Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 30.04.2013 30.04.2013

Alice Sant’Anna apresenta seu segundo livro de poesias

Por Carolina Cunha 
 
“Acordei com uma ressaca de felicidade”, disse a poeta Alice Sant'Anna ao SaraivaConteúdo, um dia após o lançamento de Rabo de Baleia, seu segundo livro de poesias.
Aos 24 anos, a carioca é apontada como um dos destaques da nova geração da poesia brasileira. Seu primeiro trabalho, Dobradura (2008), foi bem recebido pela crítica e chegou a ser eleito o livro do ano pelo Jornal do Brasil.
Para a crítica e ensaísta Heloísa Buarque de Holanda, que assina o prefácio do novo livro, nesse segundo trabalho a jovem parece ter alcançado um lugar de maturidade. Sobre isso, Alice prefere manter os pés no chão.
 
“Maturidade é uma palavra que soa estranha saindo da minha boca. Normalmente a gente fala isso dos outros, e não de si mesmo. Acho que o livro tem uma transformação, não para melhor ou pior, mas ele traz uma coisa mais dura. O primeiro era mais alegre e infantil, acho que o segundo está um pouco mais consciente”, diz a escritora.
Nesse intervalo de cinco anos entre uma obra e outra, Alice se formou em jornalismo, morou em Paris por seis meses, engatou um mestrado em letras e hoje trabalha na revista Serrote.
 
Em 2009, após retornar da França, ela queria fazer um livro de poemas sobre viagens. O projeto seria batizado de “Longe é uma palavra longa”. Sua proposta era falar sobre estar fora de casa – aos 16 anos, ela já havia trocado o clima tropical pelo isolamento em uma pequena cidade da Nova Zelândia –, mas a rotina no Rio de Janeiro nos últimos dois anos a fez mudar de ideia. “Pensei que seria muito difícil falar de viagem não morando mais fora”.
A gestação literária de Alice exige um tempo próprio de espera. “É muito estranho, porque eu escrevo muito pouco”, confessa, entregando que o prazo do projeto foi a melhor inspiração para terminar o livro. A culpada pode ser a rotina atribulada ou a falta de clima, mas seu processo de criação é natural e incerto, e muitas vezes brota em lugares improváveis. Sua primeira obra, por exemplo, foi escrita inteirinha dentro de um ônibus, em horas de distração.
”Essa coisa de sentar na cadeira para escrever nunca funcionou comigo. Por isso fico irritada se acontece de sentar e sair alguma coisa ruim. Quando eu escrevo, o que é pontual, o poema já sai praticamente pronto, não consigo ficar enrolando e não gosto de forçar a barra, mesmo que dê uma aflição”.
 
“Rabo de Baleia” é o título do primeiro poema que aparece no livro. Nas páginas, o tema do deslocamento continua presente. Para Alice, o nome também significa um ponto de fuga para o pensamento e um convite para viajar.
 
                   Crédito/Alexandre Sant'Anna
A poeta Alice Sant'Anna
“Me refiro a esta transformação quando a pessoa não fala sobre um lugar, mas sobre a viagem em si. O rabo de baleia é como enxergar a ponta do iceberg; você não precisa ver o animal inteiro para saber que ele está ali. É um instante que você percebe algo que não reparou. Esse milagre que emerge muito rápido e submerge pra sempre, em segundos. O rabo de baleia é uma espécie de porta aberta para imaginar”.
Ao abrir o livro, o leitor pega na mão de Alice e se transporta para instantes rápidos de pequenas narrativas que ganham um tom confessional.
“Minha linguagem é bem coloquial e visual, mas não acho que seja pop. Acabo sempre tentando puxar imagens para a pessoa se sentir dentro daquilo como se fosse um retrato. Tento fazer com que a pessoa entre naquela cena junto comigo”.
Alice começou a escrever no colégio, onde exercitava a escrita em contos. Ao fazer uma pesquisa para uma aula de português, ela esbarrou com o sintético “olho muito tempo o corpo de um poema”, de Ana Cristina Cesar. O estranhamento de Alice com os versos foi como aqueles instantes mágicos que mudam tudo. “Percebi que o poema não precisava ter soneto ou rimar, era possível evocar imagens e fazer de tudo um pouco”.
No dia seguinte, a então adolescente comprou um livro da escritora e, por intermédio do pai, bateu na porta da casa do poeta Armando Freitas Filho, grande amigo de Ana C. e guardião de sua obra. A empatia entre os dois foi imediata. “O Armando virou meu mestre. Foi ele quem me deu força para escrever e continua dando até hoje”.
Parte dos primeiros poemas foi apresentada no tradicional sarau CEP 20.000, criado pelos poetas Chacal e Guilherme Zarvos, no Rio de Janeiro. É o único que frequenta, pois se declara supertímida para falar em público.
 
 
 
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