias de sua primeira obra com dinheiro de seu próprio bolso e, só após o sucesso, conseguiu publicar por uma editora. Ele considera que hoje é bem mais fácil se lançar no mercado. “Se você não se contenta com a publicação digital, que está sendo vendida no site ou no seu próprio blog, e quer ter uma publicação física, uma noite de autógrafos, a publicação está bem mais barata hoje com as gráficas expressas, com a tecnologia que se desenvolveu. Era muito mais difícil no meu tempo.”
Mas não tira o mérito de seus feitos. “Talvez essa dificuldade é que tenha feito tanta diferença para eu alcançar tantas livrarias e formar um público leitor”, completa.
Sobre novas mídias, ele avalia que os escritores têm que se acostumar a contar histórias de uma forma diferente, já que o público vai consumir de uma forma distinta. “Tem que estar antenado para o que está acontecendo”.
O Turno da Noite, que foi adaptado para o vídeo, com três episódios postados no blog do autor, também foi produzido com verba própria. E transpor seus vampiros para o cinema nos moldes de um blockbuster não seria algo fácil. “É complicado. Envolve muita grana. O que estou fazendo agora com minha produtora, a Cria Mundus, é desenvolver roteiros que possam ser desenvolvidos com baixo orçamento”, conta.
E novidades estão por vir. Vianco revelou que, enquanto produzia O Turno da Noite, acabou fechando contrato com a Globo para produzir séries originais. “Tá todo mundo prestando atenção em fantasia e terror nacional, então, vamos ver se isso se converte em uma coisa interessante para as outras mídias e não só para as editoras. Por que não deixar o terror ter um representante nacional, de vampiro, de lobisomem, do nosso folclore?”, completa.
 
Lançamento do livro HQ Turno da noite – escuridão eterna, de André Vianco, Editora Novo Século
Imagens e personagens saídos das páginas de um dos maiores sucessos do escritor André Vianco ganham forma e cor nos traços do artista Santtos e materializam as aventuras de "O Turno da Noite" nessa obra fantástica. Quem é fã de Vianco não pode perder e quem ainda não conhece o trabalho de um dos maiores escritores da atualidade encontra em "Escuridão Eterna" uma excelente chance para experimentar a imaginação do autor.
Onde: Estande da Saraiva na Bienal do Livro
Quando: 16/8, quinta às 19h
 
 
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