Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Música 19.10.2012 19.10.2012

“Ainda acredito muito na canção”, diz Moska, que lança seu DVD e um filme em novembro

Por Maria Fernanda Moraes
 
“Ainda acredito muito na canção, que me perdoe o Chico Buarque”. Com esse entusiasmo e 45 anos recém-completados, Paulinho Moska diz que o período agora é de colher frutos. E eles vêm de maneira plural, como é a marca da sua carreira.
 
O cantor aguarda o lançamento, em novembro, do filme Minutos Atrás, do diretor Caio Soh, no qual ele interpreta um dos personagens principais e é responsável pela trilha sonora. No mesmo mês, também será lançado o DVD do disco Muito Pouco, que foi gravado em São Paulo. Para completar o momento multifacetado, o programa comandado por Moska no canal Brasil – Zoombido – chegou a 180 edições.
 
Em entrevista ao SaraivaConteúdo, Moska contou detalhes do DVD, em fase de produção e dirigido pela mesma equipe uruguaia que o acompanha no Zoombido, programa com direção de Pablo Casacuberta.
 
“O show já foi concebido com a ideia de ser multimídia (apesar de eu não gostar muito dessa expressão). Há um telão com imagens, fotos, desenhos relacionados a cada música. A ideia era que o DVD tivesse um roteiro, uma historinha. O DVD do Mais Novo de Novo já teve isso, com a história das fotografias dos banheiros. E desta vez, queríamos algo diferente. Pra mim, é interessante esse esquema de ter um roteiro, porque senão fica uma coisa cansativa. É diferente de um CD, que você escuta várias vezes. Eu vejo um DVD no máximo duas vezes. E com esse lance do roteiro, fica mais divertido, você vai percebendo novos detalhes a cada vez”, explicou.
 
Moska contou que aproveitou o fato de estar trabalhando com a mesma equipe do programa da televisão e optou pelo experimentalismo no DVD. “No Zoombido, há uma relação com a câmera que não é meramente documental: ela tem um prisma de cinema, um olhar poético. Colocamos ganchos com pequenos espelhos nos extremos das câmeras, que criam prismas, flares, luzes fabricadas manualmente no encontro de outras luzes. Pensamos em levar isso para o show do DVD. Em cada música, preparamos uma brincadeira dessa relacionada a uma câmera diferente. Em resumo, o público que estava lá e assistiu ao show ao vivo irá ver uma coisa diferente no DVD, por conta desse jogo com as câmeras. É como se fosse um clipe de cada música. E o diretor contribuiu muito nesse aspecto, ele tem um senso do sublime que aparece nas coisas mais lindas que a gente gosta”, contou o compositor.
 
“Em uma das músicas, nós pensamos em chamar o público para filmar em cima do palco com seus celulares. E depois pedimos para eles postarem no Youtube e nos mandarem. O show teve um pouco desse espírito: produzir alguma coisa que não é somente um show, fazer com que o público seja um ator e os câmeras tenham participação ativa. O principal é como você filma, é o olhar de quem está atrás das câmeras. Não é somente um artista cantando suas músicas, é o que ele preparou para te mostrar. Essa forma estática não me basta, é pouco, eu quero que o cara que se interessa pela minha música se interesse também por esse olhar. Porque, para mim, é misturado”, definiu.
 
Além das canções já conhecidas no disco Muito Pouco, o DVD traz uma música inédita e outra que já havia sido gravada anteriormente pela Martnália. “Agora gravei a versão masculina da música ‘Namora Comigo’”, contou Moska.
 
“Para Martnália, era ‘Hoje eu tô sozinha, você está na minha, não adianta se esconder’, e essa minha versão do DVD foi adaptada para ‘Hoje eu tô sozinho, você no caminho, não adianta se esconder’. Acrescentei também uma canção linda do Carlos Renó, ‘Somente nela’. Fiquei apaixonado por ela e achei que o DVD tinha que ter esse frescor de coisa nova. E além dessas, tem ainda uma canção antiga, ‘Ímã’, do disco Móbile, que fiz um novo arranjo”, explicou o cantor.
 
Kevin Johansen, o cantor argentino que participou do disco, também tem participação no DVD. “O Kevin representa muito bem o que aconteceu comigo na minha independência fonográfica e no contato com artistas latino-americanos. Ele é argentino, nascido no Alaska e morou em Nova Iorque. Ele é meio como nós, brasileiros, uma mistura de tudo”, resumiu Moska.
 
Acompanhe mais do bate-papo com o compositor:
 
SOBRE O FILME MINUTOS ATRÁS, QUE ENTRA EM CARTAZ EM NOVEMBRO
 
“Eu interpreto o cavalo Ruminante nesse filme dirigido pelo Caio Soh e baseado numa peça dele. Também estão no elenco Vladimir Brichta e Otávio Müller. É um filme bem diferente… as pessoas vão assistir e se lembrar dele depois. Tem um pouco de ‘Esperando Godot’ (peça de Samuel Beckett), uma estrada sem fim onde nada acontece. São dois homens numa carroça puxada por um cavalo, indo para um lugar melhor. Eu faço o cavalo, que também é o narrador e toca um banjo. Vou narrando, ironizando o que está se passando. Enquanto isso, os personagens discutem a vida de forma muito bem-humorada e profunda: sonho, medo, liberdade, esperança. No texto original, o cavalo falava muito. Então, peguei essas falas e fiz canções curtas. Tenho praticamente duas falas no filme; no resto, só canto. As canções têm letras do Caio e são diferentes do que costumo fazer, pude me libertar um pouco disso, de certa forma. Foi um exercício novo.
 
Cena do filme
 
Quando o Caio me procurou, eu já tinha lido alguns poemas dele, mas não tinha um conhecimento profundo da sua produção. Hoje, estou apaixonado pelo trabalho do Caio. Ele é muito parecido comigo em alguns aspectos de pluralidade: escreve, atua, sabe muito bem o que quer. Tem uma cabeça muito ampla. Eu já fiz teatro, fotografia, faço algumas leituras de teatro e passei a entender que poderia ser mais ator nos meus shows… acho que o Caio me procurou por causa disso”.
 
A CONSCIÊNCIA DA PLURALIDADE
 
“Eu sempre quis fazer várias coisas ao mesmo tempo. Minha adolescência foi cercada de desejos circenses. Comecei na escola de teatro e entrei para o Garganta Profunda, um coral teatral. Uma vez, vi uma apresentação do Asdrúbal Trouxe o Trombone no SESC Pompeia e aquilo foi definitivo para mim, eu queria ser do Asdrúbal. O texto era muito jovem, parecia feito pela minha turma de teatro adolescente. Eu sou Asdrúbal até hoje, mesmo sem nunca ter sido. Me interesso muito pela juventude – minha e dos outros. Saí do Garganta Profunda para formar o grupo musical Inimigos do Rei, no final dos anos 80. Foi quando experimentei pela primeira vez a turnê pelo país, o contato com as gravadoras. Depois do Inimigos, já segui direto para minha carreira solo. E, aos poucos, fui entendendo como eu me enquadrava (ou não enquadrava) nos sistemas das gravadoras, mas fui deixando os desejos de diversidade de lado.
 
Comecei a entender esse processo melhor há uns oito anos, quando me tornei um artista independente. Isso me remeteu à minha juventude, às lembranças do Asdrúbal, me trouxe de volta que eu não precisava ter um foco único, que eu poderia ter várias práticas. E sinto hoje que essas práticas múltiplas melhoram minha canção a cada dia. Como músico, eu sou um compositor de música popular. Quanto mais simples, melhor. Se é canção popular, tem que ser simples. Mesmo quando fiz discos mais experimentais – Móbile (1999) e Eu Falso da Minha Vida o que eu Quiser (2001) –, eu não mudei uma coisa na minha essência: a canção. Ali, comecei a entender qual era a minha paixão”.
 
LAÇOS COM A AMÉRICA LATINA
 
“Tudo começou quando uma fã me mandou um disco do Jorge Drexler, cantor uruguaio. Me encantei e gravei duas canções dele. Então, chamei-o para fazer shows comigo no Rio de Janeiro e, em retribuição, ele me chamou para acompanhá-lo nos shows por lá. E passei a conhecer a América Latina dessa maneira, fazendo shows com ele primeiramente e, depois, seguindo rumos próprios. Quando sai do seu país, você passa a se ver de fora. Acabei sendo curador de dois grandes encontros de música brasileira e latino-americana, foi muito bacana.
 
Eu tinha o senso comum da grande maioria dos brasileiros que não tem contato nem interesse pela América Latina, e isso foi sendo quebrado aos poucos. A gente se isola muito aqui no Brasil e perde a oportunidade de fazer essa troca. Nós nos satisfazemos com a própria diversidade e fechamos as portas. Eu entendo – porque temos dimensões continentais e uma língua diferente –, mas não compreendo, são coisas diferentes. E isso então passou a ser como um dever pra mim, essas coisas que acontecem na nossa vida. Vi que nós somos muito mais parecidos com eles do que com os norte-americanos (que vivemos puxando o saco), e menos ainda com os europeus. A gente mantém essa postura de subserviência e nos comportamos, de certa forma, como o terceiro mundo que eles nos denominam, quando há, na verdade, uma América irmã nos esperando”.
 
INFLUÊNCIAS E INSPIRAÇÕES
 
“Um programa como o Zoombido é uma homenagem à canção, aos compositores de canções. E isso reflete meu agradecimento a todas as minhas influências. Mas se eu tivesse que escolher uma influência na minha carreira, seria o Caetano Veloso, que foi o príncipe da minha geração. Ele sempre foi jovem, inclusive hoje, e me ensinou essa ‘camaleonice’. Ele faz música, faz cinema, se arrisca na dança. Sempre foi esse prisma que a luz entra branca e sai colorida. Um camaleão mesmo, uma espécie de David Bowie. Ele é minha grande inspiração. E até hoje é assim, aos 70 anos de idade. Claro que vêm junto a ele Gil, Mutantes, Rita Lee, Luiz Gonzaga, Raul, Tom, João Gilberto… meu gosto é muito vasto. A empregada de casa escutava música brega, que eu adoro. E minha música não seria assim hoje se eu não tivesse escutado música brega. ‘Estou pensando em você, pensando em nunca mais, pensar em te esquecer’ – é brega, mas é lindo, né? Isso eu aprendi com Odair José, Wanderley Cardoso, Waldick Soriano”.
 
AS INFLUÊNCIAS INSTRUMENTISTAS
 
“Gil foi definitivo. Tive a oportunidade de assistir ao Unplugged Gilberto Gil (1994). Assisti a cinco ensaios e o vi fazendo os arranjos. Mas o primeiro artista que eu vi e pensei ‘Tenho que tirar, essa mão direita é incrível’ foi o João Bosco, o disco dele em Montreux (Brazil Night, 1983). Depois, veio esse impacto do Gil. O Caetano tem uma coisa interessante: ele não é bom instrumentista, mas o que faz com o violão e a voz se aproxima muito do João Gilberto, no sentido de ser um sistema perfeito, que ensina muito. Mas o Gil curte aquele instrumento, as harmonias são incríveis, coisa de quem fica debruçado sobre o instrumento, namorando o violão. E ele tem uma coisa com os baixos, os graves… de arrumar os acordes utilizando as cordas graves, que só no Unplugged eu vi. Hoje, quando eu componho, me inspiro nisso.
 
Também foi importante o projeto ‘Cinco no Palco’, organizado pelo SESC São Carlos. Éramos eu, Chico César, Zeca Baleiro, Lenine e Marcos Suzano. Fizemos um show baseado no nosso repertório, com 25 músicas, cada um cantava a música do outro e os cinco tocavam instrumentos variados. O Lenine já tinha lançado o disco Olho de Peixe (1992) com o Suzano, que eu adorava. Lenine também tem essa personalidade marcante no violão e o Chico César é um grande violinista, quase que erudito. O Zeca se parece mais comigo, é um violão ‘sujo’ como o meu, mas também muito especial. Esse projeto também foi fundamental para o desenvolvimento do meu violão”.
 
ENCONTRO COM SUAS LETRAS
 
“Comecei escrevendo sem ler muitos livros. Na verdade, lia mais letras de músicas do que livros. Costumo dizer que as letras das canções me ensinaram mais que a escola. Chico Buarque, Vinicius de Moraes… lá em casa, se escutava muita Bossa Nova. Aí eu tinha uma sensação que poesia era coisa de velho, por causa do Vinicius, que eu só poderia escrever um poema maravilhoso quando tivesse cabelos brancos (risos). Caetano é um poeta incrível, acho que é o maior poeta da música popular hoje, junto com o Chico. Eu sempre fui muito fã e me interessava muito pelas letras. Eu via as palavras – ‘Odara’, ‘cálice’ – e ia atrás. Essas histórias por trás das canções revelam muito da vida.
 
As minhas primeiras letras são bem ‘hippienhas’. Eu passei a encarar a letra como uma coisa muito profunda a partir do segundo disco. O primeiro disco já é rimado e tem refrão, e acho as letras interessantes. Antes de gravar o segundo disco, eu conheci um grande mestre chamado Claudio Ulpiano (filósofo), que já faleceu. Estive muito perto dele, fui amigo, frequentei suas aulas. Ele passou a me chamar de filho por contágio, e eu o chamava de pai por contágio.
 
Foi uma relação muito profunda, eu ia para a casa dele, víamos filme, líamos livro e ele me orientava – ou desorientava, não sei mais o que é. Ele foi muito importante para minhas letras. Eu entrei em contato com a filosofia – não acadêmica – com a filosofia em si, entrei em contato com um grande pensador que me ajudou a pensar minha própria vida e minha relação com a arte.
 
Vida, arte e liberdade são a mesma coisa. Isso foi muito útil, porque amarrou um pouco do meu sentimento na juventude, quando eu estava tentando várias coisas pra ver o que dava certo e, no final das contas, entendi que tudo dá certo quando está junto, que a vida nunca pode ser explicada, mas pode ser percebida, pode ser expressada. Você pode encontrar um sentido, não um significado. E esse sentido vem desses agenciamentos, muito típicos do nosso mundo de hoje.
 
A imagem associada com o som, com a palavra, com a performance, com o corpo, com a luz, com tudo para poder gerar o enlevo poético, a adequação ao sublime, a essa busca de tentar dar conta daquilo que você sabe que não vai dar conta, mas ao menos tentar”.
 
PERCEPÇÃO DO SEU PÚBLICO
 
“Percebo que, nos meus shows, sempre teve gente de todas as idades, e gosto muito disso. Eu escuto muito mais música nova do que antiga. Sempre gostei de ser jovem e dessa juventude. Os fãs me mandam muita coisa para escutar por Facebook, Twitter, e-mail, na minha casa chega muita coisa. Eu sempre escutei muita música e, hoje, consigo dividir melhor meu tempo entre a fotografia, a família. Quando eu vou para o computador responder a e-mails, é a hora em que eu escuto música”.
 
ASSINATURA NAS SUAS MÚSICAS
 
“Quando a galera mais jovem começou a me escrever e eu comecei a perceber no som deles algumas marcas minhas, foi uma felicidade. O Cícero (Canções de Apartamento, 2011), por exemplo, já foi em casa algumas vezes, e eu adorei o som dele. Quando escutei o disco, convidei-o para ir em casa e ele me contou que eu era sua maior influência, que ele sabia tocar todas as minhas músicas – ‘Não estou acreditando que eu estou aqui’, ele dizia. Aí, eu pensei: ‘Uau, eu sou o Caetano dele!’. São nesses exemplos que você entende que realmente aconteceu, eu só não sabia que seria assim. Eu projetei na minha juventude que queria ser o ‘novo Caetano Veloso’, era um sonho. Hoje, eu sei que não sou o novo Caetano, e ele continua sendo meu ídolo.
 
Mas é tão bonito ver que você está dando pra alguém o que você recebeu. Eu dou o que o Caetano me deu, essa ideia de diversidade. O Cícero me disse: ‘Você é o artista que é a cara da minha geração, você é esse camaleão que resume muito bem a minha geração’. E tanto a minha geração quanto as próximas fazem tudo: fotografam sem serem fotógrafos, têm blog, fazem música e gravam em casa. E eu fiquei muito feliz, porque durante muito tempo a minha sensação era a de estar perdido enquanto eu fazia todas essas coisas concomitantes. Muita gente me falava ‘Você tem que decidir, não pode fazer tudo ao mesmo tempo’ – e, de repente, o mundo vira tudo ao mesmo tempo. Não há como me sentir mal, não me sentir orgulhoso das opções que eu fiz”.
 
TOCAR VIOLÃO EM CASA
 
“Eu toco muito violão em casa, quase todo dia. Começo tocando para espairecer e, de repente, surge alguma coisa legal que eu já anoto e guardo. Funciona assim sempre. A composição começa muito antes, nessas frases que você começa a escrever e guarda, vai acumulando coisas… de repente, o canal abre ali, num acorde ou numa frase que chama atenção. Pego o violão já com a frase na cabeça e ela já tem a própria melodia. É aquele momento de abrir-se, que você tem controle, mas ao mesmo tempo não controla muito, algo a ver com a transcendência, com essa coisa meio yoga de deixar vir, fluir”.
 
RUMOS DA CANÇÃO
 
“Eu acho que a canção vai sempre para todos os lados. Existe uma linha evolutiva interessante que nos guia, nos norteia. Mas eu sou mais da pluralidade. Depois que o Chico (Buarque) disse que a canção acabou, quem é que vai dizer que não, né? (risos). Acho a chegada do Criolo tão importante quanto a chegada dos Los Hermanos e do Cazuza, anos atrás.
 
Quando a gente olha pra trás, esses pontos são evidentes, e o Criolo representa hoje esses novos rumos, trazendo o rap para o cenário da música nacional. Mas há muitos outros jovens artistas que não têm esse mesmo viés – Dani Black, Karina Buhr, Jeneci, Tulipa Ruiz –, e isso é interessante: a gente ainda pode fazer algo de diferente na canção, é um formato que ainda não esgotou. Talvez a canção tenha deixado de ter tanta força política ao longo desses últimos anos… mas sou apaixonado por esse formato, não sei fazer outra coisa musicalmente, não me vejo fazendo música instrumental, não sou um músico.
 
Sou esse cantor ‘vagabundo’, um compositor de música popular rasteira que tenta – dentro dessa coisa rasteira do formato – imprimir algumas letras que tenham algo que vale a pena dentro daquela canção. Não quero fazer uma canção à toa. Sempre procuro colocar em cada canção um elemento surpresa, uma frase que o ouvinte se surpreenda. E acho que estou satisfeito. Estou conseguindo! Ainda acredito muito na canção, que me perdoe o Chico! (risos)”.
 
 
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