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‘Alemão’: Belmonte entre novos e velhos amigos

Por Edu Fernandes
 
Cenas de ação em ruelas estreitas no meio das favelas cariocas. Policiais infiltrados na comunidade são desmascarados por traficantes. O clima de tensão e o dinamismo de Alemão (Paris) espelham o processo de realização do filme, que estreou dia 13 de março nos cinemas.
“A gente queria fazer um filme de ação, com agilidade de produção e sem grande orçamento”, disse o produtor Rodrigo Teixeira (Frances Ha) em coletiva de imprensa sobre o longa. “Se usássemos as vias tradicionais de financiamento, perderíamos o controle do tempo e não conseguiríamos filmar na data”.
Na produção, policiais vivem infiltrados no Complexo do Alemão, mas seus disfarces são descobertos. Eles seguem para a Pizzaria do Doca (Otávio Muller, de Reis e Ratos), que também é um dos policiais. No porão do estabelecimento, tentam descobrir se há um delator entre eles e temem que o esconderijo seja invadido por traficantes.
“Quando se concentra os personagens em um espaço fechado, a produção fica mais fácil”, explica Teixeira. “A gente filmou em cinco comunidades diferentes em 18 diárias. Acho que foi o primeiro longa rodado no Alemão, onde encontramos uma energia muito legal”.
“A gente filmou em pouco tempo, mas tinha um elenco incrível”, afirmou o cineasta José Eduardo Belmonte (Billi Pig). “O texto funciona como um norte, mas, como no jazz, abre-se espaço para improvisar em cima dos diálogos”.
 
Cauã Reymond é Playboy, vilão do filme
Muitos dos atores em cena são velhos conhecidos do diretor. Otávio Muller participou de O Gorila (RT Features) e Cauã Reymond protagonizou Se Nada Mais Der Certo (Reserva Nacional). Em Alemão, Cauã é o vilão Playboy, chefe do tráfico no morro.
“Eu queria me desafiar como ator”, disse Reymond. “Durante o laboratório, eu pude ficar um tempo no Complexo do Alemão. Conversei com pessoas que trabalharam para o tráfico e ouvi ‘proibidão’. Algumas das falas do filme saíram da boca de pessoas que eu conheci nesse processo”.
Entre as novas parcerias de Belmonte estão Caio Blat (Bróder), Gabriel Braga Nunes (País do Desejo) e Marcello Melo Jr. (5x Favela – Agora por Nós Mesmos) no grupo de policiais enclausurados. O bando é completado por Milhem Cortaz, no papel do esquentado Branco. O ator participou de outros filmes do diretor, como Meu Mundo em Perigo (Vitrine).
 
Milhem Cortaz (esq.) é Branco, um dos policiais
“Eu me interessei em fazer esse trabalho porque ele fala de gente, não de instituições”, disse Cortaz. “Eu não estou falando só do lado dos policiais, mas dos traficantes também. São pessoas no limite, mostrando suas fraquezas – e como a gente luta para viver, para amar”.
Depois de instalados no porão, os personagens recebem a inoportuna visita de Mariana, papel de Mariana Nunes (A Febre do Rato). A jovem envolve-se na história porque Doca a contratou como faxineira e ela vai à pizzaria receber o salário. Com sua chegada, novos conflitos nascem entre os personagens.
A atriz tinha originalmente feito o teste para interpretar Letícia (Aisha Jambo, de Insensato Coração), irmã do traficante Senegal (Jefferson Brasil, de Boca do Lixo) e namorada de Carlinhos. Ela não sabe que o amado é na verdade um policial.
“Por circunstâncias do filme, o Belmonte me puxou para outro papel”, relata Mariana. “Então, eu não sabia o que me esperava. Foi bem difícil o processo por conta do que se trata o filme. Nunca tinha feito algo tão dramático”.
 
Antônio Fagundes (esq.) é Delegado Valadares
Do lado de fora da favela, o Delegado Valadares (Antônio Fagundes, de Achados e Perdidos) não consegue se comunicar com seus homens. Ele comanda a missão de inteligência que pretende auxiliar a invasão do Complexo do Alemão.
“O meu personagem costura as tramas paralelas e tem um arco dramático interessante, sofrendo do lado de fora”, diz Fagundes. “Para mim, foram só dois dias de filmagens. Foi muito rápido, mas foi muito intenso”.
Veja o trailer de Alemão:
 

 
 
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