Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 30.04.2010 30.04.2010

Allen revisita NY, situações e tipos em “”Tudo pode dar certo””

Neste retorno a Nova York, e intermezzo entre produções “estrangeiras” como “Vicky Cristina Barcelona”, “You’ll meet a dark, tall stranger” (filmado em Londres, e que estréia fora de competição em Cannes) e “Midnight Paris”, que ainda está em pré-produção, Woody Allen revisita também tipos, situações etc. de filmes que dirigiu nos anos 70. Com uma certa mudança no tom.

Em “Tudo pode dar certo” (“Whatever works”), o comediante Larry David (da série “Curb your enthusiasm”) é Boris Yellnikoff, ex-professor universitário, auto-proclamado gênio, que já teria até mesmo sido cogitado para o prêmio Nobel de Física, dado a ataques de rabugice – e de pânico – desde que “se deu conta” de que os sonhos e aspirações da juventude são uma tolice. Até mesmo seu aparentemente bem-sucedido casamento lhe parece um fiasco, o que o leva uma malsucedida tentativa de suicídio e conseqüente.

Todo esse pessimismo, no entanto, é posto à prova quando entra em sua vida a jovem Melody (a carismática Evan Rachel Wood), cuja ingenuidade e doçura se casam de forma insólita com a resignação e mau humor de Boris. As trajetórias da dupla, no entanto, sofrem novas reviravoltas quando aparece em cena a mãe (a ótima Patrícia Clark) de Melody. As mudanças só confirmam a aleatoriedade da vida, como defende Boris.

Allen revisita, como já dito, outros de seus filmes: como é de costume em filmes em que não atua, o diretor imprime em seu ator principal (aqui Larry David) características de seus personagens célebres, conhecidos pelo humor auto-depreciativo etc. Também como em outras produções, quebra a “quarta parede” e se comunica com a platéia, como fizera em “Noivo neurótico, noiva nervosa” (1977). E as reviravoltas cômicas são bem ao estilo de “Trapaceiros” (2000).

A diferença, porém, é que neste retorno – vale ressaltar que o diretor de fato retomou um roteiro ‘engavetado’ –, o “final feliz” nada tem a ver com a realização de sonhos ou aspirações, nem mesmo com a elaboração de neuroses dos psicanalisados personagens de Allen. Como defende Boris, tudo é aleatório. Mas… tudo está bem quando termina bem.   

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