Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 04.03.2013 04.03.2013

Além da pirotecnia: diretores consagrados experimentam o 3D

Por Edu Fernandes
 
Inovações tecnológicas sempre influenciaram o cinema, tanto no mercado quanto na linguagem. A mais recente mudança no campo foi a estereoscopia, nome técnico da projeção em 3D. Esse tipo de atração foi considerado pela indústria a salvação do mercado, ameaçado pela pirataria. Por outro lado, serviu para diretores se inspirarem com as novas possibilidades do advento.
Um desses profissionais é o alemão Wim Wenders (Estrela Solitária), que realizou o documentário Pina (2011) com câmeras 3D. A versão em DVD e Blu-ray da produção chega às lojas em março. O tema é a obra da coreógrafa Pina Bausch, falecida em 2009.
 
Wenders optou por usar a estereoscopia porque percebeu que a profundidade de campo era essencial para compreender a genialidade de Bausch. No filme, as coreografias concebidas por ela são apresentadas por membros de sua companhia de dança, que também colaboram com depoimentos.
Os complexos números são apresentados no palco e em outras locações mais heterodoxas, como uma praça ou às margens de um rio. Todas as cenas se passam na cidade de Westphalia, sede da companhia fundada por Bausch. Assim, o documentário oferece algo que não se pode reproduzir no teatro, e o uso da estereoscopia compensa a perda de não se ver as coreografias ao vivo.
 
O princípio da projeção em 3D é antigo, mas começou a ser implantado no circuito de cinema comercial em meados da década passada. As primeiras produções, como Viagem ao Centro da Terra – O Filme (2008), usavam a estereoscopia apenas como entretenimento. Nesses casos, objetos voam na direção do espectador e nos dão a impressão de estarmos diante de uma atração de parque de diversões.
 
Cena do filme Avatar, de James Cameron
 
O cineasta que inaugurou a exploração do potencial narrativo do 3D foi James Cameron (Titanic), com Avatar (2009). No filme, a estereoscopia auxilia o público a ter uma maior imersão no mundo dos Na’Vis. A sensação de estar em Pandora é potencializada pelo formato de tela gigante Imax.
O sucesso bilionário de bilheterias causou uma enxurrada de lançamentos no formato. Muitas dessas produções não eram captadas com câmeras 3D, mas convertidas na pós-produção. O resultado desse processo não é tão convincente quanto os longas concebidos desde o princípio para serem lançados com esse tipo de projeção.
 
Em meio ao frenesi, outros diretores de renome resolveram experimentar a novidade. No documentário A Caverna dos Sonhos Perdidos (2010), Werner Herzog (Vício Frenético) mostra as pinturas rupestres mais antigas já descobertas. Como as paredes da caverna não são planas como uma tela de pintura, o uso do 3D foi escolhido para captar melhor o relevo das obras.
 
Cena do filme A Invenção de Hugo Cabret, de Martin Scorsese
 
Martin Scorsese (Ilha do Medo) experimentou uma dupla estreia em A Invenção de Hugo Cabret (2011). Esse é o primeiro título do diretor voltado ao público infantojuvenil e também seu primeiro filme em 3D. A estereoscopia é usada para aumentar a identificação com o protagonista. Então, quando o menino é perseguido pelo guarda da estação de trem em que mora, o antagonista aponta para a tela, como se cada espectador fosse Hugo.
Em outra cena, o trem descarrilado segue em direção à tela e “invade” a sala de projeção. Esse momento remete aos primórdios do cinema, quando o público das sessões organizadas pelos irmãos Lumière abandonou seus assentos com a visão de uma locomotiva partindo da estação. Eis um exemplo do efeito das novidades tecnológicas na percepção das pessoas.
 
MAIS DIRETORES QUE SE AVENTURARAM PELO 3D
 
Steven Spielberg – Ele já usou a estereoscopia em dois projetos: na animação As Aventuras de Tintim (2011) e no drama Cavalo de Guerra (2011). As diferenças em seu modo de trabalho nesses filmes foi o abandono da película cinematográfica e uma mudança de hábito no momento de decidir o enquadramento. Spielberg sempre tampava um dos olhos antes de dar início a uma tomada, para perceber como a imagem ficaria em 2D. Nesses casos, tal prática não faria sentido e, por isso, foi deixada de lado.
 
Ang Lee – O cineasta taiwanês usou o 3D com a mesma intenção de James Cameron. Em As Aventuras de Pi (2012), a estereoscopia é grande responsável pelo show de imagens na tela. O lançamento do DVD e Blu-ray está programado para abril.
 
Peter Jackson – O realizador neozelandês é um grande fã de tecnologia. Na trilogia O Hobbit (2012-2014), ele usa o 3D e câmeras que captam as cenas com o dobro da velocidade convencional. A promessa é que o processo resulte em uma maior riqueza de detalhes.
 
Veja o trailer de Pina:
 

 
 
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