Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 15.02.2013 15.02.2013

A volta por cima de Helen Hunt

Por Edu Fernandes
 
No consultório de um terapeuta, pessoas conseguem alcançar grandes vitórias pessoais. No caso do filme As Sessões, o triunfo é no campo sexual. Mark O’Brien (John Hawkes, de Contágio) é um escritor que sofre de poliomielite e, por causa das restrições da doença, se aproxima dos 40 anos de idade sem qualquer experiência sexual. Para mudar sua situação, ele procura Cheryl, uma profissional que o ajudará a ter essa conquista. O longa estreia dia 15 de fevereiro no Brasil.
Cheryl é vivida por Helen Hunt, uma atriz que conseguiu, em meados dos anos 1990, uma vitória profissional comparável ao triunfo alcançado por Mark O’Brien na ficção. Ela saiu de um seriado televisivo para ter uma carreira de sucesso na tela grande. Na época, as fronteiras entre os meios eram bem rígidas, e tal travessia era quase impossível de se realizar.
Tudo começou em 1992, quando a então desconhecida atriz conseguiu o papel principal na sit-com Mad About You. Quando a atração televisiva já estava na sua quarta temporada, tudo levava a crer que a carreira de Helen não iria muito longe. Ela tentava fazer alguns filmes, mas não conseguia engatar no cinema. Além disso, já estava com 33 anos de idade. As atrizes criticam constantemente que os bons papéis femininos são cada vez mais escassos quando elas se tornam balzaquianas. Portanto, poucos apostariam na reviravolta de Hunt.
Em 1996, ela estrelou o filme-catástrofe Twister. No meio dos furacões e efeitos visuais, Helen Hunt não tinha muito espaço para demonstrar seu talento dramático, mas a exposição que o blockbuster lhe ofereceu foi positiva. Agora ela era um nome a ser considerado nos elencos de cinema.
 
Cena do filme Melhor É Impossível

Para balancear a carreira, no ano seguinte ela participou de Melhor É Impossível (1997). Com o título, ela foi premiada com o Oscar, para a surpresa de muitos. Mad About You ainda estava no ar, então a atriz tinha sua imagem atrelada à televisão. A expectativa era de que a Academia não iria premiá-la exatamente por essa razão, especialmente na categoria de atriz principal.

Nas últimas duas temporadas do seriado, que ficou no ar até 1999, Helen experimentou o sucesso de outra maneira. Ela se arriscou na direção de alguns episódios e conseguiu um bom salário como atriz. No último ano da série, ela e seu colega de cena Paul Reiser ganhavam US$ 1 milhão por episódio.
Em 2000, quando não estava mais comprometida com televisão, Hunt mergulhou de cabeça no cinema e trabalhou em quatro filmes. Ela atuou em duas comédias românticas (Dr. T e as Mulheres e Do que as Mulheres Gostam) e em dois dramas (A Corrente do Bem e Náufrago). No ano seguinte, teve a chance de ser dirigida por Woody Allen e participou de O Escorpião de Jade.
A partir de então, a atriz desacelerou o ritmo e fez filmes em intervalos maiores. Seu próximo trabalho de destaque seria o multiestelar Bobby (2006), sobre o último dia de vida do senador Robert Kennedy. No longa, ela interpreta uma socialite, esposa do personagem de Martin Sheen.
 
Helen Hunt ajusta câmera no set do filme Quando Me Apaixono

Em 2007, oito anos após o final de Mad About You, Helen Hunt voltou a se arriscar atrás das câmeras, mas comandando o set de um longa-metragem. Como no caso dos episódios do seriado, ela acumulou as funções de diretora e atriz. Quando Me Apaixono é um drama sobre maternidade. Helen interpreta uma professora em crise: April é abandonada pelo marido (Matthew Broderick), perde sua mãe adotiva (Lynn Cohen) e tem de lidar com o aparecimento repentino de sua mãe biológica (Bette Midler). A produção foi premiada em festivais para filmes independentes.

Depois dessa empreitada, a carreira de Hunt parecia ter estagnado. Ela atuou em títulos de pouca expressão, como o drama esportivo com pegada gospel Soul Surfer – Coragem de Viver (2011). Atualmente, ela se reinventa em As Sessões. Na pele da terapeuta sexual, Helen faz cenas emotivas e corajosas com John Hawkes, sem pudor de exibir seu corpo quando necessário. O resultado é claro: Hawkes foi indicado ao Globo de Ouro e ela concorre ao Oscar mais uma vez.
Para ficar claro que isso não é apenas um lampejo, a atriz já tem outros três filmes previstos para o futuro. Entre eles está Relative Insanity (“Insanidade Relativa”, em tradução literal), uma releitura contemporânea da peça A Gaivota, de Anton Tchekhov. A produção deve estrear ainda em 2013 nos Estados Unidos.
Veja o trailer de As Sessões:
 

 
 
 
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